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Eleitorado elege número recorde de mulheres para o Senado, mas bancada ainda ocupa menos de 25% das cadeiras disponíveis

Mesmo com o avanço e alta de 19% nas candidaturas de mulheres, Legislativo brasileiro mantém cenário de sub-representação persistente

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Créditos: depositphotos.com / patrickds

As eleições de outubro de 2026 resultaram em um número recorde de mulheres no Senado Federal, com a eleição de 15 candidatas. Apesar do avanço histórico, a bancada feminina ainda representa menos de 25% das 81 cadeiras, um número que, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), evidencia a sub-representação persistente no poder Legislativo brasileiro.

O resultado reflete uma mobilização crescente e um aumento de 19% no número de candidaturas de mulheres em comparação com 2022, o maior índice desde 2018. Movimentos da sociedade civil e campanhas de conscientização destacaram ao longo do ano a urgência de eleger mais mulheres para o Congresso.

Por que a representação feminina ainda é um desafio?

As barreiras para a participação feminina na política são estruturais e complexas. Elas vão desde a dupla jornada de trabalho até a falta de financiamento para campanhas e a violência política de gênero, que desestimula novas candidaturas. Mesmo com a cota de 30% de candidaturas femininas por partido, prevista na Lei nº 9.504/97, especialistas apontam que a medida, embora importante, muitas vezes não se traduz em eleição efetiva, exigindo políticas públicas mais eficazes.

Como o Brasil se posiciona na América Latina?

Quando comparado a outros países da região, o Brasil fica para trás. Dados recentes da União Interparlamentar (UIP) mostram que nações como México, Argentina e Bolívia possuem um cenário de representação feminina muito mais equilibrado no Legislativo.

No México, por exemplo, as mulheres já ocupam 50% das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado, um resultado direto de reformas constitucionais que estabeleceram a paridade de gênero em todas as candidaturas. A Argentina também supera a marca dos 40% de representação feminina em seu Congresso.

O foco no Senado durante as eleições foi estratégico por uma razão principal: o mandato de oito anos. A longa duração do cargo significa que a renovação da casa é mais lenta e o impacto de uma eleição se estende por duas legislaturas da Câmara dos Deputados.

Eleger uma senadora representa uma voz feminina garantida por quase uma década em decisões cruciais para o país. Isso inclui a aprovação de leis, a sabatina de ministros do Supremo Tribunal Federal e a fiscalização do Poder Executivo.

A diversidade no Legislativo não é apenas uma estatística, mas uma condição para que as leis reflitam a pluralidade do país.