Como o bolinho de chuva mineiro era feito há 150 anos
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Gastronomia

Como o bolinho de chuva mineiro era feito há 150 anos e por que a banha de porco o deixava mais crocante

Receita da metade do século XIX usava gordura animal em vez de óleo vegetal; técnica ancestral volta a ganhar espaço na gastronomia

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Pilha de bolinhos de chuva dourados e redondos, cobertos por açúcar granulado
Bolinhos de chuva, um clássico da culinária brasileira que busca resgatar suas raízes e técnicas ancestrais de preparo Crédito da Imagem: (depositphotos.com / robertohunger)

Em meio a uma crescente valorização de técnicas culinárias ancestrais, uma pergunta ressurge: como era feito o bolinho de chuva original? A resposta está em uma prática comum há mais de 150 anos no interior do Brasil: o uso de banha de porco no lugar do óleo vegetal, um segredo para obter uma casquinha mais crocante e um interior sequinho.

A técnica, que se popularizou em meados do século XIX, substituía os óleos industrializados pela gordura animal, um ingrediente abundante e acessível nas fazendas da época. Então, o preparo mantinha a simplicidade: farinha de trigo, ovos, um pouco de açúcar e a fritura em banha quente.

Como era a receita original?

Diferente das versões modernas, o bolinho colonial não levava leite ou fermento químico. Portanto, a aeração da massa era obtida batendo vigorosamente os ovos com o açúcar, criando uma base leve antes da adição da farinha. Então, o resultado é uma casquinha crocante por fora e um interior surpreendentemente macio e seco.

Por que usar banha de porco em vez de óleo?

A banha de porco oferece uma fritura em temperatura estável (com ponto de fumaça entre 188°C e 204°C), o que permite selar a parte externa do bolinho rapidamente. Mas essa selagem imediata impede que a massa absorva gordura em excesso, evitando o aspecto encharcado e garantindo a crocância.

Historicamente, a banha era o ingrediente mais acessível nas áreas rurais. O óleo de soja, hoje onipresente, só se popularizou no Brasil em meados do século XX, e a substituição da gordura animal pela vegetal alterou a textura original de muitas receitas tradicionais.

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O bolinho de chuva vai ficar com gosto de porco?

Este é um medo comum, mas a resposta é não. Quando a banha é de boa qualidade e aquecida na temperatura correta, seu sabor é neutro e não interfere no resultado final do doce. O segredo é não deixar a gordura queimar, mantendo o fogo em temperatura média e constante durante todo o processo de fritura.

Outro ponto crucial é a consistência da massa. Ela não deve ser muito mole ou rala. A dica de preparo ancestral é adicionar a farinha aos poucos, até que a massa atinja um ponto em que desgruda lentamente da colher. Então, uma massa líquida demais inevitavelmente absorve mais gordura.

A técnica ancestral prova que o segredo de um bom prato está no entendimento profundo de cada ingrediente.