Brasil
Ex-faxineiro de hospital supera desafios e conquista diploma de medicina após oito anos
Ex-faxineiro de um hospital, ele estudava em ônibus lotados com mais de 1.300 flashcards e concluiu a graduação em medicina na UFSC
Bruno Eulálio Santos foi faxineiro num hospital, estudou em ônibus lotados com mais de 1.300 flashcards na mochila e, oito anos depois, concluiu a graduação em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Criado na Favela do Ressaca, em Contagem (MG), ele se formou em junho deste ano, aos 27 anos.
A decisão de cursar medicina nasceu justamente enquanto ele empurrava o carrinho de faxina pelos corredores de um hospital. Bruno percebeu que a forma como a equipe de limpeza e os profissionais de saúde eram tratados era muito diferente. “Não, beleza, então já que é assim, vou ser médico e assim todo mundo vai me tratar bem”, lembrou ter pensado na época.
Antes disso, Bruno passou por empregos como lavador de carros, atendente de carrinho de lanches e borracheiro. A virada veio aos 17 anos, quando a irmã o chamou para morar em Santa Catarina. “Vem que comida não vai te faltar. Vai ter um teto e a gente dá um jeito para você estudar”, disse ela na época.
Cursinho online e cartões de memória no ônibus
Sem dinheiro para pagar um preparatório tradicional, Bruno optou por um curso online de baixo custo e desenvolveu uma rotina de estudos adaptada à sua realidade. “Quem trabalha tem pouco tempo para estudar. Então eu estudava no ônibus”, conta. Ele produziu mais de 1.300 flashcards com perguntas e respostas, revisados diariamente nos trajetos de casa ao trabalho. Na segunda tentativa no vestibular, foi aprovado em medicina na UFSC. Seguiram-se mais seis anos de graduação até a formatura.
A irmã, que o sustentou durante o curso e ainda o apoia nos primeiros plantões, disse a Bruno no dia da colação que, mesmo que morresse no dia seguinte, partiria feliz por vê-lo realizar o sonho que a mãe deles não teve tempo de testemunhar.
Hoje, Bruno diz que a motivação mudou desde os tempos de hospital. “Percebi que a medicina não se trata da gente. Se trata das pessoas. É sobre o que o paciente acha e o que ele está sentindo.”