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Os psicólogos concordam: quem usa o copo de requeijão como copo da casa não está só economizando, mas mantendo um hábito que liga o cotidiano às lembranças de infância
Estudos sobre hábito e nostalgia ajudam a explicar por que o velho pote de vidro segue no armário de tantas famílias do Rio e da Baixada
Na casa de muita família carioca, o copo de requeijão nunca foi para o lixo. Lavado e sem rótulo, ele virou o copo da água gelada, do suco e do refrigerante de domingo. O costume tem explicação econômica, mas a psicologia do hábito e os estudos sobre memória afetiva mostram que ele também guarda pedaços da infância.
Por que o copo de requeijão virou parte da rotina da casa?
O copo de requeijão entrou na rotina porque resolvia duas coisas de uma vez. O vidro era resistente, e a família não precisava gastar com copo novo. Assim, o pote saía do mercado com a segunda vida garantida na cozinha.
Esse gesto doméstico conversa com a lei. O artigo 9º da Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, coloca a reutilização à frente da reciclagem na ordem de prioridades. Na prática, o reaproveitamento de embalagens feito na pia de casa é exatamente o tipo de atitude que a norma quer estimular.
O que a psicologia do hábito explica sobre esse gesto diário?
A psicologia do hábito explica que o gesto se repete porque o ambiente puxa a ação quase sozinho. No perfil da psicóloga Wendy Wood na Universidade do Sul da Califórnia, os hábitos aparecem como atalhos mentais, aprendidos com a experiência, que indicam o que fazer em cada contexto.

Uma revisão publicada em 2016 no periódico Annual Review of Psychology reforça a ideia: hábitos se formam quando a pessoa repete a mesma ação no mesmo ambiente. Quem cresceu vendo a mãe ou a avó servir o suco no copo de requeijão aprendeu o gesto cedo. Já adulto, abre o armário e pega o mesmo copo sem pensar.
Isso não quer dizer que todo hábito seja um problema. A pesquisadora lembra que a maioria desses atalhos é útil e só atrapalha quando o mundo muda. No caso do copo, pouca coisa mudou: ele continua servindo bem à mesa.
Como a memória afetiva da infância se prende a objetos simples?
A memória afetiva se prende a objetos simples porque eles ligam o presente a pessoas e momentos queridos. Em seis experimentos publicados no periódico Emotion, pesquisadores liderados por Constantine Sedikides mostraram que a nostalgia reforça a continuidade entre quem a pessoa foi e quem ela é hoje.
Segundo o estudo, esse caminho passa pelo sentimento de pertencimento. A lembrança aumenta a sensação de conexão com os outros, e essa continuidade aparece ligada a mais vitalidade, a sensação de estar vivo e com energia. Um copo de desenho desbotado, usado desde a infância, pode funcionar como essa ponte com a família.
Se essas lembranças de criança também batem forte aí, tem outra memória dos tempos de infância que muita gente vai reconhecer.
Se você lembra disso, viveu uma infância bem diferente brincando na chuva sem medo➔
O copo de requeijão ainda tem lugar na mesa das famílias?
Tem, e por mais de um motivo. O velho pote de vidro junta economia, cuidado com o lixo e um costume que atravessa gerações, da Zona Norte à Baixada Fluminense. A ciência do comportamento ajuda a entender por que ele resiste mesmo quando dá para comprar um jogo de copos.
Quem quiser manter a tradição só precisa de um cuidado básico: lavar bem o vidro e aposentar o copo trincado ou lascado. E aí, qual é o copo de requeijão que mora no seu armário? Puxa essa lembrança da infância e conta para a gente.
Quais dúvidas aparecem sobre o reaproveitamento desses copos?
Algumas perguntas se repetem quando o assunto é guardar pote de vidro em casa. As respostas abaixo ajudam a separar o costume, a lei e o cuidado prático.
O reaproveitamento de embalagens está previsto em lei?
Sim. A Política Nacional de Resíduos Sólidos coloca a reutilização antes da reciclagem na ordem de prioridade de gestão dos resíduos.
Sentir nostalgia faz bem?
Pesquisas publicadas no periódico Emotion associam a nostalgia a mais pertencimento e vitalidade. Se a saudade vira sofrimento ou impede de viver o presente, procure um psicólogo.
Por que é tão difícil largar esse costume?
Segundo a psicologia do hábito, o próprio ambiente dispara a ação de forma automática, sem exigir uma decisão a cada vez.
E já que a conversa é sobre infância, tem uma brincadeira antiga que reunia a rua inteira e vai trazer mais lembrança boa.
Brincadeiras como pular corda em grupo reuniam todos e viravam momentos inesquecíveis➔