Veterinários explicam: o gato que deixa lagartixas e passarinhos na porta de casa não está fazendo pirraça, mas seguindo o instinto de caçador que nunca desliga - Super Rádio Tupi
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Veterinários explicam: o gato que deixa lagartixas e passarinhos na porta de casa não está fazendo pirraça, mas seguindo o instinto de caçador que nunca desliga

Estudo da Universidade de Exeter mostrou que gatos caçadores tiram cerca de 96% da dieta da comida do dono, e brincar todo dia reduz as presas em 25%

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Gato que deixa lagartixa na porta não faz pirraça: segue o instinto de caçador, e brigar com ele não adianta
Gato que deixa lagartixa na porta não faz pirraça: segue o instinto de caçador, e brigar com ele não adianta - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem tem gato com acesso a quintal, varanda ou telhado conhece bem a cena: de manhã cedo, aparece uma lagartixa ou um passarinho no tapete da entrada. Muito tutor acha que é provocação ou vingança. Veterinários e pesquisadores explicam que não tem nada disso: o bichano está seguindo um comportamento felino de caçador que a vida dentro de casa não apagou. Por isso brigar com ele não adianta.

Por que o gato leva a presa até a porta de casa?

O gato leva a presa para casa porque vê o lar como um lugar seguro para guardar o que caçou. Essa é uma das explicações da equipe de veterinários da PDSA, instituição britânica de saúde animal. Para esses profissionais, caçar é um comportamento natural da espécie.

A mesma orientação traz uma segunda hipótese: o felino pode enxergar os donos como parte do seu grupo social e dividir a captura com eles. Esse aprendizado começa cedo, nas brincadeiras com os irmãos de ninhada e vendo a mãe caçar. Mesmo alimentado em casa, o cérebro do bicho continua reagindo quando aparece uma presa.

Mesmo bem alimentado, o gato caça por instinto: só 3% a 4% da dieta dos felinos estudados vinha de presas selvagens
Mesmo bem alimentado, o gato caça por instinto: só 3% a 4% da dieta dos felinos estudados vinha de presas selvagens – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Até a cena de ficar brincando com o animal ainda vivo tem explicação. Segundo os veterinários da PDSA, o gato age assim para não levar mordida ou arranhão da presa, e não por diversão.

Se tem ração no pote, por que o gato continua caçando?

O gato continua caçando porque a vontade de caçar vem do instinto, e não da fome. Um estudo da Universidade de Exeter, na Inglaterra, analisou amostras de bigodes de felinos que caçavam com frequência para descobrir de onde vinha a comida deles.

O resultado mostrou que cerca de 96% da dieta desses gatos vinha da comida dada pelos donos. Os bichos selvagens eram só 3% a 4% do que eles comiam. Para os pesquisadores, o instinto de predador explica a caçada muito melhor do que a necessidade de comer.

A pesquisadora Martina Cecchetti resumiu assim: como predadores, alguns gatos podem caçar por instinto mesmo sem fome. Nas casas com quintal e muro, tão comuns no subúrbio do Rio e na Baixada, a lagartixa da parede acaba virando alvo fácil desse comportamento felino.

A relação com o bicho de estimação vai muito além da caça e mexe até com as emoções de quem cuida dele. A matéria abaixo mostra o que a psicologia diz sobre quem desabafa com o pet.

O que fazer quando aparece lagartixa ou passarinho morto?

O primeiro passo é não castigar o gato, porque ele está só seguindo o próprio instinto. A orientação dos veterinários da PDSA é descartar o animal morto logo e com cuidado de higiene. Se a presa ainda estiver viva e machucada, procure um veterinário ou um serviço de resgate de fauna silvestre.

Quem caça também corre mais risco de pegar parasitas e algumas infecções. Por isso o controle de pulgas e vermes precisa estar em dia. Se o bichano tiver vômito, diarreia ou perder peso, leve ao veterinário.

Dá para diminuir essas entregas sem prender o felino dentro de casa. A equipe de Exeter testou estratégias com 355 gatos em 219 casas durante 12 semanas, e os resultados estão resumidos a seguir.

O que reduziu a caçaESTUDO
Efeito de cada estratégia sobre as presas levadas para casa
Estratégia Resultado
Comida com proteína de carne 36% menos presas
Brincadeira diária de 5 a 10 minutos 25% menos presas
Capa colorida na coleira 42% menos aves, sem efeito em mamíferos
Guizo na coleira Sem efeito geral claro

Os números foram divulgados pela Universidade de Exeter, a partir de estudo publicado no periódico Current Biology. O destaque é a brincadeira, que custa pouco e funciona imitando a caçada. O guizo, tão comum por aqui, quase não mudou o resultado. Qualquer troca de alimentação deve ser combinada antes com o veterinário.

Dá para conviver com o caçador sem brigar com o bichano?

Dá, sim, e o caminho é trocar a bronca por estímulo. O comportamento felino de caça faz parte da natureza do gato, e as pesquisas mostram que esse impulso pode ser gasto em brincadeiras de perseguir e dar o bote, como sugerem os veterinários.

Na próxima vez que achar um presente na porta, respire fundo, recolha com cuidado e reserve uns minutinhos do dia para brincar com o seu felino. Se a caçada virar rotina, vale uma conversa com o veterinário de confiança. Seu gato e os passarinhos do bairro agradecem.

Agora, para mudar totalmente de assunto, tem uma história curiosa do outro lado do mundo. Conheça a ilha onde vivem os descendentes de um motim famoso.