Rio
Botafoguense e corredor: quem era o instrutor morto em queda de asa-delta no Rio?
Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos tinha 45 anos; sepultamento acontece nesta quarta-feira, no Cemitério São João Batista
O instrutor de asa-delta Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45 anos, morreu na segunda-feira (2) após a queda de um voo duplo na Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio. O passageiro argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, também não resistiu. O enterro de Luiz Eduardo está marcado para esta quarta-feira (4), no Cemitério São João Batista.
As redes sociais do instrutor revelam um homem movido por esportes e adrenalina. Além do voo livre, ele era torcedor fervoroso do Botafogo, corria nas ruas do Rio e andava de skate. Em agosto de 2025, publicou: “O céu é o limite, a adrenalina do voo livre é viciante. Voe de asa-delta, sensação de liberdade, vida leve.”
Como era a relação dele com o voo livre?

Luiz Eduardo se habilitou para a prática do voo livre em junho de 2016 e construiu ao longo dos anos uma rotina detalhada de avaliação antes de cada decolagem. Em publicação de 2016, descreveu o processo: “Sempre que subimos para o alto da montanha, temos o momento de análise sobre a condição. Caso esteja favorável, montamos, decolamos, descemos com veículo, cada um em sua função”.
A partir de 2025, passou a publicar com mais frequência vídeos de voos duplos com clientes. Em setembro do ano passado, compartilhou orientações de segurança para o pouso e alertou: “Pedimos muita atenção aos alunos, ou seja faça somente o que foi passado durante a instrução do seu instrutor.”
Sua torcida pelo Botafogo aparecia até nos equipamentos de voo, estampados com a estrela do clube. O instrutor também guardava uma memória especial: o encontro com o ator Paul Walker durante as filmagens de “Velozes e Furiosos” no Rio. “Tive a imensa satisfação em conhecer Paul William Walker, que também, por estar no RJ, veio fazer um voo de asa-delta com nossa equipe”, escreveu.

Fora dos ares, a corrida de rua ocupava boa parte do tempo livre. Em julho de 2020, registrou um treino de 15 quilômetros entre São Conrado e a Praia do Pepê, enfrentando dificuldades com o ar seco. Em agosto de 2022, correu os 21 quilômetros da 24ª Meia Maratona Internacional do Rio. “Se você quiser mudar sua vida, torne-se um corredor. Todo dia é um bom dia quando você corre!”, publicou na ocasião. As redes sociais também registram uma pausa forçada: em novembro de 2017, ele apareceu com o braço imobilizado, e seis meses depois comemorou a volta: “Tá aí, eu fazendo o que gosto!”
O que mostram os vídeos do acidente?

Imagens captadas por uma câmera de segurança no solo e por outras duas acopladas à própria asa-delta registraram o momento da queda. Os vídeos foram entregues à polícia, que investiga as causas do acidente.
As imagens mostram que, durante a aproximação para o pouso, o piloto fez uma curva fora do padrão e em baixa altura. Uma das asas atingiu a areia e a outra, o paredão do calçadão. Piloto e passageiro foram arremessados contra uma rampa de cimento. Nos diálogos gravados, não há nenhum sinal de que os dois perceberam o problema antes do impacto.
O presidente do Clube São Conrado de Voo Livre, Bruno Menescal, afirmou que as condições de vento eram boas no momento do acidente e atribuiu a tragédia a um erro do piloto. “Foi imperícia do piloto. Uma curva a baixa altura, um erro de avaliação. É o tipo da coisa que não perdoa”, disse, acrescentando que, se a queda tivesse ocorrido sobre a areia, as consequências provavelmente seriam menos graves. A causa oficial será definida pela investigação policial.