Brasil

Brasil pode sofrer consequências com postura de Bolsonaro em relação aos EUA?

Presidente Jair Bolsonaro foi o último chefe de nação democrática a reconhecer a vitória de Joe Biden. Bolsonaro também fez declarações polêmicas após invasão ao Capitólio

Por Pedro Henrique Leite

Joe Biden x Bolsonaro x Trump. Foto: Reprodução Redes Sociais/ Montagem Tupi

Os espaços dedicados ao noticiário internacional da imprensa brasileira focaram as atenções na crise política norte-americana após o ataque ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, na última quarta-feira (06), promovido por apoiadores de Donald Trump. Desde então, muito se discutiu sobre a estabilidade democrática do país mais importante do mundo. Mas até que ponto o Brasil pode ser afetado com a crise por lá? Cairá aos brasileiros alguma consequência pela postura adotada do fiel aliado de Trump: Jair Messias Bolsonaro?

No dia seguinte da invasão ao Capitólio, que resultou na morte de uma militante, o presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que há fraudes no sistema eletrônico de votação no Brasil e que, se não houver voto impresso nas eleições presidenciais de 2022, algo ainda pior do que ocorreu no processo eleitoral dos Estados Unidos acontecerá por aqui.

Roberto Uebel, formado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing da ESPM, analisa que o discurso do chefe de estado brasileiro pode interferir no comportamento de seus apoiadores.

“A declaração do presidente Bolsonaro é totalmente questionável. Há quase três décadas o Presidente da República é eleito pelo voto eletrônico. Inclusive ele mesmo. As urnas são bem mais confiáveis que os votos impressos, diga-se de passagem. Vejo uma influência direta no sentido de que o que aconteceu nos Estados Unidos pode sim gerar manifestações maiores caso Bolsonaro não seja reeleito em 2022”, considera Uebel.

Diversas empresas de mídias sociais decidiram banir ou restringir publicações de Donald Trump por declarações que influenciam a desconfiança sobre o sistema eleitoral do país.

“Esse tipo de comportamento está muito atrelado às redes sociais. Vejo essa suspensão do Trump como indicativo, e até balizador, para os processos eleitorais futuros. Se nas próximas eleições, por aqui, os candidatos começarem a divulgar ‘fake news’ ou questionarem os resultados pode-se ter o mesmo tipo de situação em relação a punição nas redes. Acho que em relação a isso já se abriu o precedente”, afirma Roberto Uebel.

“Em relação à invasão do parlamento eu acho muito difícil. Lá, o pleito é validado pelo próprio parlamento e aqui não. Mas acho que podemos ter manifestações como tivemos em 2013. Ou seja, não seria um fato inédito na história política do Brasil. Agora, repito, reproduzir o que aconteceu nos Estados Unidos eu acho muito difícil”, analisa.

Roberto Uebel, doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela UFRGS, também faz críticas sobre a conduta da política externa do governo brasileiro. Para ele, Brasil e Estados Unidos se afastarão devido à divergência de pautas.

“Hoje o Brasil é considerado uma pária internacional [nação que tem comportamento fora das normas por grandes potências ou muitos países]. Nossa política externa é totalmente passiva. Desde a má gestão na pandemia até as declarações do presidente nos colocam nessas condições. Bolsonaro foi o último presidente de uma nação democrática a reconhecer a vitória do Joe Biden. Acho que o Brasil vai ficar muito afastado dos Estados Unidos, o que é muito ruim. Biden tem uma pauta pró meio ambiente, de preservação das florestas, do multilateralismo, que é tudo aquilo que o governo Bolsonaro é contra. Como analista internacional, vejo que o Brasil precisa rever urgentemente sua postura na política externa. Isso está afetando muito os negócios internacionais. O Brasil criou entraves com seus maiores parceiros, que são a China, a União Europeia, os Estados Unidos, a Argentina. E o que vai sobrar?”, analisa Uebel.

Considerada a maior economia do Brics (Agrupamento Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul), com PIB (Produto Interno Bruto) de 15 trilhões, a China carrega o título de maior economia de exportação do mundo. É, atualmente, o principal parceiro comercial do Brasil. No primeiro semestre de 2020, o Brasil exportou mais de USD 34 bilhões para o país. Os Estados Unidos são conhecidos por serem a maior economia mundial e tem relações importantes com o mercado brasileiro. Com o total de USD 10 bilhões em exportação e USD 13,2 bilhões em importação, até junho de 2020, o país se mantém constante no ranking como segundo principal parceiro comercial do Brasil.

As relações comerciais entre a China e os Estados Unidos, maiores parceiros comerciais do Brasil, têm se mantido em pauta desde o início do governo Bolsonaro. Os acontecimentos em que o Brasil se envolve entre as duas potências mundiais impactam e atingem o mercado brasileiro na ponta final da nação: o bolso do povo.

O jornalista e comentarista de política e economia da SUPER RÁDIO TUPI Luiz Filipe Mello opina sobre a política externa do governo brasileiro. Ouça:

Nos bastidores da Câmara dos Deputados, a bancada ruralista – de extrema relevância para o equilíbrio financeiro do país e sempre louvada por Bolsonaro – começa a se incomodar com o discurso ideológico do presidente e de membros do Governo contra a China, principal consumidor do agro brasileiro. Alguns deputados, inclusive, já pensam apoiar Baleia Rossi (MDB-SP) como candidato a presidência da casa ao invés do nome sugerido por Jair Bolsonaro, o do deputado Arthur Lira (PP-AL).



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