Rio
Família Poncio: dossiê revela débitos de R$ 2,9 bilhões e bens de luxo
Levantamento detalha cobranças fiscais históricas da família Poncio e aponta patrimônio milionário em meio a nova operação da Polícia Federal
Um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade revelou que a família Poncio e empresas associadas acumulam R$ 2.929.182.175,11 em débitos tributários com a União. O cálculo exclui duplicidades decorrentes de responsabilização solidária.
Em paralelo, a Polícia Federal cumpriu mandados judiciais de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A reportagem procurou a defesa dos citados e aguarda resposta.
A cobrança bilionária reúne pendências iniciadas nos anos 2000, com avanço expressivo a partir de 2011. A lista engloba tributos federais como IPI, IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, além de dívidas de FGTS, juros moratórios e multas pecuniárias.
Empresas e pessoas vinculadas
Entre os citados estão as empresas Clean Indústria, Gudang Brasil, New Ficet, Win Distribuidora e M1 Distribuidora de Cigarros, além da produtora UM44K. Também aparecem Simone e Sarah Poncio, respectivamente esposa e filha de Márcio Poncio.
Investigadores identificaram 292 certidões ligadas a 84 pessoas e empresas em cartórios de quatro cidades. Os imóveis somam R$ 49,2 milhões, sendo 13 com restrições judiciais.
Entre 2018 e 2023, empresas citadas compraram 16 imóveis por R$ 44,2 milhões. Entre as aquisições estão uma propriedade em Mangaratiba, por R$ 9 milhões, e um apartamento na Avenida Lúcio Costa, por R$ 22 milhões. Em 2025, Sarah Poncio comprou uma sala comercial por R$ 723,8 mil.
O governo do Rio também cobra R$ 13 milhões em ICMS em cinco ações judiciais. Três imóveis no Recife foram indicados para bloqueio.
Investigação e prejuízo aos cofres públicos
Na nona fase da operação, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados na Barra da Tijuca. A investigação apura a suspeita de uso de terceiros para ocultar bens, como veículos de luxo, aeronaves e imóveis. A análise do celular de Márcio Poncio também revelou novas propriedades e movimentações financeiras.
Segundo dados da Ipsos Ipec, cigarros ilegais representaram 31% do consumo nacional em 2025, com prejuízo estimado de R$ 8,5 bilhões aos cofres públicos naquele ano. Em 12 anos, as perdas chegam a R$ 110 bilhões.