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Uma cidade mineira tem nome inspirado em outro município e um centro histórico que revela marcas de séculos passados

O município mineiro cujo nome veio de outra cidade.

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O nome Ouro Branco faz referência à coloração mais clara do ouro encontrado na região. / Imagem ilustrativa

A aproximadamente 100 km de Belo Horizonte, Ouro Branco, em Minas Gerais, nasceu da descoberta de ouro esbranquiçado pelo bandeirante Miguel Garcia, no final do século XVII. Séculos depois, o município preserva um marco geográfico de grande importância para o estado: o ponto onde começa, ao sul, a Serra do Espinhaço.

A serra que assustava os viajantes da Estrada Real

No século XVIII, cruzar a Serra de Ouro Branco era uma experiência arriscada. O caminho tinha precipícios e era conhecido pelos relatos de assaltos, condições que renderam ao trecho o apelido de “Serra do Deus-te-livre”, registrado em antigos mapas coloniais.

A paisagem que antes provocava medo nos viajantes acabou se tornando um dos principais cartões-postais da região. Formada por paredões de quartzito, a Serra de Ouro Branco é reconhecida atualmente como o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço, formação montanhosa que percorre mais de mil quilômetros entre Minas Gerais e Bahia.

Ouro Branco impulsiona ecoturismo em 2025 com trilhas renovadas na Serra e Festival de Inverno. Destaque na região metalúrgica de MG em crescimento! // Créditos: Wikipédia

De onde veio o nome Ouro Branco?

O nome Ouro Branco faz referência à coloração mais clara do ouro encontrado na região, diferente daquele extraído em Ouro Preto, sua vizinha histórica mais conhecida. A descoberta foi registrada ainda no século XVII pelo bandeirante Miguel Garcia, integrante da expedição de Borba Gato, e marcou o início da ocupação do território.

À medida que a exploração avançou, o minério de menor pureza também contribuiu para atrair moradores e impulsionar o povoamento, além de favorecer a construção de capelas e de um conjunto arquitetônico que resistiu à passagem do tempo. No centro histórico, parte da Rua Santo Antônio ainda acompanha o traçado original da Estrada Real, preservando a ligação de Ouro Branco com seu passado colonial.

O que conhecer no Parque Estadual Serra do Ouro Branco?

Com 7.520 hectares distribuídos entre Ouro Branco e Ouro Preto, a unidade de conservação é administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e tem entrada gratuita. A visitação ocorre todos os dias, das 8h às 18h.

  • Poção do Córrego do Veríssimo: piscina natural localizada no Circuito das Aves, uma das trilhas mais procuradas pelos visitantes.
  • Cachoeira dos Jesuítas: queda-d’água cercada pela Mata Atlântica e por vestígios de antigas minas do período do ciclo do ouro.
  • Mirante do Morro do Gabriel: oferece uma vista panorâmica do vale e é um dos pontos altos da travessia tradicional da serra.
  • Travessia Topo da Serra até Itatiaia: percurso por campos rupestres que conserva vestígios do antigo caminho da Estrada Real.
  • Mirante Lago Soledade: proporciona uma vista do manancial responsável pelo abastecimento de Ouro Branco e de um dos cenários mais fotografados do município.
Ouro Branco fascina com serras verdes e casarões coloniais: viva a herança inconfidente que inspira fé, natureza e tranquilidade na Estrada Real mágica! // Créditos: Wikipédia

A bromélia que só existe em Ouro Branco

Entre os paredões de quartzito da serra cresce uma espécie encontrada em nenhum outro lugar do planeta. A Dyckia ourobrancoensis é uma bromélia endêmica de Ouro Branco, que se desenvolve exclusivamente entre 1.100 e 1.500 metros de altitude, presa às formações rochosas da região.

A presença dessa planta faz parte de um ecossistema de campos rupestres com elevado índice de espécies endêmicas ao longo da cadeia do Espinhaço. Devido à importância ambiental e científica desse patrimônio natural, a área dos paredões recebeu tombamento do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA).

Quais igrejas e casarões preservam a história de Ouro Branco?

O centro histórico de Ouro Branco mantém características dos antigos arraiais mineiros do século XVIII, com construções que remetem ao período do ciclo do ouro. Um dos principais símbolos desse conjunto é a Matriz de Santo Antônio, erguida entre 1717 e 1779. O templo conserva um forro pintado por Mestre Ataíde e uma fachada associada à influência de Aleijadinho.

Outra construção de interesse é a chamada Casa de Tiradentes, situada às margens da antiga Estrada Real, onde existem registros de possíveis encontros relacionados aos inconfidentes mineiros. No distrito de Itatiaia, a Igreja de Santo Antônio, tombada pelo IPHAN, também merece atenção por estar entre os edifícios religiosos mais antigos de Minas Gerais.

Ouro Branco, MG, revela Serra do Ouro Branco com cachoeiras e trilhas, Igreja Matriz Santo Antônio e Casa de Tiradentes no coração histórico da Estrada Real mineira. // Créditos: Wikipédia

Como chegar a Ouro Branco saindo de Belo Horizonte?

A cidade fica a cerca de 100 km da capital mineira pela BR-040, seguindo depois pela MG-443, segundo o Instituto Estrada Real. O trajeto leva pouco mais de uma hora e meia de carro, e o acesso ao parque estadual é feito pela MG-129, a antiga Estrada Real

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Uma parada que combina com o Circuito do Ouro

Ouro Branco tem o raro talento de reunir barroco, natureza rupestre e história da Inconfidência num único final de semana. A cidade costuma ser visitada junto com Congonhas, Ouro Preto e Mariana, no roteiro Entre Cenários da História do Turismo de Minas Gerais.

Você precisa conhecer Ouro Branco e entender por que os viajantes do século 18 temiam essa serra que hoje encanta quem chega pelas mesmas curvas da Estrada Real.