Especialistas em psicologia concordam: quem oferece o lugar no ônibus a alguém visivelmente cansado, mesmo sem ser idoso ou gestante, demonstra uma empatia que vai além das regras - Super Rádio Tupi
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Especialistas em psicologia concordam: quem oferece o lugar no ônibus a alguém visivelmente cansado, mesmo sem ser idoso ou gestante, demonstra uma empatia que vai além das regras

Estudos sobre empatia mostram que perceber o cansaço alheio move a ajuda, enquanto a lei reserva o assento preferencial apenas a grupos específicos

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Oferecer o lugar a alguém exausto pode expressar empatia além das regras do assento preferencial
Oferecer o lugar a alguém exausto pode expressar empatia além das regras do assento preferencial - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Dar o lugar no ônibus a quem entra exausto depois do trabalho é um gesto que a psicologia ajuda a explicar. Isso vale mesmo quando a pessoa não tem direito ao assento preferencial. Pesquisas sobre empatia mostram que muitas atitudes de ajuda começam quando alguém percebe o sofrimento do outro e quer o bem dele. No transporte público lotado do Rio, essa atitude muda a viagem de alguém.

O que a ciência diz sobre empatia e ajudar desconhecidos?

A ciência trata a empatia como uma das forças que levam as pessoas a ajudar, mas não como a única. Uma revisão publicada no periódico Philosophical Transactions of the Royal Society B define empatia como a capacidade de perceber o estado emocional de outra pessoa e reagir a ele. Segundo os autores, entre eles o pesquisador Jean Decety, o comportamento pró-social surge quando essa sensibilidade vem junto com a vontade de cuidar do bem-estar de quem sofre.

Os mesmos pesquisadores fazem uma ressalva importante: nem todo comportamento pró-social nasce da empatia. Dividir algo ou cooperar também pode acontecer por hábito, por educação ou porque a pessoa espera ser retribuída depois. Por isso, a psicologia social evita tratar cada gentileza como prova automática de bom caráter.

Quem tem direito ao assento preferencial no ônibus pela lei?

A lei federal reserva o assento preferencial a grupos específicos, e o cansaço do dia a dia não está entre eles. O artigo 3º da Lei nº 10.048/2000 obriga as empresas públicas de transporte e as concessionárias de transporte coletivo a manter esses assentos identificados.

Perceber o sofrimento e querer o bem do outro podem motivar a ajuda, mas nem toda gentileza nasce da empatia
Perceber o sofrimento e querer o bem do outro podem motivar a ajuda, mas nem toda gentileza nasce da empatia – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A redação atual da norma foi alterada em 2023 e ampliou a lista de passageiros atendidos. Hoje, os bancos reservados valem para estes grupos:

  • pessoas com deficiência e pessoas com transtorno do espectro autista;
  • pessoas idosas, com 60 anos ou mais;
  • gestantes e lactantes;
  • pessoas com criança de colo;
  • pessoas com mobilidade reduzida.

Quem está só esgotado, com dor nas costas depois de um plantão ou carregando sacolas pesadas, não entra automaticamente nessa lista. É nesse ponto que a empatia aparece: ceder o banco deixa de ser obrigação e passa a ser escolha.

Do outro lado, muita gente prefere seguir de pé a admitir que está no limite. A psicologia também tem explicação para essa dificuldade de aceitar ajuda.

Por que notar o cansaço do outro faz diferença na viagem?

Notar o cansaço do outro faz diferença porque, para ajudar, primeiro é preciso perceber que alguém precisa de ajuda. Uma revisão publicada no periódico Frontiers in Behavioral Neuroscience reúne experimentos em que ratos só libertavam um colega preso quando percebiam o sofrimento dele. Para os autores, essa percepção é condição necessária para a ajuda acontecer.

Ofereça o lugar com discrição e deixe a pessoa decidir se quer aceitar
Ofereça o lugar com discrição e deixe a pessoa decidir se quer aceitar – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O mesmo trabalho propõe um modelo em camadas. No centro estão a empatia e o contágio emocional, e nas camadas de fora ficam as normas sociais e as metas de longo prazo. A regra do assento reservado é uma dessas normas e garante o mínimo de proteção a quem mais precisa.

Já o comportamento pró-social movido pela empatia vai além da placa no banco. É ele que faz alguém reparar na vendedora que passou o dia em pé ou no estudante que encara duas conduções até a Baixada.

Como levar essa gentileza para o dia a dia no transporte?

Para levar essa gentileza para o dia a dia, basta prestar atenção em quem está por perto durante a viagem. No trem, no BRT ou no ônibus lotado, um olhar atento já mostra quem está no limite. Oferecer o lugar com discrição, sem constranger ninguém, deixa a decisão nas mãos de quem recebe.

Respeitar o assento preferencial é dever previsto em lei. Ceder o próprio banco a alguém exausto é escolha pessoal, e a psicologia social mostra que atitudes assim fortalecem a convivência no transporte público. Que tal, na próxima viagem, tirar os olhos do celular por um instante e reparar em quem está do seu lado?

Se você gosta de entender o que está por trás dos pequenos hábitos do cotidiano, há outra leitura no site. Ela fala de um costume bem comum diante da televisão.