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Henri-Frédéric Amiel, escritor suíço, sobre a idade: “Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e uma das partes mais difíceis da grande arte de viver.” Uma reflexão sobre aceitar as mudanças do tempo sem desistir de si
A frase está nas anotações de setembro de 1874 do Journal intime, o diário que o professor de Genebra manteve por mais de três décadas
Uma frase escrita há mais de 150 anos num diário íntimo ainda conversa com quem sopra as velinhas e sente o peso do tempo. O autor é Henri-Frédéric Amiel, professor e escritor de Genebra, que chamou o saber envelhecer de obra-prima da sabedoria. Para o ouvinte que já passou dos 60, ou que cuida de pai e mãe idosos, a reflexão tem endereço certo: aceitar as mudanças sem desistir de quem se é.
Quem foi Henri-Frédéric Amiel, nome da literatura suíça?
Amiel foi um intelectual nascido em Genebra, em setembro de 1821, que ganhou fama mundial graças a um diário. Em 1849, após concurso público, tornou-se professor de estética e literatura francesa na Academia de Genebra. Em 1854, trocou essa cadeira pela de filosofia moral.
Em vida, o escritor publicou poemas e pensamentos que tiveram pouca repercussão. A virada veio depois da morte, em 1881, quando amigos organizaram trechos do Journal intime, o diário que ele manteve por mais de três décadas. Segundo a introdução da tradução inglesa de Mary Augusta Ward, no Projeto Gutenberg, o primeiro volume saiu em Genebra no fim de 1882. A obra, apresentada pelo crítico Edmond Scherer, virou um dos títulos mais lembrados da literatura suíça em francês.

Em que momento do Journal intime Amiel escreveu a frase?
A frase está nas anotações de setembro de 1874, escritas quando Amiel estava em Charnex, na Suíça. Ele tinha 52 anos e reunia ali pensamentos curtos sobre religião, amor e caráter, entre eles o que trata da velhice.
Na versão inglesa, a passagem diz que saber envelhecer é a obra-mestra da sabedoria e “um dos capítulos mais difíceis da grande arte de viver”. A tradução que circula em português troca “capítulos” por “partes”, mas mantém o sentido: envelhecer bem se aprende, não acontece por acaso.
A velhice também ocupou outros grandes nomes do pensamento europeu. A filósofa francesa Simone de Beauvoir, por exemplo, deixou uma lição sobre manter projetos com o passar dos anos.
O que a OMS diz hoje sobre envelhecer com saúde e sentido?
A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe uma pessoa idosa típica, e que essa diversidade não é aleatória. Na ficha da OMS sobre envelhecimento e saúde, a entidade projeta que, até 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais.
O documento também alerta para o idadismo, o preconceito que enxerga o idoso como frágil, dependente ou um peso para a sociedade. Para virar esse jogo, a Assembleia Geral da ONU declarou a Década do Envelhecimento Saudável, de 2021 a 2030. Nas Américas, a iniciativa é liderada pela Organização Pan-Americana da Saúde.

Envelhecer com qualidade deixou de ser assunto só de diário e entrou na agenda da saúde pública mundial. A intuição de Amiel sobre o envelhecimento como aprendizado conversa com esse esforço por anos vividos com saúde e espaço para fazer o que se valoriza.
Como aplicar a lição de Amiel ao próprio envelhecimento?
A primeira parte da lição é aceitar: o corpo muda, o ritmo muda e certas portas se fecham. Sabedoria, no espírito do Journal intime, é encarar essas perdas sem amargura e sem fingir uma juventude que já passou.
Do outro lado está o compromisso de não desistir de si. Manter amizades, aprender algo novo e cuidar da saúde com acompanhamento médico fazem parte dessa grande arte de viver. Isso vale para a caminhada na orla, o baile da terceira idade na Baixada ou a roda de leitura no bairro. Que tal escolher hoje algo que você vem adiando e começar, no seu tempo?
Para quem gosta de pensar sobre o tempo e as fases da vida, a sabedoria popular também tem muito a dizer. Um provérbio japonês liga a infância à velhice de um jeito curioso.