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Paulo Freire, educador brasileiro, sobre o aprendizado: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” Uma reflexão sobre o respeito que existe em aprender com o outro
Paulo Freire sobre aprender com o outro mostra como diálogo, respeito e experiência podem transformar o conhecimento
Paulo Freire, educador brasileiro, propôs uma compreensão do aprendizado em que diálogo, experiência e realidade participam da construção do conhecimento. Na convivência, essa reflexão convida a observar como recebemos as dúvidas e os saberes de outras pessoas. Uma conversa pode abrir espaço para compreender algo novo, desde que ninguém seja tratado como incapaz de contribuir antes mesmo de começar a falar.
O que Paulo Freire quis dizer sobre aprender entre pessoas?
A passagem aparece em “Pedagogia do oprimido“, no contexto da educação problematizadora. Freire discute uma relação em que educador e educandos participam do conhecimento, tomando a realidade como objeto de reflexão. O ensinamento está sintetizado na formulação:
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”
Essa perspectiva valoriza a participação de quem aprende e a disposição de quem ensina para também compreender outras experiências. Como aplicação cotidiana, imagine um professor que pergunta como os alunos chegaram a uma resposta. Além de verificar o resultado, ele encontra pistas sobre o raciocínio da turma e pode orientar a explicação a partir delas.
Paulo Freire desenvolveu parte importante de suas ideias a partir de experiências com educação e alfabetização de adultos. Seu trabalho valorizava palavras, situações e problemas ligados à realidade dos próprios participantes como ponto de partida para o aprendizado e o diálogo.
Como o respeito aparece em uma conversa de aprendizado?
Respeitar quem aprende envolve levar suas perguntas a sério. Uma dúvida pode revelar uma informação que faltou, uma explicação pouco clara ou uma experiência diferente daquela considerada por quem ensina. Em uma situação de estudo ou orientação, algumas atitudes ajudam a abrir espaço para essa participação:
- Ouvir a pergunta inteira antes de concluir que a pessoa não prestou atenção;
- Explicar um termo desconhecido sem ridicularizar a dúvida;
- Perguntar o que ela já sabe sobre o assunto;
- Permitir que apresente exemplos de sua própria experiência;
- Examinar um erro para compreender o raciocínio que levou até ele;
- Reconhecer quando uma contribuição exige rever a explicação inicial.

O que significa aprender com a realidade ao redor?
A expressão “mediatizados pelo mundo” coloca a realidade no centro da reflexão compartilhada. Os participantes se encontram diante de questões que podem investigar e compreender. Para aproximar essa ideia do cotidiano, pense em uma turma discutindo o consumo de água: contas, hábitos domésticos e condições de abastecimento oferecem material para perguntas e análise.
Um estudante pode conhecer uma situação de falta d’água que os demais nunca vivenciaram. Outro pode trazer uma dúvida sobre a leitura do hidrômetro. O professor organiza o estudo e apresenta conhecimentos para aprofundá-lo. As experiências ajudam a formular questões, enquanto a investigação permite examinar as respostas. O aprendizado ganha uma ligação concreta com o problema discutido.

Como aprender com alguém que tem uma trajetória diferente?
A reflexão de Paulo Freire também pode inspirar encontros fora da escola. No trabalho, na família ou na comunidade, pessoas com formações diferentes podem colaborar diante de uma tarefa. Para que essa troca aconteça, é útil reconhecer o conhecimento específico de cada uma e manter espaço para esclarecer dúvidas:
- Pedir que a pessoa explique como realiza uma atividade que você desconhece;
- Compartilhar uma informação indicando seus motivos e suas fontes;
- Conferir se ambos estão usando uma palavra com o mesmo significado;
- Comparar caminhos diferentes para resolver um problema;
- Admitir quando precisa pesquisar antes de responder;
- Dar crédito a quem apresentou uma ideia ou ensinou uma habilidade.
Ensinar e aprender exigem participação na conversa
O pensamento de Paulo Freire permite refletir sobre a responsabilidade de criar condições para a compreensão. Quem orienta pode oferecer uma explicação e verificar como ela foi recebida. Quem aprende pode perguntar, experimentar e apresentar dificuldades. Em uma oficina, por exemplo, observar alguém executar uma etapa ajuda a perceber o que uma demonstração inicial ainda não esclareceu.
Aprender com o outro exige abertura para encontrar algo que ainda não sabemos. Essa disposição aparece quando um profissional escuta uma sugestão, um adulto reconhece uma habilidade de uma criança ou um estudante questiona uma resposta com argumentos. O respeito se torna observável na atenção dedicada à contribuição e no trabalho de compreender, verificar e desenvolver o conhecimento compartilhado.