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Ariano Suassuna, escritor brasileiro, sobre a vida: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” Uma reflexão sobre enxergar os problemas de frente sem desistir de mudá-los
Uma reflexão de Ariano Suassuna mostra por que ter esperança não significa ignorar os problemas.
Tem gente que diz que tudo vai dar certo sem olhar para os problemas. Tem gente que diz que nada vai dar certo e desiste antes de tentar. Ariano Suassuna, o autor do Auto da Compadecida, recusava as duas posições. Ele se definia como um realista esperançoso: alguém que enxerga a dureza da vida inteira, sem filtro, e mesmo assim continua acreditando que dá para mudar alguma coisa.
Por que nem o otimista nem o pessimista convencem?
Porque os dois fogem da realidade, cada um para um lado. O otimista ingênuo tapa os olhos para o problema e espera que ele se resolva sozinho. O pessimista enxerga o problema, mas decide antes da hora que não há saída, e para de tentar.
No fim, os dois chegam ao mesmo lugar: nenhum dos dois age. Um porque acha que não precisa, o outro porque acha que não adianta. Foi essa armadilha que Suassuna resumiu com humor.

O que é ser um realista esperançoso?
É juntar duas coisas que parecem opostas: lucidez e esperança. Veja como as três posturas reagem diante do mesmo problema:
| Postura | Diante do problema | Resultado |
|---|---|---|
| Otimista ingênuo “Vai dar tudo certo” | Ignora o tamanho da dificuldade e espera. | É pego de surpresa |
| Pessimista “Não tem jeito” | Vê o problema e desiste antes de tentar. | Paralisa |
| Realista esperançoso “É difícil, mas dá para agir” | Mede o problema por inteiro e procura um caminho possível. | Age |
A frase é mesmo de Suassuna?
A ideia é dele, sem dúvida. Em entrevistas e nas famosas aulas-espetáculo, Suassuna dizia que não era otimista nem pessimista e se apresentava como “realista esperançoso”. Em uma das versões registradas, ele explica que o otimista é ingênuo e o pessimista, amargo. A forma com “tolo” e “chato” é a variante que mais circula, com as mesmas três figuras e o mesmo sentido.
A expressão ficou tão ligada a ele que deu nome a um livro: Lições de Realismo Esperançoso, organizado por Carlos Newton Júnior, que reúne falas do escritor em entrevistas e aulas. Algumas dessas frases aparecem na seleção de frases de Ariano Suassuna publicada pelo Diário do Grande ABC.
Como essa ideia aparece na obra dele?
O Auto da Compadecida é talvez o melhor retrato desse jeito de ver o mundo. A peça mostra a seca, a fome e a desigualdade do sertão sem disfarce, mas ri delas e aposta na esperteza, na fé e na solidariedade de gente simples para atravessar tudo isso. É realidade dura contada com esperança e humor.
Esses traços aparecem com frequência na obra e na fala de Suassuna:
Como ser um realista esperançoso no dia a dia?
Não é um traço de nascença, é uma escolha que se repete. Algumas atitudes ajudam:
- Olhar o problema de frente, com números e fatos, em vez de fingir que não existe.
- Separar o que está e o que não está ao seu alcance mudar.
- Escolher um passo pequeno e possível, em vez de esperar a solução perfeita.
- Guardar espaço para o humor, mesmo nos dias pesados.
Então aquela escolha do começo, entre achar que tudo vai dar certo ou que nada tem jeito, ganha uma terceira opção. Suassuna, que morreu em 2014, deixou uma lição simples e exigente: enxergar a vida como ela é e, mesmo assim, não desistir dela.