Entretenimento
F. Scott Fitzgerald, escritor americano, em carta à filha de 11 anos: “Coisas com que se preocupar: com a coragem, com a limpeza, com a eficiência. Coisas com que não se preocupar: com a opinião pública, com bonecas, com o passado, com o futuro.” Uma reflexão sobre o que realmente vale ensinar aos filhos
Escrita em agosto de 1933 para Scottie, que estava num acampamento de verão, a lista mistura valores, humor e conselhos que seguem atuais para os pais
Em agosto de 1933, o escritor americano F. Scott Fitzgerald, autor de O Grande Gatsby, escreveu uma carta para a filha Scottie, então com 11 anos, que passava o verão num acampamento. No fim do texto, ele deixou listas curtas sobre o que merece atenção na vida. Quase um século depois, o recado segue como referência para quem pensa em educação de filhos.
O que Fitzgerald escreveu para Scottie na carta de 1933?
A carta, datada de 8 de agosto de 1933, termina com três listas: com o que se preocupar, com o que não se preocupar e em que pensar. O texto está na coletânea F. Scott Fitzgerald: A Life in Letters, organizada e anotada pelo pesquisador Matthew J. Bruccoli e publicada pela editora Scribner.
Na primeira lista estão a coragem, a limpeza e a eficiência, os três itens mais lembrados até hoje. O pai incluiu ainda a equitação, sinal de que o tom misturava valores para a vida inteira e assuntos do dia a dia da menina.
As outras duas listas são menos conhecidas e ajudam a entender o recado completo. O resumo abaixo reúne o que o escritor pediu à filha para deixar de lado e para pensar com calma.
Não se preocupe com a vida: opinião pública, passado, futuro, crescer, alguém passar à sua frente, triunfo e fracasso que não seja culpa sua.
Não se preocupe com o cotidiano: bonecas, insetos, pais, meninos, decepções, prazeres e satisfações.
Pense: no que você realmente busca, em como vai nos estudos, se entende as pessoas e se cuida do próprio corpo.
Fonte: F. Scott Fitzgerald: A Life in Letters (Scribner), organização de Matthew J. Bruccoli.
Por que a coragem abre a lista de preocupações do escritor?
A coragem vem primeiro porque é a base para todo o resto. A ordem da lista indica que Fitzgerald valorizava a atitude diante da vida mais do que notas, prêmios ou aplausos.
Limpeza e eficiência completam o trio com algo bem prático: cuidar de si e fazer bem feito o que precisa ser feito. São hábitos que qualquer criança treina no cotidiano, sem depender de talento ou sorte.
Scottie, batizada como Frances Scott Fitzgerald, nasceu em 1921 e foi a única filha do escritor com Zelda. Segundo o Alabama Women’s Hall of Fame, ela seguiu carreira no jornalismo, com passagens pelas revistas Time e The New Yorker.
A herança que um pai deixa para os filhos também inspirou outra reflexão aqui no site. Desta vez, a frase vem de um escritor português.
Por que a carta manda ignorar a opinião pública e o futuro?
A carta tira da lista de angústias tudo aquilo que a menina não controla. Opinião pública, passado e futuro aparecem lado a lado, como pesos que só atrapalham quem ainda está aprendendo a viver.
O detalhe mais fino está no fracasso: ele só merece preocupação quando acontece por culpa da própria pessoa. Na era das curtidas e da comparação constante, ignorar a opinião pública soa ainda mais atual para crianças e adolescentes.
Isso não significa uma vida sem regras. A mesma carta pede que a filha pense nos estudos, na convivência com as pessoas e no cuidado com o corpo. Ou seja, menos aprovação alheia e mais responsabilidade.
O que a carta de Fitzgerald ensina sobre educação de filhos hoje?
A lição mais útil para a educação de filhos é escolher poucos valores e repeti-los com clareza. Fitzgerald não escreveu um manual: fez uma lista curta, com humor, que uma menina de 11 anos conseguia entender.
Scottie também ajudou a preservar a memória do pai. Em 1950, ela doou os papéis do escritor à Biblioteca da Universidade de Princeton, como registra o guia do acervo F. Scott Fitzgerald Papers.
Que tal adaptar essa ideia para a sua casa? Sente com seus filhos, escrevam juntos o que merece ou não a preocupação da família e prendam a lista na geladeira. Pode ser o começo de uma ótima conversa.
Cartas de escritores famosos rendem boas reflexões sobre a vida. Outra delas, de Franz Kafka, fala sobre o poder da leitura.