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Parece filme, mas é no Brasil: a cidade histórica de ruas de pedra que a maré invade e que atraiu famílias russas e ucranianas fugindo da guerra

Centro histórico tombado pelo Iphan desde 1958 vê o mar subir nas luas cheia e nova e ganhou vizinhos que chegaram ao Brasil depois da invasão russa

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Na maré de sizígia, que coincide com a lua cheia e a lua nova, o mar invade as ruas de pedra do Centro Histórico de Paraty
Na maré de sizígia, que coincide com a lua cheia e a lua nova, o mar invade as ruas de pedra do Centro Histórico de Paraty - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Ruas de pedra, casarões coloniais e o mar entrando pela cidade em noite de lua cheia. A cena parece de cinema, mas acontece em Paraty, no litoral sul fluminense. Patrimônio Mundial reconhecido pela Unesco, a cidade histórica também virou endereço de famílias russas e ucranianas que deixaram para trás a guerra na Ucrânia e escolheram recomeçar na Costa Verde do Rio.

Por que a maré invade as ruas de pedra de Paraty?

A água entra porque o Centro Histórico de Paraty foi erguido rente à Baía da Ilha Grande, num terreno baixo entre o rio e o mar. Na maré de enchente mais forte, a de sizígia, que coincide com a lua cheia e a lua nova, o mar avança pelas ruas próximas ao cais.

O cenário ganha força com o calçamento pé de moleque, feito de pedras grandes e irregulares. A água se espalha entre as pedras e volta para a baía quando a maré baixa. As casas ficam acima do nível da rua, o que protege o interior dos imóveis enquanto o mar passa.

Para quem mora no centro, a cheia faz parte da rotina. Para o turista, é a hora de fotografar os casarões refletidos na água, cena que costuma lotar as redes sociais.

Desde quando o Centro Histórico de Paraty é protegido?

O conjunto urbano é protegido desde 1958, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez o primeiro tombamento da cidade. Em 1974, um novo tombamento incluiu o entorno. A arquitetura que domina as ruas data do fim do século 18 e do início do século 19.

O centro de Paraty foi erguido rente à Baía da Ilha Grande, e as casas ficam acima do nível da rua para proteger o interior da água
O centro de Paraty foi erguido rente à Baía da Ilha Grande, e as casas ficam acima do nível da rua para proteger o interior da água – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A história explica o cuidado: a cidade foi elo entre as capitanias do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais. A Unesco declarou Paraty e Ilha Grande patrimônio mundial em 5 de julho de 2019, em Baku, no Azerbaijão. O sítio misto, cultural e natural, soma 149 mil hectares, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

A Delegação do Brasil junto à Unesco publicou um vídeo oficial sobre esse reconhecimento. As imagens apresentam Paraty e Ilha Grande como patrimônio mundial brasileiro.

Por que famílias russas e ucranianas escolheram Paraty?

Tranquilidade, natureza e uma comunidade que já fala russo e ucraniano pesaram na escolha dessas famílias. Desde a invasão russa, em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia tirou milhões de pessoas de casa, e parte delas atravessou o Atlântico. Para quem chega sem falar português, ter vizinhos que falam a mesma língua facilita o recomeço.

A lei brasileira também conta. Pela Constituição Federal, quem nasce no Brasil é brasileiro nato, mesmo com pais estrangeiros, salvo se eles estiverem a serviço do próprio país. Já a Lei de Migração (Lei 13.445/2017) prevê residência por reunião familiar para quem tem filho brasileiro.

Pedra molhada escorrega: use calçado firme e redobre o cuidado com crianças e idosos ao ver a maré cheia em Paraty
Pedra molhada escorrega: use calçado firme e redobre o cuidado com crianças e idosos ao ver a maré cheia em Paraty – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por isso, parte das famílias estrangeiras tem filhos nascidos na cidade, o que abre aos pais um caminho legal para morar no país. O pedido exige documentos e segue as regras da lei. Quem estiver nessa situação deve buscar orientação nos canais oficiais do governo federal.

Uma dessas histórias é a de uma russa que chegou grávida e virou parteira na cidade. A matéria mostra como essa rede de famílias se formou ao longo dos anos.

O que saber antes de ver a maré cheia em Paraty?

O principal é conferir a tábua de marés publicada pelo Centro de Hidrografia da Marinha e escolher os dias de lua cheia ou nova, quando a maré de enchente chega às ruas. O vento também altera o nível da água, então o horário previsto serve de referência, não de garantia.

Pedra molhada escorrega, e o calçamento pé de moleque já é irregular mesmo seco. Use calçado firme e redobre o cuidado com crianças e idosos. O centro histórico de Paraty guarda séculos de história em cada esquina. Se está pensando numa folga no litoral sul do estado, escolha um fim de semana de lua cheia e vá ver de perto o mar passeando pelas ruas de pedra.

Quem gosta de cidade colonial tem outro destino de ruas de pedra para colocar no radar, agora em Minas Gerais.

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