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Pastor sai para cuidar das ovelhas e volta com um tesouro de 70 kg

Achado em 1979 na província de Shanxi, o tesouro reúne 193 peças, pesa 34,81 kg e tem lingotes ligados a um chefe da Rebelião de An Lushan

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Em 1979, um camponês achou em Shanxi uma caixa de madeira com ouro da dinastia Tang escondido havia mais de 1.200 anos
Em 1979, um camponês achou em Shanxi uma caixa de madeira com ouro da dinastia Tang escondido havia mais de 1.200 anos - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Um dia de trabalho no campo terminou com um dos achados mais curiosos da arqueologia chinesa. Em abril de 1979, o jovem camponês Hei Yun colhia capim na beira de um barranco em Tunjungou, no norte da China. O povoado fica no condado de Pinglu, na província de Shanxi. Ali, uma caixa de madeira apodrecida guardava o ouro da dinastia Tang: lingotes, folhas e joias escondidos havia mais de 1.200 anos.

Onde e quando o ouro da dinastia Tang foi encontrado?

O tesouro apareceu no início de abril de 1979, num barranco íngreme da brigada rural de Tunjungou, em Pinglu. Hei Yun trabalhava ao lado do estudante Yang Mao e de outros moradores quando eles encontraram o metal. Todo o material foi entregue ao Estado chinês.

Logo depois, o arqueólogo Tao Zhenggang foi ao local e, em 1981, publicou o estudo do achado na revista chinesa de arqueologia Wenwu. Os números principais do tesouro cabem num quadro simples.

O achado de Pinglu1979
Dados do tesouro Tang registrados após a descoberta
Item Registro
Quando Abril de 1979
Onde Tunjungou, condado de Pinglu, Shanxi (China)
Peças 193, entre lingotes, folhas, pulseiras e enfeites
Peso total 34,81 kg
Pureza Em geral acima de 95% de ouro

Entre as peças havia lingotes de ouro, folhas finas, pulseiras e enfeites, guardados juntos na mesma caixa. A pureza alta e a presença de lingotes, usados na época para grandes pagamentos e como reserva de riqueza, chamaram logo a atenção das autoridades.

Por que o tesouro de Pinglu virou a história dos 70 quilos?

O peso registrado do ouro da dinastia Tang achado em Pinglu é de 34,81 quilos, metade do que diz a fama. Em jin, medida tradicional chinesa de meio quilo, o total chega a quase 70, número que ajuda a entender o tamanho que a história ganhou.

Foram 193 peças, entre lingotes, folhas e pulseiras, pesando 34,81 kg e com pureza em geral acima de 95%
Foram 193 peças, entre lingotes, folhas e pulseiras, pesando 34,81 kg e com pureza em geral acima de 95% – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Mesmo assim, o volume impressiona para a época. Para ter uma ideia, o Museu de Henan guarda um lingote de prata Tang oferecido ao imperador em 754 pelo ministro Yang Guozhong. A peça pesa 2.055 gramas e corresponde a 50 liang, unidade de peso usada nesses pagamentos. Juntos, os 193 objetos de Pinglu pesam quase 17 vezes mais.

Ouro escondido em recipientes também aparece em outros cantos do mundo. Na Arábia Saudita, um conjunto de joias guardado num prato de barro intriga os pesquisadores.

O que as inscrições revelam sobre a Rebelião de An Lushan?

As inscrições ligam o ouro da dinastia Tang a um dos períodos mais violentos da história chinesa. Cinco lingotes têm textos gravados, e um deles cita o primeiro ano da era Qianyuan, que corresponde a 758.

Outro lingote leva o nome de Zhang Tongru, acompanhado de títulos de nobreza e da palavra que indica oferta ao trono. Ele foi um dos chefes da Rebelião de An Lushan, levante de generais que sacudiu o império entre 755 e 763.

No Brasil, a Lei nº 3.924/1961 manda comunicar na hora ao órgão federal de patrimônio qualquer achado de interesse arqueológico
No Brasil, a Lei nº 3.924/1961 manda comunicar na hora ao órgão federal de patrimônio qualquer achado de interesse arqueológico – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por isso, estudiosos chineses relacionam o esconderijo à confusão da guerra, quando autoridades tentavam proteger suas riquezas dos saques. O costume de gravar o nome de quem oferecia, como fez Zhang Tongru, aparece também no lingote de Yang Guozhong.

O que o achado de Shanxi ensina sobre tesouros enterrados?

O ouro da dinastia Tang achado em Shanxi mostra que muita história segue debaixo da terra, e que o destino dela depende de quem encontra. A entrega das 193 peças permitiu ler as inscrições e reconstruir um pedaço da Rebelião de An Lushan.

No Brasil, a regra vai na mesma direção. O artigo 18 da Lei nº 3.924/1961 manda comunicar na hora qualquer achado fortuito de interesse arqueológico, histórico ou numismático ao órgão federal de patrimônio. Pelo artigo 19 da mesma lei, quem descumpre pode ter o achado apreendido e responder pelos danos. Então, se a enxada bater em algo antigo no quintal, no sítio ou na obra, avise as autoridades. Depois, venha contar essa história pra gente aqui na Tupi.

Quem gosta de lugares onde a história ficou preservada tem outra parada aqui no Brasil. Em Sergipe, uma praça de São Cristóvão chama atenção pela singularidade.