Pedra rosada de quase 1 kg encontrada no deserto do Saara surpreende cientistas após análises revelarem que ela veio de Marte e tem cerca de 4,1 bilhões de anos - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Mundo

Pedra rosada de quase 1 kg encontrada no deserto do Saara surpreende cientistas após análises revelarem que ela veio de Marte e tem cerca de 4,1 bilhões de anos

Meteorito de Marte encontrado no Saara chama atenção por revelar pistas de um passado distante

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Pedra rosada de quase 1 kg encontrada no deserto do Saara surpreende cientistas após análises revelarem que ela veio de Marte e tem cerca de 4,1 bilhões de anos
A pedra rosada encontrada no Saara pesa cerca de 800 gramas e tem origem marciana (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O meteorito Teghaza 001, uma pedra rosada de aproximadamente 800 gramas encontrada no deserto do Saara, preserva registros de uma época remota de Marte. Análises de sua composição e de seus minerais revelaram uma idade mínima de 4,1 bilhões de anos. O fragmento oferece aos cientistas uma oportunidade rara de investigar a formação da crosta marciana e sua interação com a água.

Onde a pedra foi encontrada e por que chamou atenção?

O material foi localizado no Mali, em 2022, durante uma expedição de busca por meteoritos. Seu nome faz referência à região de Teghaza. O registro da Sociedade Meteorítica informa uma massa próxima de 799 gramas, distribuída em oito fragmentos. A queda não foi observada, portanto o ano da descoberta não indica quando a rocha chegou à Terra.

A investigação avançou quando os pesquisadores examinaram sua estrutura interna. A combinação de minerais e as texturas observadas mostraram características diferentes das encontradas em outras amostras marcianas. O valor científico está na história preservada dentro da rocha. Seus cristais guardam informações sobre processos que ocorreram muito antes de qualquer impacto lançá-la ao espaço.

Pedra rosada de quase 1 kg encontrada no deserto do Saara surpreende cientistas após análises revelarem que ela veio de Marte e tem cerca de 4,1 bilhões de anos
A pedra rosada encontrada no Saara pesa cerca de 800 gramas e tem origem marciana (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como os cientistas identificaram a origem marciana?

A identificação de Teghaza 001 envolveu análises feitas por pesquisadores da Universidade do Novo México. As proporções dos isótopos de oxigênio, formas do mesmo elemento com massas diferentes, foram comparadas às de meteoritos marcianos conhecidos. A investigação reúne diferentes tipos de evidência para estabelecer essa origem:

  • Assinaturas isotópicas compatíveis com amostras provenientes de Marte;
  • Composição química dos minerais presentes no fragmento;
  • Texturas que ajudam a reconstruir a formação e as alterações da rocha;
  • Comparações com informações obtidas pelas missões de exploração marciana.

O que significa a idade de 4,1 bilhões de anos?

Um estudo publicado na revista Science em 29 de outubro de 2026, liderado por Yang Liu, investigou a idade e as características do meteorito. A datação indica que ele sofreu alterações associadas à água há cerca de 4,1 bilhões de anos. Isso significa que a formação original da rocha pode ter ocorrido ainda antes desse episódio.

Outro trabalho, publicado na Science Advances em junho de 2026, examinou água e isótopos de hidrogênio preservados nos minerais. Os resultados apontam para interações entre materiais do interior do planeta e componentes de sua antiga hidrosfera. A amostra registra etapas da evolução marciana, incluindo processos relacionados à água e à perda de hidrogênio para o espaço.

Pedra rosada de quase 1 kg encontrada no deserto do Saara surpreende cientistas após análises revelarem que ela veio de Marte e tem cerca de 4,1 bilhões de anos
A pedra rosada encontrada no Saara pesa cerca de 800 gramas e tem origem marciana (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como um fragmento de Marte pode terminar no Saara?

Meteoritos marcianos chegam à Terra após uma sequência de acontecimentos que começa com um impacto no planeta de origem. Uma colisão suficientemente energética pode lançar fragmentos para fora de Marte. Parte desse material percorre trajetórias no Sistema Solar que, eventualmente, encontram nosso planeta. O percurso envolve estas etapas:

  • Um impacto remove e acelera fragmentos da superfície marciana;
  • Algumas rochas conseguem escapar da gravidade do planeta;
  • O material passa a viajar pelo espaço;
  • Uma trajetória pode conduzi-lo à atmosfera terrestre;
  • Os fragmentos que resistem à passagem e alcançam o solo tornam-se meteoritos.

Leia também: Eclipse solar total de 2027 vai transformar o dia em noite por mais de 6 minutos e terá uma duração que poucos fenômenos conseguem alcançar

Uma amostra pequena amplia o conhecimento sobre a crosta antiga

As características de Teghaza 001 também foram comparadas a observações do Mars Reconnaissance Orbiter. Os pesquisadores identificaram 13 localidades com mineralogia e composição compatíveis, associadas às terras altas do hemisfério sul de Marte. São regiões candidatas, sem a identificação de um ponto exato de origem. Essa comparação conecta a análise de laboratório ao mapeamento realizado a partir da órbita marciana.

O meteorito integra a coleção do Maine Mineral & Gem Museum, nos Estados Unidos, e permanece disponível para novas investigações científicas. Preservar partes da amostra permite testar outras perguntas sobre sua composição e suas transformações. Entre cristais, marcas de impactos e sinais de interação com fluidos, a pedra encontrada no Saara reúne registros materiais dos primeiros capítulos da história geológica de Marte.