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Saúde

El Niño: 7 cuidados para proteger a saúde diante de temperaturas extremas

Calor, frio e mudanças bruscas de temperatura podem exigir cuidados específicos, principalmente de pessoas com doenças cardiovasculares

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As mudanças nas condições climáticas podem exigir cuidados especiais com a saúde (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

O interesse dos brasileiros pelo El Niño também aparece nas buscas por informações sobre o fenômeno. O levantamento do Research & Innovation Center (RIC), núcleo de pesquisa da Afya, analisou dados do Google Trends ao longo de setembro de 2026, em comparação com o mesmo mês de 2025, e identificou um aumento de 1.300% no interesse pelo termo “El Niño”. A análise também investigou as buscas relacionadas aos possíveis efeitos das temperaturas extremas sobre a saúde, identificando dúvidas da população sobre sintomas, prevenção e cuidados durante períodos de calor intenso.

O fenômeno pode alterar os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do Brasil, contribuindo calor intenso, frio ou mudanças nas condições climáticas. Essas variações também merecem atenção do ponto de vista da saúde, especialmente entre pessoas com doenças cardiovasculares, que podem ser mais vulneráveis aos efeitos do tempo extremo.

O cardiologista Luiz Gasparelo, docente da Afya Educação Médica Porto Velho e Afya São Lucas, explica quais cuidados podem ajudar a reduzir riscos durante períodos de temperaturas extremas e mudanças bruscas no clima. Confira!

1. Evite exposição prolongada às altas temperaturas

A preocupação com os efeitos do calor também aparece no comportamento de busca dos brasileiros. O levantamento do Research & Innovation Center identificou um aumento no interesse por diferentes temas relacionados às altas temperaturas e seus efeitos sobre a saúde, indicando que sintomas e formas de prevenção estão entre as dúvidas que ganham espaço nesses períodos.

Em tempos de calor intenso, o organismo aumenta a circulação de sangue na pele para facilitar a perda de calor. Os vasos sanguíneos se dilatam, os batimentos podem acelerar e a transpiração aumenta a perda de líquidos e sais minerais.

“Pessoas com doenças cardiovasculares precisam ter atenção especial. Evitar exposição prolongada ao calor, buscar ambientes frescos e priorizar atividades físicas ao ar livre nos horários de menor temperatura são medidas importantes”, orienta o cardiologista.

2. Hidrate-se, mas respeite as orientações médicas

A busca por informações relacionadas à desidratação também aumentou 120% no período analisado pelo Research & Innovation Center. O interesse foi especialmente elevado em estados como Acre, Tocantins, Rondônia e Distrito Federal, mostrando que dúvidas sobre sintomas e formas de reposição de líquidos ganham relevância em épocas de calor intenso.

A hidratação adequada é fundamental, especialmente em dias muito quentes. Entretanto, pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal avançada podem necessitar de orientações individualizadas sobre o consumo de líquidos. A restrição hídrica não é necessária para todos esses pacientes.

“A quantidade de líquidos deve seguir a orientação da equipe de saúde, equilibrando a prevenção da desidratação com o risco de acúmulo de líquido”, orienta o Dr. Luiz Gasparelo.

3. Não suspenda medicamentos por conta própria

Períodos de calor intenso podem provocar mudanças na pressão e na hidratação, mas isso não significa que a pessoa deva interromper ou modificar o tratamento. Alguns medicamentos, como diuréticos e determinados remédios utilizados para controlar a pressão arterial, podem exigir reavaliação médica em situações específicas.

A orientação é procurar a equipe de saúde diante de tontura, pressão mais baixa que o habitual ou outros sintomas novos, em vez de alterar a medicação por conta própria.

Jovem com cabelo preto, preso e com franja, usando óculos e camiseta bege aferindo pressão em aparelho
Pessoas com doenças cardiovasculares precisam redobrar os cuidados durante períodos de temperaturas extremas (Imagem: Suriyawut Suriya | Shutterstock)

4. Quem tem doença cardiovascular precisa de atenção redobrada

Pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca e doença coronariana podem ser mais vulneráveis às alterações provocadas por tempos extremos. O risco não depende apenas da temperatura registrada, mas também do intervalo de exposição, das condições de saúde e da capacidade de cada pessoa de se proteger.

O Dr. Luiz Gasparelo reforça que “o calor intenso pode provocar desidratação, queda da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos. Já o frio pode elevar a pressão arterial e aumentar a demanda de oxigênio do coração. Essas alterações merecem atenção especial em pessoas com doenças cardiovasculares.”

5. Não deixe os cuidados de lado nos períodos de frio

No frio, os vasos sanguíneos se contraem para ajudar o organismo a conservar o calor. Com isso, a pressão arterial pode aumentar e o coração pode precisar trabalhar mais para bombear o sangue. Em pessoas com estreitamento das artérias coronárias, essa maior demanda pode favorecer dor no peito e elevar o risco cardiovascular, especialmente durante esforços físicos intensos.

6. Ajuste os horários das atividades físicas

Em tempos extremos, o horário e a intensidade da atividade física também merecem atenção. No calor, o organismo já trabalha para controlar a temperatura corporal, aumentando a circulação de sangue na pele, os batimentos cardíacos e a perda de líquidos pelo suor. Durante o exercício, essa demanda pode ser ainda maior.

A recomendação também é respeitar os próprios limites e interromper a atividade diante de sintomas como falta de ar fora do habitual, tontura, dor ou pressão no peito. “A atividade física continua sendo importante para a saúde cardiovascular, mas, em dias de temperaturas extremas, é preciso adaptar horário e intensidade para reduzir a sobrecarga sobre o organismo”, orienta o médico.

7. Não atribua qualquer mal-estar ao tempo

O levantamento do Research & Innovation Center mostra que o interesse dos brasileiros não se limita ao fenômeno climático em si, mas também alcança sintomas e situações que podem estar associadas às condições ambientais. Por isso, a identificação de sinais de alerta é importante para diferenciar um desconforto relacionado às condições do tempo de uma situação que exige avaliação médica.

Nem todo sintoma durante calor ou frio é consequência da temperatura. Pressão ou aperto no peito, falta de ar, cansaço desproporcional ao esforço e redução da capacidade para realizar atividades habituais merecem avaliação médica.

Dor ou aperto no peito de início recente, especialmente quando acompanhados de falta de ar, suor frio, náusea ou desconforto que se espalha para o braço, as costas ou a mandíbula, exigem atendimento imediato. O mesmo vale para falta de ar intensa ou em repouso e episódios de desmaio, principalmente quando acompanhados de palpitações ou dor no peito. Nesses casos, a orientação é acionar o SAMU pelo número 192.

Por Julia Costa e Costa