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Gabigol: “se me perguntarem mil vezes sobre o Flamengo, eu vou falar mil vezes que amo o Flamengo”
Atacante do Santos fala do carinho pelo Flamengo, da saída, das polêmicas e diz que imaginava jogar com Neymar na Gávea
Aos 30 anos, e sem esconder que se sente “no auge” com a camisa do Santos, Gabriel Barbosa não deixou de falar do clube que marcou a maior parte de sua carreira. Em entrevista ao ge, o atacante tratou o Flamengo como assunto resolvido no afeto, mesmo com episódios turbulentos pelo caminho. Sobre a dupla idolatria, que divide com o Santos, foi direto:
“Se me perguntarem mil vezes sobre o Flamengo, eu vou falar mil vezes que amo o Flamengo. E eu amo. Amo o time, amo a torcida, amo a cidade.”
Ele completou que, quando estava no Rio e perguntavam do Santos, dava a mesma resposta. Segundo Gabigol, os dois clubes são diferentes de tudo o que viveu na Europa ou no Cruzeiro: “Santos e Flamengo são meus times, então não tem o que eu fazer.”
Os números de uma era
A frase pesa porque a passagem foi gigantesca. Ao se despedir, Gabigol somava 308 jogos, 160 gols, 44 assistências e 13 títulos pelo Flamengo. Ele é o maior artilheiro do clube no século XXI e o 7º maior da história rubro-negra.
Confira os títulos de Gabigol pelo Flamengo
- Copa Libertadores: 2019 e 2022
- Campeonato Brasileiro: 2019 e 2020
- Copa do Brasil: 2022 e 2024
- Recopa Sul-Americana: 2020
- Supercopa do Brasil: 2020 e 2021
- Campeonato Carioca: 2019, 2020, 2021 e 2024
“Parece um filme”: o legado
Com os bustos de Bruno Henrique e Arrascaeta a caminho da Gávea, no dia 15, Gabigol foi perguntado se já se vê eternizado. Respondeu que sim, e que o que viveu “não foi algo normal”:
“Se você vir os jogos, os números, as festas, tudo foi algo que parece um filme.”
Ele elogiou os dois ex-companheiros, que “merecem”, e disse que “talvez o busto seja pouco ainda”. Também citou Filipe Luis, “campeão jogando e como treinador”. Sobre o grupo, afirmou que “aquele time vai ser inesquecível” e lembrou que “as pessoas colocam muito 2019, mas 2022 também foi muito importante”: duas finais de Libertadores, dois gols decisivos e o ano invicto.
Ao explicar o bom momento atual, ele também fez um balanço dos últimos anos de Gávea. Disse que 2023 foi “um ano difícil para todo mundo, não só para mim”. Em 2024, com Tite, afirmou que não jogou (“todo mundo sabe o motivo”), mas que com Filipe Luis fez dois gols na final. Em 2025, precisou “se reencontrar num novo time, num novo cenário”.
Identificação com a torcida e com a cidade
Gabigol explicou o que o prendia ao clube para além do campo:
“É a torcida, o Maracanã lotado, o uniforme. Eu acho a camisa do Flamengo linda.”
Contou que gostava de ver “todo mundo com a camisa do Flamengo” no treino depois das vitórias e as “crianças fazendo a minha comemoração, o cabelo loiro”, e que “o pessoal do Rio sempre me tratou super bem”. Para ele, a conexão é recíproca porque “eu e o Flamengo parece que a gente lida do mesmo jeito, tem a mesma personalidade”. Brincou ainda que está “começando a achar que só vou bem em time de praia”.
A saída: “Achava que iria encerrar minha carreira lá”
Dois anos depois, a versão de Gabigol sobre o fim do vínculo continua a mesma. Segundo ele, estava tudo certo:
“Eu estava renovado com o Flamengo, apertaram a minha mão, deram parabéns, me deram camisa (…) Minha casa estava comprada.”
