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Floresta ganha canais que lembram espinha de peixe e técnica criada há quase 40 anos ajuda a restaurar áreas de mangue onde o fluxo da água havia sido interrompido

Canais em espinha de peixe ajudam a recuperar manguezais ao devolver o movimento das marés em áreas degradadas

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Floresta ganha canais que lembram espinha de peixe e técnica criada há quase 40 anos ajuda a restaurar áreas de mangue onde o fluxo da água havia sido interrompido
Canais em espinha de peixe ajudam a reconectar áreas degradadas ao movimento natural das marés (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Os canais em espinha de peixe chamam atenção pelo desenho, mas sua função está no movimento da água. Aplicada em áreas degradadas da Índia, a técnica reconecta trechos de manguezal à circulação das marés. Com a entrada e a saída da água, o solo pode recuperar condições favoráveis às árvores. A estratégia integra um trabalho de restauração desenvolvido ao longo de décadas.

Como os canais em espinha de peixe ajudam a floresta?

O sistema combina um canal principal com ramificações laterais, formando um desenho semelhante ao esqueleto de um peixe. Essa rede permite distribuir a água por áreas antes desconectadas dos cursos naturais. Quando a maré sobe, a água avança pelos canais. Quando baixa, encontra um caminho para sair, reduzindo a estagnação em trechos degradados.

A abordagem foi aplicada em estados indianos como Tamil Nadu e Andhra Pradesh. Seu princípio acompanha iniciativas de recuperação iniciadas entre o fim dos anos 1980 e o começo dos anos 1990. O objetivo é restabelecer a circulação da água, uma condição necessária para recuperar determinados manguezais, antes de concentrar os esforços apenas no plantio.

Floresta ganha canais que lembram espinha de peixe e técnica criada há quase 40 anos ajuda a restaurar áreas de mangue onde o fluxo da água havia sido interrompido
Canais em espinha de peixe ajudam a reconectar áreas degradadas ao movimento natural das marés (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que a interrupção das marés prejudica o manguezal?

As árvores de mangue toleram condições salinas, mas isso não significa que sobrevivam a qualquer concentração de sal ou tempo de alagamento. Barreiras e alterações nos caminhos da água podem mudar essas condições. A restauração precisa investigar como o terreno passou a funcionar depois da degradação. Entre os fatores observados estão:

  • A frequência com que a maré alcança cada trecho;
  • O tempo durante o qual a água permanece sobre o solo;
  • A salinidade da água e do solo nas áreas afetadas;
  • A presença de obstáculos que dificultam a drenagem ou a chegada de sementes.

Quais resultados foram registrados nas áreas recuperadas?

A Fundação de Pesquisa M. S. Swaminathan, conhecida pela sigla MSSRF, documentou intervenções que combinaram escavação de canais, plantio e participação comunitária. Em um projeto de 115 hectares em Tamil Nadu, foram abertos 19 canais principais e 1.075 laterais. Antes da execução, a equipe avaliou características como relevo, textura do solo, salinidade e vegetação próxima.

Em outra intervenção, nos manguezais de Krishna, em Andhra Pradesh, a renovação pelas marés foi acompanhada por uma queda na salinidade da água presente nos poros do solo. O indicador passou de 87 para 54 partes por mil entre agosto e dezembro de 2017. O resultado mostra uma mudança nas condições locais, sem representar uma garantia de recuperação para qualquer terreno.

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Canais em espinha de peixe ajudam a reconectar áreas degradadas ao movimento natural das marés (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Basta abrir canais em espinha de peixe e plantar mudas?

O desenho precisa responder ao funcionamento de cada área. Um estudo sobre restauração hidrológica, publicado na revista científica PLOS ONE, mostrou que obstáculos podem prolongar o alagamento e tornar o ambiente inadequado para certas espécies. Por isso, copiar o formato sem medir a circulação da água pode deixar o problema sem solução. O planejamento envolve:

  • Identificar os caminhos naturais de entrada e saída da água;
  • Medir os níveis e a duração dos alagamentos ao longo das marés;
  • Avaliar se a vegetação consegue retornar por regeneração natural;
  • Selecionar espécies compatíveis com as condições do local quando houver necessidade de plantio;
  • Acompanhar a drenagem, a sobrevivência das plantas e a manutenção dos canais.

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A recuperação começa pelo funcionamento do ambiente costeiro

Os canais em espinha de peixe mostram por que uma área sem árvores nem sempre precisa receber mudas imediatamente. Se a água fica represada ou o sal se concentra em excesso, o plantio pode enfrentar as mesmas condições que impediram a vegetação anterior de sobreviver. Corrigir a causa da degradação ajuda a definir quando plantar e quando permitir a regeneração espontânea.

O acompanhamento também precisa continuar depois da escavação. Novas plantas, canais desobstruídos e condições adequadas de inundação são aspectos diferentes da recuperação e devem ser observados em conjunto. Nos projetos costeiros, a participação das comunidades e das equipes técnicas ajuda a manter essa rede funcionando, permitindo que a maré volte a alcançar e deixar os trechos restaurados.