Em 1978 pneus preenchidos com concreto foram jogados no oceano e 40 anos depois as estruturas viraram habitat para peixes lagostas e outras especies marinhas - Super Rádio Tupi
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Em 1978 pneus preenchidos com concreto foram jogados no oceano e 40 anos depois as estruturas viraram habitat para peixes lagostas e outras especies marinhas

Em Yarmouth, nos Estados Unidos, os pneus foram presos com concreto, enquanto na Flórida até 2 milhões de pneus soltos acabaram danificando corais

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Criado em 1978, o recife de Yarmouth abriga peixes e lagostas no Atlântico
Criado em 1978, o recife de Yarmouth abriga peixes e lagostas no Atlântico - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Um recife artificial montado com pneus presos em concreto no litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos, chega a 48 anos em 2026 como abrigo para peixes e lagostas. O projeto começou em 1978, em Yarmouth, sobre um fundo de areia no Oceano Atlântico. A história virou exemplo de habitat criado pelo homem, mas tem um contraponto importante para quem se preocupa com o lixo no mar.

Onde fica o recife de pneus que virou abrigo no Atlântico?

O recife fica em Nantucket Sound, braço do Oceano Atlântico na costa de Massachusetts, perto da cidade de Yarmouth. Segundo a Guarda Costeira dos Estados Unidos, a área tem cerca de 128 acres, algo perto de 52 hectares, e foi criada em 1978.

A ideia era dar estrutura a um fundo de areia lisa, sem pedras nem esconderijos. Cada módulo reunia de três a cinco pneus presos com concreto, e milhares de unidades foram instaladas em duas etapas, a segunda delas em 1994.

A mesma publicação da Guarda Costeira descreve o local como habitat para peixes e lagostas numa região que antes não tinha estruturas. Em 2019, a corporação reaproveitou ali mais de 60 toneladas de antigas âncoras de concreto de boias, em parceria com a Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts.

Por que o concreto evitou que os pneus se espalhassem?

O concreto deu peso e firmeza aos módulos, o que ajudou a manter os pneus no lugar diante de ondas e correntes. É esse detalhe que separa Yarmouth de um dos maiores fracassos com pneus no mar, registrado na Flórida.

O concreto deu peso e firmeza aos módulos, ajudando a manter os pneus no lugar
O concreto deu peso e firmeza aos módulos, ajudando a manter os pneus no lugar – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Nos anos 1970, entre 1 milhão e 2 milhões de pneus foram lançados ao mar no condado de Broward, segundo o Departamento de Proteção Ambiental da Flórida. Tempestades tropicais e furacões soltaram as peças, que passaram a danificar os corais vizinhos. A retirada continua, com contrato válido até 2032.

A comparação entre os dois projetos mostra como o mesmo material teve destinos opostos. O quadro abaixo reúne o que as fontes oficiais informam sobre cada caso.

Dois recifes de pneusCOMPARAÇÃO
Yarmouth e Flórida: o que aconteceu com os pneus no fundo do mar
Critério Yarmouth (Massachusetts) Broward (Flórida)
Início 1978 Anos 1970
Material Módulos de pneus presos com concreto De 1 a 2 milhões de pneus sem lastro
Situação Abrigo para peixes e lagostas Pneus deslocados e remoção em andamento

A diferença está na fixação e no planejamento. Um estudo de R. L. Sherman e R. E. Spieler, publicado em 2006 na série WIT Transactions on Ecology and the Environment, retirou 1.600 pneus da borda de um recife natural na Flórida. A conclusão foi direta: materiais instáveis não servem para recifes artificiais.

Como o recife de Yarmouth foi montado e quem vive nele hoje já foi tema aqui no site. A matéria abaixo dá mais detalhes sobre o projeto.

O que a ciência diz sobre peixes em recifes artificiais?

Recifes artificiais bem planejados podem abrigar tanta vida marinha quanto os naturais. Essa é a conclusão de uma revisão de 39 estudos publicada em 2020 no periódico Frontiers in Marine Science por pesquisadores da NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos.

As ampliações recentes do recife usaram concreto reaproveitado, e o caso não justifica jogar pneus no mar
As ampliações recentes do recife usaram concreto reaproveitado, e o caso não justifica jogar pneus no mar – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Segundo os autores, as estruturas criadas pelo homem tiveram densidade, biomassa e variedade de peixes comparáveis às de recifes naturais. Os recifes de concreto e os instalados no Atlântico tenderam a reunir mais peixes, mas o próprio estudo trata isso como tendência, não como regra.

O trabalho também avisa que esses recifes não são solução pronta para qualquer lugar. Local, desenho e material precisam ser avaliados caso a caso, e é justamente aí que as experiências de Yarmouth e da Flórida se separam.

Jogar pneu no mar pode virar solução para a vida marinha?

Não. O caso de Yarmouth mostra que pneus bem fixados, num projeto autorizado e monitorado, podem virar abrigo para peixes. Isso não autoriza ninguém a largar pneu na água, e as ampliações recentes do próprio recife usaram concreto reaproveitado.

Para quem mora no Rio, a lição serve para a Baía de Guanabara, as lagoas e as praias da Região dos Lagos: pneu velho no mar é lixo, e não ajuda a vida marinha. Na próxima troca de pneus do carro, pergunte na borracharia para onde vão os usados e ajude a cuidar do nosso mar.

O fundo do oceano guarda outros números que surpreendem até os especialistas. Esta outra matéria explica até onde ele chega.