Brasil
Lula alfineta Flávio Bolsonaro: “A verdade tarda mas não falha”
Em evento de cultura em Aracruz (ES), presidente critica mais uma vez a negociação de valores entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para filme sobre ex-presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quinta-feira (21/5), que “a verdade tarda, mas não falha”, durante 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, que ocorre em Aracruz (ES). O petista alfinetou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, pelo seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Vocês que são da área cultural, sabem quantas ofensas artistas, mulheres e homens, receberam porque iam buscar um ‘dinheirinho’ na Lei Rouanet. E muitas vezes o Ministério da Cultura dava autorização para que o artista fizesse a captação dos recursos e, dependendo da cor do artista, não recebia o recurso, embora tivesse autorização”, explicou.
O presidente pontuou que a “cultura como um todo era achincalhada”, mas como “a verdade não falha, nós nunca fomos atrás da ‘lei’ Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”.
Mensagens divulgadas indicam que Flávio, que é o principal adversário de Lula, pediu valores ao ex-banqueiro do Banco Master para a produção da cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pré-candidato negociou R$ 134 milhões com Vorcaro, dos quais cerca de R$ 61 milhões foram pagos.
“E ainda vai aparecer muito mais coisa. Porque nós estamos convencidos que o período da mentira, das ofensas, da violência, da incivilidade precisa acabar no nosso país. Se vocês imaginarem que não faz muito tempo, não tínhamos Ministério da Cultura”, disse, listando ainda as pastas do Trabalho, da Igualdade Racial, Direitos Humanos e das Mulheres como áreas que não foram contempladas com ministérios na gestão de Bolsonaro. “O presidente (Bolsonaro) não sabia fazer outra coisa a não ser o gabinete do ódio, fazendo mentiras todo santo dia.”
Lula recordou, ainda, que ao assumir o governo, encontrou um cenário de desmonte de políticas públicas, após o governo Bolsonaro. “Nós encontramos um Brasil de terra arrasada. Margareth sabe como estava o Ministério da Cultura. Os companheiros sabem como estava o Ministério da Educação, da Saúde, todas as coisas. Porque eles resolveram destruir em nome não sei do quê, resolveram destruir. E nós resolvemos construir outra vez”, pontuou Lula, em tom de campanha.
“Não é uma pessoa que está em jogo, é a democracia desse país. O que está em jogo é a civilidade neste país, o jeito de educarmos as crianças nesse país, o respeito às mulheres nesse país. Porque a gente não vai vencer a luta contra o feminicídio apenas fazendo lei, a gente vai vencer educando melhor os homens desse país. É a educação que vai mostrar que somos iguais”, declarou.