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Mãe e filha juntam mais de 8 mil garrafas de vidro na rua e constroem uma casa de 70 m² com sete cômodos grandes em dois anos de trabalho

O que era lixo virou uma casa de 70 m².

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O lixo que ninguém queria virou o lar que elas precisavam. / Imagem ilustrativa

O que para muita gente era lixo nas praias de Pernambuco virou parede, janela e lar. Uma casa de garrafas de vidro chamada Casa de Sal foi erguida por mãe e filha na Ilha de Itamaracá, com cerca de 8 mil garrafas recolhidas do descarte irregular. Em dois anos, resíduo abandonado se transformou numa moradia de sete cômodos.

Como nasceu a ideia da Casa de Sal?

A história começou com um problema que qualquer morador de região litorânea conhece: garrafas de vidro jogadas nas praias, matas e manguezais. Edna Dantas e a filha, Maria Gabrielly Dantas, olharam para aquele lixo acumulado e enxergaram outra coisa, material de construção.

A urgência de moradia, durante a pandemia, encontrou a vontade de cuidar do ambiente. Em vez de só reclamar do descarte, mãe e filha decidiram recolher as garrafas e usá-las como estrutura de uma casa própria, na Praia do Sossego.

A construção começou em 2020 e levou cerca de dois anos de trabalho contínuo: coleta, separação, testes e muita solução improvisada. / Imagem ilustrativa

Por que o vidro chama tanta atenção na construção?

Porque o que seria um problema ambiental vira solução e beleza ao mesmo tempo. O vidro é durável e demora muito para se decompor na natureza, então reaproveitá-lo tira peso do meio ambiente. E nas paredes, ele ganha função nova.

O que as garrafas trouxeram para a casa:

1
Luz natural pelas paredes As garrafas deixam a luz do sol atravessar, colorindo os ambientes por dentro.
2
Menos lixo nas praias Cada garrafa usada é uma a menos poluindo a areia e o manguezal.
3
Identidade própria A cor e o brilho do vidro dão à casa um visual que nenhuma parede comum teria.

Como ergueram a casa em dois anos?

Não foi rápido nem simples. A construção começou em 2020 e levou cerca de dois anos de trabalho contínuo: coleta, separação, testes e muita solução improvisada. Além das garrafas, a casa também usou madeira reaproveitada e outros materiais recuperados.

O mais impressionante é a técnica que elas mesmas desenvolveram:

  • As garrafas foram posicionadas na vertical, uma escolha incomum nesse tipo de obra.
  • A cada fileira, elas alternavam a direção das garrafas para travar a parede.
  • O método próprio manteve as paredes firmes e niveladas, sem receita pronta.

Segundo o que o projeto divulga, a Casa de Sal é apontada como a primeira casa do mundo feita com garrafas de vidro na vertical. Cada garrafa precisou ser pensada como peça de um conjunto, não como simples enfeite colado na parede.

O que é a Casa de Sal, além de uma moradia?

Ela é mais que um teto. Virou projeto de educação ambiental, ponto de ecoturismo e símbolo de resistência de duas mulheres negras que ergueram a própria casa num meio ainda muito masculino. Veja o que o projeto reúne:

Dimensão O que representa Alcance
Moradia O começo de tudo Casa de sete cômodos erguida com material reaproveitado. Real
Educação ambiental O recado Mostra na prática como resíduo pode virar solução. Inspira
Autonomia e cultura Além da casa Conecta-se à marca de moda sustentável criada pela família. Projeto maior

Qualquer pessoa pode construir assim?

A história inspira, mas pede cautela, não é receita para copiar sem cuidado. Cada terreno, clima e regra do município exige atenção, e construir com material reaproveitado não dispensa técnica, exige até mais. Segurança, vedação e estabilidade continuam valendo.

Para quem se inspira na ideia, o caminho responsável envolve selecionar garrafas em bom estado, garantir encaixe firme, proteger contra infiltração e, principalmente, buscar orientação técnica. O reaproveitamento funciona bem em muros, paredes decorativas e projetos planejados com cuidado, não no improviso total.

Leia também: A cidade que pagava operários em tecido, é hoje a 5ª mais desenvolvida do Brasil pelo índice da Firjan.

Qual é a grande lição da Casa de Sal?

Que uma casa pode ser muito mais que parede e telhado. A de Edna e Maria Gabrielly carrega memória, resistência e uma resposta concreta a um problema do dia a dia: o lixo que ninguém queria virou o lar que elas precisavam.

No fim, aquelas garrafas espalhadas pela praia do começo mostram que sustentabilidade pode ser prática, não só discurso. Duas mulheres olharam para o que foi descartado e enxergaram valor, e, garrafa por garrafa, levantaram uma casa inteira. É uma história real de que criatividade, quando encontra necessidade, também ergue paredes.

💡 Curiosidade Entre a construção da casa e outras ações ambientais na ilha, como eco-lixeiras comunitárias, Edna e Maria Gabrielly já recolheram mais de 13 mil garrafas de vidro que iriam para o descarte.