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Relatório secreto da Polícia Federal revela que ministro do Supremo seria o verdadeiro dono de fundo que recebeu milhões do banqueiro Daniel Vorcaro

Documento mantido sob sigilo aponta repasses milionários; corte suprema engavetou o arquivo

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Homem em toga e terno, cabelo grisalho e barba, com bandeira brasileira e logo STF.
Dias Toffoli, ministro do STF, é alvo de relatório sigiloso da PF que o liga a fundo de investimentos. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Um relatório de 196 páginas elaborado pela Polícia Federal aponta que o ministro Dias Toffoli pode ser o “proprietário de fato” ou o “beneficiário final” de ativos ligados ao fundo de investimentos Arleen, sócio do resort Tayayá, no Paraná. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro deste ano, discutido em reunião reservada entre os ministros e, segundo revelou a revista Piauí nesta sexta-feira (11), permanece sob sigilo após ter sido arquivado com a justificativa de inconsistência jurídica.

O fundo Arleen teria recebido R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, antes de transferir todo o seu patrimônio para uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Mensagens interceptadas mostram Vorcaro relatando a interlocutores o temor de ficar em “situação ruim” com o ministro se houvesse atraso nos repasses ao fundo.

Julgamento sobre precatórios também é investigado

A PF pediu o aprofundamento das apurações para verificar se Vorcaro influenciou uma mudança de posição de Toffoli em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. O Banco Master mantinha mais de R$ 10 bilhões em seu balanço sob essa rubrica.

O relatório também aponta o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria como operador de bastidores dos interesses de Vorcaro em Brasília, incluindo a organização de eventos privados e encontros de articulação política para o banqueiro.

Principais pontos da investigação da PF

Detalhes do relatório que aponta suposta ligação entre o ministro e o setor financeiro

🔍 Objeto da suspeita
A PF investiga se o ministro é o beneficiário final de ativos do fundo Arleen, sócio do resort Tayayá.
💰 Fluxo de R$ 35 milhões
O fundo recebeu depósitos de Daniel Vorcaro antes de transferir o patrimônio para uma offshore nas Ilhas Virgens.
⚖️ Julgamento de precatórios
Investigadores apuram se houve interferência em votos sobre o setor sucroalcooleiro para favorecer o Banco Master.
🤝 Articulação nos bastidores
Fábio Faria é apontado como operador e lobista de interesses do banqueiro junto a autoridades em Brasília.
🚫 Negativa oficial
O gabinete de Toffoli afirma que ele jamais teve amizade íntima ou recebeu valores de Vorcaro.

O documento ainda não integra os arquivos liberados ao público após decisão do presidente do STF, Edson Fachin. Nos materiais já tornados públicos, a PF afirma ter reunido “indícios veementes” de que Vorcaro soube antecipadamente da existência de uma investigação criminal contra ele, incluindo informações sobre a vara, o nome do juiz e membros da equipe. Ao todo, existem pelo menos 12 inquéritos com centenas de arquivos que seguem protegidos.

O caso expõe uma assimetria no tratamento dado pelo STF aos dois documentos: enquanto o relatório sobre o ministro Alexandre de Moraes foi divulgado pelo relator André Mendonça, o que diz respeito a Toffoli ficou guardado.

Em nota enviada à Piauí antes das revelações, o gabinete de Toffoli afirmou que ele “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Vorcaro e negou ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado.