Frase de Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Uma reflexão sobre por que ninguém para de aprender quando passa a ensinar - Super Rádio Tupi
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Frase de Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Uma reflexão sobre por que ninguém para de aprender quando passa a ensinar

Verso do poema Exaltação de Aninha, do livro Vintém de cobre, mostra como a poeta goiana via o ofício de ensinar como uma troca que não termina

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Para Cora Coralina, compartilhar o saber também é uma oportunidade de aprender
Para Cora Coralina, compartilhar o saber também é uma oportunidade de aprender - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Um verso curto de Cora Coralina, um dos nomes mais queridos da poesia brasileira, virou lema de sala de aula: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” A frase está no poema “Exaltação de Aninha (O professor)”, do livro Vintém de cobre. Ela resume algo que todo professor conhece bem: quem ensina não fecha o caderno e continua estudando a cada turma.

De onde vem o verso de Cora Coralina sobre o professor?

O verso vem de “Exaltação de Aninha (O professor)”, poema reunido em Vintém de cobre: meias confissões de Aninha. O livro saiu pela primeira vez em 1983 e hoje está na 11ª edição, como informa a página oficial do livro no Grupo Editorial Global.

A editora descreve os textos como poemas sobre a experiência humana, em tom simples e comunicativo. O subtítulo “meias confissões” avisa que se trata de memória contada em verso. O título é irônico: a moeda antiga de pouco valor dá nome a poemas que a própria editora trata como ouro puro.

Por que quem ensina continua aprendendo, segundo a poeta?

Para a escritora goiana, ensinar é troca, não entrega de mão única. O verso junta dois movimentos na mesma frase: passar adiante o que se sabe e aprender com aquilo que se ensina.

Preparar uma aula leva o professor a revisar conteúdos e descobrir lacunas no próprio conhecimento
Preparar uma aula leva o professor a revisar conteúdos e descobrir lacunas no próprio conhecimento – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na educação, isso acontece todo dia. Ao preparar uma aula, o professor revisa o conteúdo, procura exemplos novos e descobre lacunas que nem sabia ter. Na hora de explicar, as perguntas dos alunos obrigam a ver o assunto por outro ângulo.

A lógica vale fora da escola também. Do professor da rede pública na Baixada ao avô que ensina o neto a soltar pipa, quem compartilha um saber acaba revendo o próprio caminho. A poesia brasileira de Aninha transforma essa experiência comum numa frase só.

A trajetória da poeta, que estreou em livro já na terceira idade, rende outra lição sobre recomeço. A Super Rádio Tupi contou essa história em detalhes.

Como a vida de doceira em Goiás marcou o Vintém de cobre?

O trabalho na cozinha atravessa a obra. Segundo a biografia da autora no Grupo Editorial Global, Ana Lins dos Guimarães Peixoto nasceu em 1889 na cidade de Goiás. Já viúva, voltou à terra natal para fazer doces e escreveu boa parte dos versos entre um tacho e outro.

Cora Coralina escreveu boa parte de seus versos entre as tarefas de doceira em Goiás
Cora Coralina escreveu boa parte de seus versos entre as tarefas de doceira em Goiás – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A estreia em livro veio tarde. A Universidade Estadual de Goiás registra que Poemas dos becos de Goiás saiu em 1965, pela José Olympio. Carlos Drummond de Andrade ajudou a levar a obra ao país, e em 1983 ela recebeu o Troféu Juca Pato, a primeira mulher premiada. Cora Coralina morreu em 1985.

A editora da autora mantém leituras dos poemas no canal oficial. No vídeo abaixo, André de Leones lê o poema “Vintém de cobre”, de Cora Coralina.

O que a lição de Aninha ensina a professores e alunos hoje?

A lição é direta: ensinar bem exige continuar aprendendo. O verso lembra que a educação funciona nos dois sentidos, e que o aluno também ensina quem está na frente da turma.

Isso serve para quem dá aula, para quem treina um colega novo no trabalho e para quem passa adiante a receita da família. Que tal ensinar algo a alguém esta semana e reparar no que você aprende de volta? E, se puder, abra um livro da poeta e leia Aninha sem pressa.

Outros grandes nomes da literatura também deixaram frases que atravessam gerações. Na Super Rádio Tupi, um clássico de Guimarães Rosa ganhou uma leitura parecida.