Carnaval

O adeus a Laíla, o ‘Capitão dos Capitães’!

Luiz Fernando Ribeiro do Carmo morreu nesta sexta-feira (18), aos 78 anos, com complicações da Covid-19. Povo do samba se despede de uma das figuras mais emblemáticas da história do Carnaval

Por Pedro Leite

Laíla durante desfile da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí
(Laíla durante desfile da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí / Fotografo: Felipe Araujo)

De baixa estatura, mas com o temperamento forte como o de um gigante, Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o “encantador” da Marquês de Sapucaí, mantinha por perto os maiores nomes do carnaval carioca. Inseparável de suas guias, exibia-as sem disfarce no pescoço, eram sua verdadeira proteção. O apelido, que virou nome de guerra, veio da infância. Laíla não conseguia pronunciar a palavra laranja e chamava a fruta de Laila, assim ganhou seu nome de vida e com ele se tornou o maior Diretor de Carnaval da história da folia carioca. Um ícone da festa mais popular do mundo e que  partiu nesta sexta-feira (18) após quase 60 anos de contribuição ao samba e à  cultura popular.

Nascido e criado no morro do Salgueiro, Zona Norte do Rio, Laíla foi responsável por todas as inovações e mudanças significativas no andamento e no “fazer” dos desfiles de escolas de samba. Foi o maior responsável por transformar a Beija-Flor de Nilópolis no chamado e conhecido “rolo compressor”.

Laíla durante desfile da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí
(Laíla durante desfile da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí / Fotografo: Felipe Arújo)

Luiz Fernando era diretor artístico e musical. Formou músicos, dançarinos, artistas. Formou cidadãos. Dominava a magia do samba-enredo e os mistérios das agremiações, mas sua principal aliada era a sensibilidade que fazia uma verdadeira metamorfose de ideias entre a bandeira da escola e o pertencimento de seus integrantes. Laíla se tornou personalidade ímpar na azul e branca de Nilópolis e na avenida mais famosa do Brasil. Foi o Gênio da Marquês de Sapucaí.

Caricatura em homenagem ao ex-diretor de Carnaval, Laíla
(Desenho de Jorge Silveira)

Laíla era um “puro sangue”. Tinha pulso vibrante, garra e muita determinação. Ele parecia invencível. Tinha a persistência de quem nasceu com vontade de vitória, vitória, vitória! Griô! Assim foi homenageado na avenida, “o velho sábio”, “ o contador de histórias “, responsável por guardar e transmitir todo o conhecimento de um povo para gerações futuras, e teve seu rosto em esculturas, em letra e verso, no asfalto e no alto dos carros alegóricos  que atravessaram a avenida.  O mundo do samba  – dilacerado – se despede hoje do “ mestre dos mestres” . Para os “Deuses do samba”, uma entidade do carnaval. Para seus “súditos” o Capitão dos Capitães!

Continência! Mestre Laila

Como já dizia o samba enredo da Beija Flor no ano de 2015: “Criança, levanta a cabeça e vai embora / O mar que trouxe a dor riqueza aflora / Tem uma família agora / Quem beija essa flor não chora “

Descanse em Paz ! Você é eterno!



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