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Cientistas descobrem possível novo planeta anão além de Plutão, com até 1.500 km de diâmetro, e descoberta pode mudar a lista oficial de mundos do Sistema Solar
Novo candidato a planeta anão além de Plutão pode medir até 1.500 km e ampliar a lista oficial
O objeto 2026 ED138, identificado em imagens do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, tornou-se um novo candidato a planeta anão do Sistema Solar. Seu diâmetro estimado varia de aproximadamente 600 a 1.500 quilômetros. A descoberta amplia a investigação de mundos além de Netuno e pode levar ao reconhecimento de outro integrante da categoria que inclui Plutão.
Como os astrônomos encontraram esse mundo distante?
A identificação aconteceu quando Matthew Holman analisava registros obtidos pelo observatório com um programa desenvolvido para relacionar detecções de objetos em movimento. O sistema conectou pontos luminosos registrados em diferentes noites. A equipe reuniu 30 observações feitas pelo Rubin entre março e julho de 2026 e encontrou imagens adicionais em arquivos de outro instrumento, a Dark Energy Camera.
Esses registros permitiram acompanhar mais de dez anos da trajetória do objeto. Na ocasião do anúncio, ele estava a cerca de 46 unidades astronômicas do Sol, aproximadamente 6,9 bilhões de quilômetros. Cada unidade corresponde à distância média entre a Terra e o Sol. Para comparação, a distância média de Plutão ao Sol é próxima de 40 unidades astronômicas.

Por que o diâmetro ainda varia entre 600 e 1.500 quilômetros?
O tamanho de 2026 ED138 foi estimado a partir do brilho e de hipóteses sobre sua superfície. Um trabalho disponibilizado em versão preliminar no arXiv apresenta os cálculos e as observações. Os 1.500 quilômetros representam o limite superior aproximado da estimativa. A interpretação depende de fatores relacionados:
- O brilho observado informa quanta luz chega aos instrumentos;
- A distância ajuda a calcular o brilho intrínseco do objeto;
- Uma superfície mais refletiva permite explicar esse brilho com um corpo menor;
- Uma superfície mais escura exige um corpo maior para refletir a mesma quantidade de luz.
O que um corpo celeste precisa ter para ser planeta anão?
A definição adotada pela União Astronômica Internacional exige que o objeto orbite o Sol e tenha massa suficiente para sua gravidade produzir uma forma aproximadamente arredondada. Ele também deve compartilhar sua região orbital com outros corpos, sem exercer o domínio dinâmico característico dos planetas. Além disso, não pode ser um satélite natural de outro objeto.
A forma arredondada é uma questão central para avaliar a candidatura. Pelo tamanho estimado, os pesquisadores consideram provável que o corpo gelado atenda a esse requisito, mas suas propriedades precisam ser investigadas. Atualmente, os cinco planetas anões reconhecidos são Ceres, Plutão, Éris, Haumea e Makemake. Uma eventual inclusão dependerá das evidências reunidas e do reconhecimento da classificação.

Quais observações podem esclarecer a natureza do candidato?
Novas medições ajudarão a reduzir a incerteza sobre o tamanho e a compreender a superfície desse objeto transnetuniano. A equipe considera que seu brilho permite estudos com instrumentos terrestres e telescópios espaciais. Cada técnica oferece informações diferentes, que podem ser combinadas para construir uma caracterização mais completa:
- Observações em comprimentos de onda infravermelhos ajudam a restringir o tamanho e a refletividade;
- Ocultações estelares, quando o objeto passa diante de uma estrela, permitem estimar suas dimensões;
- Espectroscopia pode investigar características dos materiais presentes na superfície;
- Variações de brilho ao longo do tempo ajudam a estudar a rotação e possíveis diferenças superficiais.
A descoberta abre novas perguntas sobre o Sistema Solar exterior
A órbita de 2026 ED138 apresenta uma inclinação próxima de 25 graus em relação ao plano de referência do Sistema Solar. Características orbitais como essa ajudam os astrônomos a investigar a história das interações gravitacionais entre pequenos mundos e planetas gigantes. O interesse científico inclui tanto sua possível classificação quanto as pistas sobre a evolução das regiões distantes do Sol.
A lista oficial de planetas anões ainda aguarda novas evidências para uma possível ampliação. Enquanto isso, o candidato mostra como levantamentos repetidos do céu podem revelar corpos antes confundidos com estrelas de fundo. A combinação de imagens atuais, arquivos antigos e programas de busca permite reconstruir órbitas e selecionar alvos para medições mais detalhadas de tamanho, composição e rotação.