Uma ilha no meio do Pacífico tem menos de 50 moradores, quase todos descendentes dos marinheiros que se amotinaram no navio Bounty em 1789 - Super Rádio Tupi
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Uma ilha no meio do Pacífico tem menos de 50 moradores, quase todos descendentes dos marinheiros que se amotinaram no navio Bounty em 1789

Território britânico abriga cerca de 50 pessoas, herdeiras dos rebeldes de Fletcher Christian e dos taitianos que chegaram à ilha em 1790

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As Ilhas Pitcairn, território britânico no Pacífico, têm menos de 50 moradores, descendentes dos amotinados do Bounty e de taitianos
As Ilhas Pitcairn, território britânico no Pacífico, têm menos de 50 moradores, descendentes dos amotinados do Bounty e de taitianos - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Num ponto isolado do Oceano Pacífico Sul, as Ilhas Pitcairn abrigam uma das menores comunidades do planeta. São menos de 50 pessoas, quase todas descendentes dos marinheiros do Motim do Bounty, a rebelião de 1789 que entrou para a história da navegação. Território do Reino Unido, o lugar tem menos moradores que muito prédio de Copacabana. A história dessa gente começa com um navio da Marinha britânica tomado à força.

Quem vive hoje nas Ilhas Pitcairn, no meio do Pacífico?

Hoje, as Ilhas Pitcairn têm menos de 50 moradores fixos. O Governo das Ilhas Pitcairn fala numa população de cerca de cinquenta pessoas. Já o Departamento de Turismo das Ilhas Pitcairn registra 40 habitantes em 2021. É menos gente do que cabe num ônibus lotado da Avenida Brasil.

Segundo o governo local, os moradores formam uma comunidade de origem anglo-taitiana. Eles descendem dos rebeldes do navio britânico e dos taitianos que viajaram com eles. A vida gira em torno de Adamstown, a capital, onde os amotinados ergueram seus primeiros abrigos, feitos de folhas.

Chegar lá também não é simples. O visitante viaja num navio de passageiros e carga dedicado à ilha, com estadias de 4, 11 ou 18 dias, conforme o site oficial de turismo.

Como o motim do Bounty levou marinheiros até Pitcairn?

Tudo começou em 28 de abril de 1789, quando o oficial Fletcher Christian liderou a tomada do Bounty, comandado pelo tenente William Bligh. A data está registrada no acervo do Royal Museums Greenwich, em Londres, que guarda peças ligadas ao episódio.

Em 28 de abril de 1789, Fletcher Christian tomou o Bounty e deixou o tenente William Bligh e 18 leais num bote em alto-mar
Em 28 de abril de 1789, Fletcher Christian tomou o Bounty e deixou o tenente William Bligh e 18 leais num bote em alto-mar – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O navio transportava mudas de fruta-pão do Taiti. Bligh e 18 homens leais foram largados num bote em alto-mar. Christian seguiu com mais oito amotinados e 18 taitianos, seis homens e 12 mulheres, atrás de uma ilha desabitada no Pacífico.

Em 15 de janeiro de 1790, o grupo chegou a Pitcairn. Para escapar da Marinha, os rebeldes encalharam o Bounty e puseram fogo no navio, para que nada ficasse visível do mar. O relato está na história oficial das Ilhas Pitcairn, publicada pelo governo do território.

Fletcher Christian morreu poucos anos depois do desembarque e é lembrado como fundador do povoado. Por volta de 1800, restava um único homem entre os colonos, o marinheiro John Adams. Ele liderou as mulheres e as crianças até morrer, em março de 1829.

Histórias de navios e ilhas costumam render boas viagens pelo passado. Aqui no Brasil, uma ilha do litoral paulista também guarda naufrágios famosos.

Por que Pitcairn ainda é um território do Reino Unido?

Pitcairn continua britânica porque é, oficialmente, um território ultramarino do Reino Unido, como informa o próprio governo local. Os moradores contam a incorporação formal ao império a partir de 30 de novembro de 1838, com uma nova constituição assinada a bordo do navio HMS Fly.

Ao chegar a Pitcairn em 1790, os rebeldes queimaram o Bounty para que nada ficasse visível do mar e escapar da Marinha britânica
Ao chegar a Pitcairn em 1790, os rebeldes queimaram o Bounty para que nada ficasse visível do mar e escapar da Marinha britânica – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O vínculo atravessou momentos dramáticos. Em 1856, um navio levou toda a população, 194 pessoas, para a Ilha Norfolk. Entre 1858 e 1864, parte das famílias resolveu voltar para casa.

Para entender essa trajetória, ajuda olhar as datas lado a lado. A linha do tempo abaixo reúne os marcos registrados pelas fontes oficiais.

Linha do tempo de PitcairnHISTÓRIA
Marcos da ilha, do motim aos dias de hoje
Ano O que aconteceu
1789 Motim do Bounty, liderado por Fletcher Christian
1790 Chegada dos amotinados e queima do navio
1808 Povoado encontrado pelo capitão americano Mayhew Folger
1838 Constituição assinada a bordo do HMS Fly
1856 Mudança dos 194 moradores para a Ilha Norfolk
2021 Registro de 40 habitantes

A sequência mostra uma comunidade que chegou a ficar vazia e foi repovoada pelos próprios descendentes. Desde 1808, quando um navegador americano encontrou o povoado, o mundo sabe onde os rebeldes se esconderam.

Por que a história de Pitcairn ainda atrai tanta gente?

A ilha atrai porque mistura rebelião, fuga e sobrevivência num pedaço de terra minúsculo. Poucos lugares reúnem, num só povoado, a herança direta de um episódio tão famoso da Marinha britânica.

Para o ouvinte carioca, acostumado a uma cidade de milhões, é difícil imaginar a vida com 40 vizinhos. Se você curte histórias reais do mar, conta pra gente qual outro lugar curioso do mundo merece aparecer por aqui.

E já que o assunto é história, tem outra viagem no tempo esperando por você. Desta vez, são os momentos marcantes que a Tupi levou ao ar.

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