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Morador compra climatizador de R$ 800 em 10 vezes para aguentar o calor e descobre, na primeira semana, que o aparelho só funciona bem com a janela aberta
O aparelho resfria evaporando água, perde força quando a umidade sobe e precisa de ar circulando para entregar o frescor esperado
Muita gente compra um climatizador de ar em várias parcelas para enfrentar o calor e se assusta logo na primeira semana: com o quarto fechado, o aparelho refresca pouco e deixa o ambiente abafado. Isso não é defeito. O equipamento funciona pela evaporação da água, um processo que depende de ar circulando e de umidade baixa. Por isso, a janela aberta faz tanta diferença.
Por que o climatizador pede janela aberta para render?
A janela aberta é necessária porque o aparelho resfria evaporando água, e o ar que recebe essa água precisa ter por onde sair. O climatizador puxa o ar quente do cômodo, passa esse ar por um painel molhado e devolve um vento mais fresco, mas também mais carregado de vapor.
Com porta e janela fechadas, esse mesmo ar volta ao aparelho cada vez mais úmido. A umidade relativa do ar dentro do quarto sobe, a evaporação perde força e a temperatura deixa de cair. No lugar do frescor, o morador sente abafamento, como se estivesse num banheiro depois do banho quente.
Como a umidade relativa do ar muda o resultado do climatizador?
Quanto mais úmido está o ar, menos o aparelho consegue refrescar. Um estudo publicado no periódico Acta Scientiarum. Agronomy analisou 13 anos de dados meteorológicos de Maringá (PR) e mostrou que o potencial de resfriamento evaporativo era maior de agosto a novembro, os meses de umidade mais baixa.

De dezembro a março, já no verão, esse potencial caiu justamente por causa do ar mais úmido. Os autores apontaram o período entre 13h e 18h como o mais promissor para a técnica. Ou seja, a umidade relativa do ar pesa tanto quanto o termômetro na hora de avaliar o aparelho.
Outra pesquisa, publicada na revista Irriga, avaliou um sistema evaporativo numa estufa e encontrou eficiência média diária entre 74% e 81%. O desempenho melhorou quando o ar de fora estava mais seco. O equipamento é bem maior que um modelo doméstico, mas a física é a mesma.
A conta de luz também entra na decisão de quem tenta vencer a temperatura em casa. Esta reportagem do Super Rádio Tupi mostra como um aparelho mais potente pode pesar no fim do mês.
Climatizador ou ar-condicionado na onda de calor?
A escolha depende do tipo de calor e do cômodo. O climatizador de ar não tem compressor nem gás refrigerante: ele apenas refresca o vento e ainda acrescenta umidade. O ar-condicionado trabalha com o ambiente fechado e retira calor do cômodo, mas costuma pesar mais na conta de luz.

Numa onda de calor com ar seco, o resfriamento evaporativo tende a render melhor. Em dias abafados, com o ar já carregado de vapor, o climatizador entrega pouco mais que um ventilador, e o ar-condicionado leva vantagem. Para quem já tem o aparelho em casa, alguns cuidados ajudam a extrair o melhor dele.
- Deixe uma janela ou porta aberta, criando passagem para o ar.
- Posicione o aparelho perto da entrada de ar de fora, longe de cantos e móveis.
- Troque a água do reservatório com frequência e limpe o painel conforme o manual.
- Prefira as horas mais quentes e secas do dia.
O que avaliar antes de uma compra parcelada contra o calor?
Antes de assumir uma compra parcelada, vale olhar para o cômodo onde o aparelho vai ficar. Um quarto pequeno, sem janela que possa ficar aberta à noite, é o cenário em que o climatizador mais decepciona. Num valor de R$ 800 em dez vezes sem juros, são parcelas de R$ 80 por dez meses, tempo demais para um equipamento que não serve à sua rotina.
Se houver defeito de verdade, como vazamento ou motor que não liga, procure a assistência do fabricante e, sem solução, o Procon. Já o rendimento menor com tudo fechado é característica do aparelho. Então, antes de passar o cartão nessa onda de calor, dá uma olhada na ventilação da sua casa e escolhe com calma o que combina com ela.
Quem anda de olho no orçamento da casa também enfrenta outras dúvidas do dia a dia. Esta situação entre proprietário e inquilino é uma delas.