Mundo
Após 181 anos, análise de DNA identifica marinheiro desaparecido na expedição de Franklin e ajuda a esclarecer o que aconteceu com a tripulação perdida no Ártico
Análise genética confirma identidade de marinheiro do navio HMS Terror
A identificação de restos mortais encontrados no congelado território canadense representa um marco histórico para a ciência contemporânea. Pesquisadores conseguiram associar o esqueleto resgatado aos registros genealógicos da trágica expedição britânica liderada pelo famoso explorador John Franklin.
Como o DNA identificou o marinheiro da expedição de Franklin?
Os restos mortais foram localizados na remota Ilha King William durante missões de busca na região polar. Durante décadas, especialistas debateram a verdadeira origem desse corpo, tentando entender o destino dos tripulantes que tentaram sobreviver à extrema trajetória congelada.
O avanço do mapeamento genético permitiu comparar amostras do tecido ósseo antigo com voluntários atuais. Essa análise detalhada confirmou a ligação com marinheiros do embarcação HMS Terror, solucionando um dos mistérios mais duradouros da navegação mundial.
Quem foi Harry Peglar e qual seu papel no HMS Terror?
Nascido na Inglaterra, o oficial exercia a função de capitão do cesto da gávea a bordo do navio. Registros navais indicavam uma carreira movimentada, repleta de experiências em águas internacionais antes de integrar a importante frota marítima britânica.
Sua atuação na embarcação exigia grande habilidade física para lidar com as severas condições polares. A presença de seus pertences pessoais junto aos restos mortais reforçou sua relevante participação na malfadada expedição em direção ao continente gelado norte.

Quais exames genéticos confirmaram a identidade dos restos mortais?
A equipe de arqueologia forense utilizou avançadas técnicas laboratoriais para extrair o material genético preservado nas amostras. O foco do estudo baseou-se na análise do DNA mitocondrial, transmitido ao longo das gerações por linhagem materna direta e contínua.
Evidências Genéticas
Conexão Familiar Ininterrupta
Os cientistas extraíram sequências de DNA dos ossos e dentes encontrados na Ilha King William para comparação laboratorial detalhada.
A confirmação ocorreu ao cruzar o perfil genético com amostras fornecidas por descendentes diretos da linhagem materna da família Peglar.
Ao comparar o sequenciamento obtido com os dados coletados de descendentes vivos, a correspondência apresentou precisão absoluta. A confirmação científica encerra um longo período de incertezas e valida a eficiência dos métodos modernos da pesquisa arqueológica atual.
Os principais fatores que viabilizaram essa identificação genético-forense foram os seguintes:
- Preservação do material ósseo devido ao frio extremo da Ilha King William.
- Localização de descendentes vivos com linhagem materna comprovada e ininterrupta.
- Aplicação de tecnologia avançada de sequenciamento de DNA mitocondrial.
Leia também: Navio fantasma perdido no Ártico por 160 anos revela pista decisiva sobre tragédia polar
Por que os papéis de Peglar intrigaram pesquisadores por tanto tempo?
Em mil oitocentos e cinquenta e nove, expedicionários encontraram documentos junto ao esqueleto, conhecidos historicamente como os papéis de Peglar. No entanto, incongruências nas vestimentas levaram especialistas a questionar se os restos pertenciam realmente ao marinheiro ou a outro membro.
Hipóteses anteriores sugeriam que os pertences poderiam ter sido carregados por um comissário de bordo durante a evacuação. A verificação por DNA descartou essa possibilidade e confirmou que os documentos pertenciam de fato ao seu proprietário original britânico.
A coleção de documentos encontrados no local continha os seguintes itens históricos:
- Certificado oficial de navegação pertencente ao próprio Harry Peglar.
- Transcrição feita à mão do poema marítimo intitulado The Sea.
- Anotações pessoais e diários contendo memórias sobre viagens passadas.
O que a descoberta revela sobre os momentos finais no Ártico?
A confirmação da identidade lança nova luz sobre as duras condições enfrentadas pelos tripulantes que abandonaram os navios presos no gelo. A marcha desesperada pela sobrevivência envolveu homens de diferentes patentes que tentaram caminhar rumo ao sul em busca de resgate.
Com este avanço da arqueologia forense, mais nomes da trágica expedição de Franklin deixam o anonimato histórico. Cada nova identificação genética aproxima os cientistas de compreender totalmente a sequência final de eventos vivida por essa corajosa tripulação perdida na amplidão.