Para o atacante, o rumo mudou por conta do noticiário: “Começou aquela coisa da imprensa: ‘está desgastado, cinco anos de contrato é muito’”. Ele afirma que nunca houve uma contraproposta: “Não teve: ‘Gabi, acertamos cinco, pode ser dois?’. Não teve essa conversa.” Ainda assim, diz ter saído “feliz e realizado, com o carinho que eles têm por mim”.
Perguntado se a história no Flamengo está encerrada ou se haverá novo capítulo, não se comprometeu: “Essa pergunta é impossível de responder.”
Jogar contra o Flamengo e contra o Santos
Gabigol disse que enfrentar o time que ama nunca foi confortável: “Quando eu estava no Flamengo e vinha para a Vila Belmiro, era muito difícil jogar contra o Santos”, e hoje sente o mesmo no Maracanã contra o Flamengo. Lembrou que a torcida rubro-negra sempre o idolatrou, por isso “contra o Flamengo eu nunca tive que comemorar um gol”, ao contrário do que aconteceu em outros estádios. Na Vila Belmiro, esperava ser bem recebido quando defendia o Flamengo, e “não fui”. Mesmo assim, disse que Flamengo x Santos “sempre se tornava um jogo enorme” e que isso dava mais motivação.
Polêmicas: doping, Corinthians e a recusa ao Palmeiras
Sobre o caso do doping, o atacante repetiu que foi “a primeira vez que um jogador caiu no doping sem estar no doping”, lembrou que fez exames de sangue e urina e que o Flamengo liberou as câmeras para o julgamento. Reconheceu: “Talvez eu pudesse ter sido mais cordial? Poderia.”
Quanto à camisa do Corinthians, disse que a foto vazou sem ele querer e que o interesse do clube “saía que tinha”, mas “o Corinthians nunca falou com ninguém”. Também revelou que o Palmeiras o procurou ao fim do contrato com o Flamengo e que recusou de imediato:
“Porque eu joguei no Flamengo. Eu não vou jogar no Palmeiras.”
Ele acrescentou que, estando no Flamengo, “não tem como pensar no Santos”.
Neymar: um sonho que passava pela Gávea
Ao falar da parceria com Neymar no Santos, Gabigol revelou que o Flamengo fazia parte do imaginário dele:
“Quando eu estava no Flamengo, achava que iria jogar com ele no Flamengo. Que em algum momento ele iria para o Flamengo.”
Ele disse que nunca chegou a convidar o amigo, que estava no PSG, mas que, convicto de que se aposentaria no clube, achava que Neymar “poderia em algum momento vivenciar aquilo”.
O que o Flamengo ensinou: imprensa, saúde e bastidores
Gabigol voltou ao clube ao falar de vazamentos: “No Flamengo era muita mentira”, disse, e emendou que “no Santos também é muita mentira”. Ao falar de cuidados com o corpo, lembrou da equipe de apoio que teve na Gávea, com o preparador Laniyan Neves, hoje com Arrascaeta, e acompanhamento mental. Sobre o hábito de conversar com torcedores em vez de só tirar fotos, citou a época com Filipe Luis: “A gente encontrava alguém no elevador, a pessoa parava para conversar.”
O atacante ainda mostrou que não se afastou do Flamengo como torcedor: “Eu assisto ao Flamengo. Assistia ao Santos quando estava no Flamengo, assisto ao Cruzeiro agora.”
E o futuro?
Com contrato com o Cruzeiro até o fim de 2028 e vínculo de empréstimo com o Santos até o fim deste ano, Gabigol não definiu o destino para 2027. Disse que seu empresário tem recebido sondagens dos Estados Unidos e da Turquia, e que, em algum momento, quer jogar nos EUA. O que ele não precisa decidir é o lugar do Flamengo na sua história, que, nas palavras dele, “foi algo histórico que talvez, quando eu parar, as pessoas vão cair na realidade”.