Economia
Família viaja por 30 dias, deixa a casa com tudo desligado e descobre na volta que a conta de luz não zera, porque a distribuidora cobra no mínimo 30, 50 ou 100 kWh
Piso cobrado pela distribuidora varia conforme a ligação monofásica, bifásica ou trifásica e vale mesmo com a casa vazia, enquanto a Aneel estuda mudar a regra
Uma família que passa 30 dias fora, desliga o disjuntor e tira tudo da tomada ainda encontra uma conta de luz na volta. Não é erro de leitura: nas casas de baixa tensão, a distribuidora cobra um piso mensal chamado custo de disponibilidade, definido pela Aneel em 30, 50 ou 100 kWh, conforme o tipo de ligação do imóvel.
Por que a conta de luz não zera com a casa desligada?
A conta não zera porque a distribuidora cobra pela rede que fica à disposição do imóvel, mesmo sem consumo. Fios, medidor e atendimento seguem funcionando para que a energia esteja pronta quando alguém acender a luz, e parte desse custo é repassada a cada casa.
Segundo a página de geração distribuída da Agência Nacional de Energia Elétrica, o custo de disponibilidade equivale a 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. A regra vale para o grupo B, de baixa tensão, onde estão as residências do Rio, da Baixada e do resto do país.
Na prática, o piso só entra quando o consumo do mês fica abaixo dele. Se a casa gastar quase nada durante a viagem, a família paga os 30, 50 ou 100 kWh do seu padrão. Se o medidor marcar mais, vale o consumo real.

Quanto vale o mínimo em kWh em cada tipo de ligação?
O patamar depende do tipo de ligação do imóvel, e quanto mais fases, maior o piso. A tabela resume os valores da agência reguladora para cada padrão de entrada.
| Tipo de ligação | Mínimo cobrado |
|---|---|
| Monofásica | 30 kWh |
| Bifásica | 50 kWh |
| Trifásica | 100 kWh |
O valor em reais muda de uma concessionária para outra, porque a regra fixa só a quantidade de kWh. Para estimar o seu, multiplique o piso pela tarifa por kWh da sua distribuidora, que aparece na fatura.
Quem tem padrão trifásico, geralmente adotado em casas com carga maior, sente mais o efeito numa viagem longa. A conta de luz chega com pelo menos 100 kWh, mais que o triplo do piso de um imóvel monofásico.
A escolha do padrão pesa no bolso o ano todo, não só nas férias. Um caso parecido mostra o que acontece quando o morador muda a ligação para instalar ar-condicionado.
A Aneel vai mudar a cobrança do custo de disponibilidade?
A mudança está em estudo, mas a regra atual continua valendo. Em junho de 2026, a agência divulgou a proposta da Aneel para mudar a cobrança pelo custo de disponibilidade, que troca a franquia mínima por um encargo fixo para cobrir os serviços comerciais da distribuidora. A consulta pública recebeu contribuições entre 8 de junho e 8 de setembro.

Para a agência, esse custo fixo hoje fica embutido no preço do kWh, e quem consome mais acaba pagando uma fatia maior. A micro e minigeração distribuída, das casas com placas solares, não teria as regras alteradas. Até a decisão final, o piso de 30, 50 ou 100 kWh segue na fatura.
Como planejar a conta de luz antes de uma viagem longa?
Planejar começa por saber qual é o padrão de entrada da casa, informação que a distribuidora passa pelos canais de atendimento. Com isso, a família calcula o mínimo que vai encontrar na volta e evita susto no orçamento do mês seguinte.
Desligar aparelhos continua fazendo diferença, porque tudo o que passar do piso entra na cobrança. Antes de arrumar as malas, pegue a última conta de luz, confira o seu padrão e faça as contas com calma: a viagem fica mais leve quando a fatura não surpreende.
Que dúvidas a taxa mínima da conta de luz costuma gerar?
Dois pontos práticos ajudam a entender o custo de disponibilidade antes da próxima viagem. Eles tratam de energia solar e do consumo que passa do piso.
As respostas seguem as regras publicadas pela Aneel e servem de ponto de partida para conversar com a distribuidora.
Quem tem energia solar também paga o mínimo?
Sim. Pela regra da Aneel, o consumidor de baixa tensão com geração própria paga o custo de disponibilidade mesmo quando injeta mais energia na rede do que consome.
O piso é cobrado junto com o consumo?
Não. Quando o medidor registra mais que 30, 50 ou 100 kWh, conforme a ligação, vale o consumo real, e o mínimo deixa de aparecer.
Quem pensa em gerar a própria energia em casa encontra outras opções na construção. Uma matéria do site explica como funcionam os telhados com placas solares integradas.