Brasil

O que esperar do novo ano letivo diante do caos da pandemia?

Especialistas criticam a eficácia do ensino remoto e dizem não ser inclusiva aos deficientes

Por Victor Yemba

crianças
O que esperar do novo ano letivo diante do caos da pandemia? (Foto: Divulgação)

Com a chegada de um novo ano letivo simultaneamente com os impasses da vacinação infantil e um novo surto de Covid-19 e da gripe (H3N2), o ensino remoto está cada vez mais longe de ser descartado. Videoaulas e atividades com vídeos se tornaram frequentes nas aulas online.

O ensino remoto se estabeleceu na rotina de alunos e professores pelo país. Com a mudança, crianças entre 6 e 9 anos começaram a apresentar prejuízos na alfabetização. É o que comprova uma pesquisa feita pela Fundação Lemann, Itaú Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os motivos são diversos, mas entre eles se destaca a falta de concentração dos estudantes fora do ambiente escolar.

Esta realidade também foi bastante observada nos atendimentos psicólógicos, segundo os relatos da neuropiscóloga Wanessa Berba. “A perda do interesse pelos estudos, principalmente pelos mais novos e o pouco aproveitamento de outros com mais idades foram questões trazidas pelos pais ao consultório. O modelo é algo que deve ser repensado, especialmente agora em que algumas escolas mesmo tendo voltado ao ensino presencial, ainda disponibilizam o ensino remoto. É preciso pensar em metodologias diferentes mesmo dentro deste cenário”, diz a especialista.

Wanessa Berba
Wanessa Berba, neuropiscóloga (Foto: Divulgação)

Mas será que essas ferramentas funcionam para a criança com deficiência? É o que questiona Berba, que atua há mais de dez anos no atendimento a crianças com autismo.

“Como faz um aluno surdo para entender o que diz a professora no vídeo se não há tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras)? E como pode uma criança cega realizar uma tarefa que exige assistir a um vídeo que não vem com audiodescrição? No caso de uma criança com autismo, dificilmente ela participará de videoconferências com a turma toda, já que não reage bem a ambientes barulhentos. Outras estão as crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)”, questionou a psicóloga.



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