Brasil
Agentes armados e explosões: vídeos do Ibama contra o garimpo ilegal viralizam; entenda as operações
Imagens de ações armadas chamam a atenção nas redes e mostram como o Ibama combate o garimpo ilegal com destruição de maquinários na Amazônia
Vídeos de agentes armados entrando em matas, destruindo dragas e incendiando aeronaves usadas no garimpo ilegal ganham destaque nas redes sociais. As imagens revelam a atuação operacional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Sustentáveis (Ibama), surpreendendo quem desconhece essa frente de trabalho.
No Amazonas, essas ações ocorrem em regiões como o Vale do Javari e o Rio Madeira. O trabalho é realizado em conjunto com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e outras instituições. Desde 2023, cerca de 4 mil dragas foram destruídas no estado, segundo o superintendente Joel Araújo.
Segundo Araújo, a função do instituto vai além de tarefas como licenciamento ambiental e resgate de fauna silvestre. Nas ações de campo, os fiscais usam coletes balísticos, capacetes, helicópteros, lanchas rápidas e armamentos letais e não letais para combater grupos criminosos.
Motivos para a destruição de maquinários

A destruição dos equipamentos segue o Artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008. O dispositivo legal autoriza a medida cautelar quando o transporte e a guarda são inviáveis ou colocam em perigo o meio ambiente e as equipes. Como os garimpos ficam em locais isolados, a remoção geraria risco de emboscadas.
O chefe da assessoria de comunicação do Ibama, Tiago Costa, explicou que esses maquinários passam por adaptações precárias. Nas aeronaves, as alterações comprometem totalmente a segurança dos passageiros, o que impede a destinação para outros usos.
A respeito da fumaça gerada pela queima, Joel Araújo destacou que a poluição imediata do fogo é menor que os estragos causados pelo funcionamento contínuo do garimpo. O decreto exige avaliação técnica e registros visuais das condições dos bens antes e depois do procedimento.
Operações no Rio Madeira
Em março de 2025, a Operação Xapiri destruiu 23 dragas e embarcações no município de Borba, no Rio Madeira. A fiscalização localizou 25 trabalhadores em situação análoga à escravidão, incluindo dois menores de idade.
As operações interrompem a supressão de vegetação, alterações em leitos de rios e a contaminação da água por mercúrio, impactos que ameaçam comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem desses recursos para sobreviver.