'Só menina nova': Vorcaro mandou recrutar 120 mulheres para uma festa com 20 homens e convidou a cúpula do Senado e do STF - Super Rádio Tupi
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‘Só menina nova’: Vorcaro mandou recrutar 120 mulheres para uma festa com 20 homens e convidou a cúpula do Senado e do STF

Relatórios da Polícia Federal mostram mensagens sobre festa exclusiva; autoridades citadas negam presença

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Homem com barba e cabelo escuro, de terno e camisa branca, com persianas ao fundo
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado e citado na organização de festa com autoridades em São Paulo. Foto: Reprodução

Mensagens de WhatsApp reunidas em relatórios da Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, organizou em outubro de 2023 uma festa fechada em São Paulo com 120 mulheres convidadas para 20 homens, e que a lista de convidados mirava a cúpula do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. As conversas foram reveladas nesta sexta-feira (11) pela revista piauí.

Segundo a piauí, o evento aconteceu na noite de 31 de outubro de 2023, um Halloween, na boate Madame Satã, na região central da capital paulista. A proporção foi definida pelo próprio banqueiro numa das mensagens: “120 mulheres e 20 homens. Tô tendo que tirar mulher porque não tá cabendo”.

Cronologia e detalhes do evento investigado

Entenda os bastidores da festa organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em 2023

📍 Local e data do evento
A festa ocorreu em 31 de outubro de 2023, durante o Halloween, na boate Madame Satã, na região central de São Paulo.
👥 Proporção de convidados
Mensagens revelam que a lista foi planejada para ter 120 mulheres para apenas 20 homens, visando a cúpula do poder.
📱 Medidas de segurança
Houve veto total a aparelhos celulares. O organizador afirmou em áudio: “se vazar, eu tô morto”.
⚖️ Contexto jurídico atual
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2024 por crimes como lavagem de dinheiro e corrupção.

A revista mostra que a divisão de tarefas era clara. O recrutamento das convidadas ficou com o promoter Tiago Polo, acionado junto a agências de modelos, com uma exigência registrada por escrito: “Só menina nova. Metade de fora e as daqui conhecemos”. Já os convites às autoridades foram articulados pelo ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, Fábio Faria.

Em 24 de outubro de 2023, segundo as mensagens obtidas pela piauí, Faria escreveu a Vorcaro: “Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”. As referências são ao senador Davi Alcolumbre, ao senador Rodrigo Pacheco, então presidente do Senado, e ao ministro do STF Dias Toffoli. O senador Ciro Nogueira também aparece citado nas conversas, com a informação de que estaria viajando.

Nenhuma presença confirmada

A reportagem não afirma que qualquer uma dessas autoridades tenha comparecido, e todos os citados negam. Toffoli negou presença por meio de sua assessoria. Alcolumbre e Pacheco afirmaram que estavam em Brasília cumprindo agenda no Senado. Fábio Faria disse ter conhecido Vorcaro em outubro de 2023 e limitou sua participação ao envio de “convites a amigos em comum para um evento privado”.

Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Os nomes de Alexandre de Moraes, ministro do STF, e de Arthur Lira, então presidente da Câmara, aparecem apenas como “Alexandre” e “Arthur” num áudio transcrito por Faria. A PF suspeita que as menções se refiram aos dois. Outros dois citados também negaram envolvimento: o advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho afirmou não ser o “MV” das conversas, e o empresário Wesley Batista disse nunca ter participado de festas do banqueiro.

“Se vazar, eu tô morto”

As mensagens também mostram a preocupação dos organizadores com o sigilo. Vorcaro determinou o veto a aparelhos celulares: “Sem tel total”. Ao ser questionado por Faria sobre o risco de a festa vir a público, respondeu: “Relaxa que vai ser zero estresse. Se vazar, eu tô morto”. Faria havia comentado o vazamento de uma festa do jogador Neymar dias antes.

A festa ocorreu dois anos antes do colapso do Banco Master. Vorcaro está preso desde 4 de março deste ano, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos sobre o banco no STF. Ele é investigado por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção.