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Morador compra um ar-condicionado de 9.000 BTUs para o quarto e descobre, na primeira tarde de calor, por que o aparelho não dá conta do cômodo com o sol batendo na parede

Capacidade do aparelho, sol da tarde na parede e carga térmica do cômodo explicam o calor que não vai embora, e a etiqueta do Inmetro ajuda a comparar modelos

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Em quarto com sol batendo na parede, o ar-condicionado de 9.000 BTUs pode não dar conta do calor da tarde
Em quarto com sol batendo na parede, o ar-condicionado de 9.000 BTUs pode não dar conta do calor da tarde - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Comprar um ar-condicionado de 9.000 BTUs para o quarto parece a escolha segura para muita gente no Rio. A primeira tarde de calor, porém, costuma mostrar o limite do aparelho quando o sol bate direto na parede. A explicação está no calor que o cômodo acumula, a chamada carga térmica, que a conta feita só pela metragem não enxerga.

Por que 9.000 BTUs não vencem o quarto com sol da tarde?

Porque a capacidade do aparelho é fixa, e o calor que entra no cômodo muda ao longo do dia. O BTU, sigla em inglês para Unidade Térmica Britânica, mede quanto calor o equipamento retira por hora. Um modelo de 9.000 BTU/h entrega cerca de 2,6 quilowatts de refrigeração.

Com sol forte à tarde, a parede esquenta, guarda o calor e o devolve para dentro por horas, mesmo depois que escurece. Somado ao calor de pessoas, eletrônicos e janelas, o total pode superar o que o aparelho consegue remover. O resultado é compressor ligado sem parar, quarto morno e conta de luz mais alta.

Pesquisadores já mediram esse efeito. Um estudo publicado no periódico PARC: Pesquisa em Arquitetura e Construção, da Unicamp, simulou uma casa térrea em três cidades brasileiras. A conclusão: o quanto de sol paredes e telhados absorvem pesa no conforto e na carga térmica interna. Tintas mais absorventes elevaram em até 17,55% as horas anuais de desconforto por calor.

O que entra no cálculo da carga térmica de um quarto?

Entra tudo o que aquece o quarto, e não apenas o tamanho dele. A orientação do Inmetro divulgada pelo Ipem-AM recomenda escolher o aparelho de acordo com o perfil, a necessidade e o tamanho do cômodo.

Sol, vidros, ocupação e construção formam a carga térmica que a metragem sozinha não mostra
Sol, vidros, ocupação e construção formam a carga térmica que a metragem sozinha não mostra – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na prática, quem dimensiona um ar-condicionado split avalia vários fatores ao mesmo tempo. Os principais são estes:

  • Sol: parede ou janela voltada para o sol da tarde recebe calor no horário mais quente.
  • Vidros: janelas deixam passar boa parte da radiação para dentro do quarto.
  • Ocupação: cada morador, a TV e o computador também liberam calor.
  • Construção: fachada escura, laje sem forro e paredes finas pesam no resultado.

Por isso, a conta de bolso pela metragem é só um ponto de partida. Em quarto com sol forte, o ideal é pedir a um técnico de refrigeração o cálculo da carga térmica antes da compra.

A estimativa inicial pela metragem do cômodo, com exemplo de quarto pequeno, está explicada em outra reportagem do site.

Como diminuir o calor que a parede ensolarada joga no cômodo?

O caminho mais barato é impedir que o sol chegue à parede e ao vidro. Segundo o Inmetro, cortinas e toldos diminuem a incidência do calor do sol e ajudam no isolamento térmico do ambiente.

Fechar janelas, evitar o abre e fecha da porta e ligar o aparelho só com gente no quarto também aliviam o esforço. O órgão derruba ainda um mito: programar 17ºC não gela mais rápido, e a temperatura indicada é de 23ºC.

Cortinas e toldos reduzem a incidência do sol e ajudam no isolamento térmico do quarto, segundo o Inmetro
Cortinas e toldos reduzem a incidência do sol e ajudam no isolamento térmico do quarto, segundo o Inmetro – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A etiqueta de eficiência energética ajuda a escolher o aparelho?

Ajuda, mas não substitui o cálculo da capacidade. A nova etiqueta do Inmetro para condicionadores de ar estima o consumo ao longo do ano, considerando o hábito de uso dos brasileiros. O cálculo também mudou para os modelos com compressor inverter.

Na etiqueta, a letra A marca os modelos de maior eficiência energética. Só que um aparelho classe A pequeno demais para o quarto trabalha no limite o tempo todo, e a economia do papel some na conta do mês.

A comparação justa é entre modelos da mesma capacidade. Definida a potência certa, a eficiência energética informada na etiqueta mostra qual deles gasta menos para entregar o mesmo frio.

Trocar o aparelho ou adaptar o quarto antes do verão no Rio?

Depende da distância entre o calor do quarto e a capacidade do aparelho. Se sombra, cortina e janela fechada resolvem as tardes quentes, o ar-condicionado de 9.000 BTUs pode ficar. Se ele segue ligado sem parar e o quarto não esfria, o técnico dirá se vale trocar por um split mais potente.

No verão carioca, do Centro à Baixada, essa avaliação evita pagar duas vezes: pelo aparelho e pela energia desperdiçada. Antes da próxima onda de calor, observe a parede que pega o sol da tarde no seu quarto e converse com um profissional de confiança. Seu sono agradece.

Se o aparelho já está instalado, outro cuidado é com o destino da água do dreno, que costuma gerar conflito entre vizinhos.