Bichos
Cientistas conseguem filmar pela primeira vez pássaro colorido que não era visto há 13 anos, e imagens raras surpreendem pesquisadores
Expedição na Costa do Marfim registra o raro Ghana cuckooshrike e renova as esperanças de preservação de uma das aves mais difíceis de encontrar na África.
O reaparecimento de um pássaro de cores intensas movimentou a ornitologia em 2026. Após 13 anos sem registros documentados, o Ghana cuckooshrike voltou a ser fotografado e ganhou seu primeiro vídeo conhecido nas florestas da Costa do Marfim.
Como o pássaro colorido reapareceu após 13 anos?
Em junho de 2026, Stephanie Bartlett e Paulo Ditzel exploravam o Parque Nacional de Taï, na Costa do Marfim. A dupla da International Bird Conservation Partnership encerrava uma longa expedição quando um movimento entre as árvores provocou uma surpresa inesperada.
Ao observarem a copa da floresta, os pesquisadores reconheceram as penas amarelas, alaranjadas e pretas do Lobotos lobatus. A possibilidade de encontrar a ave já havia sido comentada entre eles, mas parecia tão remota que o encontro se tornou extraordinário.

O que torna as imagens de 2026 tão especiais?
Bartlett reagiu rapidamente à aparição e conseguiu produzir fotografias antes que o animal desaparecesse na vegetação. A câmera também registrou o que é considerado o primeiro vídeo conhecido da espécie, uma conquista inédita para a documentação dessa ave.
Até então, os registros fotográficos mais recentes datavam de 2013, na floresta de Atewa, em Gana. As novas imagens encerram uma lacuna de 13 anos e oferecem aos pesquisadores uma oportunidade rara de observar características do pássaro.
Abaixo, um vídeo do canal IFLScience no YouTube mostra o pássaro registrado durante a expedição:
Por que o Ghana cuckooshrike é tão difícil de encontrar?
Embora tenha uma plumagem marcante, o Ghana cuckooshrike costuma permanecer nas partes elevadas da floresta. Entre folhas e galhos, sua presença passa facilmente despercebida, o que ajuda a explicar por que a ave permaneceu tanto tempo sem registros confirmados.
A espécie ocorre em áreas florestais da África Ocidental, incluindo Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim e Gana. Ainda existem muitas incertezas sobre seus hábitos, tornando cada observação especialmente valiosa para compreender sua distribuição e presença nessas regiões.
Algumas circunstâncias ajudam a entender a dificuldade de observação:
- A preferência pelas copas das árvores.
- A vegetação fechada, que esconde seus movimentos.
- A escassez de registros e informações sobre a espécie.
Quais ameaças colocam a sobrevivência dessa ave em risco?
O desaparecimento temporário dos registros não significa que a espécie estivesse extinta, mas evidencia sua vulnerabilidade. O avanço do desmatamento e as mudanças no uso do solo têm reduzido a extensão das florestas onde esse pássaro encontra abrigo.
A exploração de madeira e a expansão agrícola, inclusive de plantações de cacau, pressionam o habitat do Ghana cuckooshrike. A fragmentação dessas áreas dificulta a proteção da espécie, classificada como vulnerável, e de outras aves que compartilham o ambiente.
Entre as pressões apontadas para essas florestas estão:
- Extração de madeira em áreas de floresta.
- Ampliação de lavouras, incluindo o cultivo de cacau.
- Redução e divisão das áreas de habitat.
O que esse reencontro significa para a conservação da biodiversidade?
O reencontro reforça a importância de manter áreas protegidas como o Parque Nacional de Taï. Para os projetos de conservação, encontrar uma ave tão pouco documentada demonstra que ainda existem populações que merecem atenção e acompanhamento cuidadoso.
A iniciativa Search for Lost Birds procura espécies sem registros confirmados há pelo menos uma década, com participação da BirdLife International. A redescoberta representa uma esperança concreta para a biodiversidade e incentiva novas buscas por aves consideradas desaparecidas.