Carnaval

Paraíso do Tuiuti mistura rei, santo, lendas, África, Europa e Brasil em um só samba

João Victor Araújo, carnavalesco da escola, concedeu entrevista à SUPER RÁDIO TUPI para explicar o enredo "O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião"

Por Pedro Henrique Leite

Tuiuti. Foto: Reprodução Instagram

Pelo quarto ano consecutivo, o Paraíso do Tuiuti desfilará no Grupo Especial. Algo inédito na história da escola de São Cristóvão. Em busca da permanência e firmação na elite da folia carioca, a azul e amarelo levará para a Marquês de Sapucaí, em 2020, o enredo “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Victor Araújo, que estreia na agremiação. Em entrevista à SUPER RÁDIO TUPI, na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio, o artista explicou a forma como desenvolveu o “encontro” entre Dom Sebastião, Rei de Portugal, e São Sebastião, padroeiro do Rio e da escola:

“Eu decidi fazer essa fusão a partir de uma feliz coincidência. Foi no dia 20 de janeiro do ano de 286 que o santo foi flechado, e foi em 20 de janeiro de 1554 que nasceu o rei de Portugal, Dom Sebastião. E essa história é super relacionada. Não fica apenas na coincidência. Há uma ligação histórica. Dom Sebastião, quando criança, foi consagrado à São Sebastião e recebeu o nome por causa do santo. A partir daí, essa história começa a se desenrolar”, esclareceu João. E continuou:

“Na batalha de Alcácer-Quibir o rei desapareceu ao lutar pelo seu povo ou morreu, ninguém sabe. Por isso, não puderam dar continuidade na linha sucessória de Sebastião ll, porque se não há corpo, não há morte. Depois vamos passar ao Brasil, porque diz a lenda que o rei de Portugal passou a fazer morada no fundo da Praia dos Lençóis, no Maranhão. A lenda também diz que o castelo dele reapareceu no fundo do mar e que em noite de lua cheia ele aparece na forma de uma figura de touro negro coroado correndo sobre a areia da praia. E que se um corajoso tiver a coragem de fincar uma coroa na testa do touro, que tem uma estrela, o encanto se desfaz e o rei volta a forma humana. Esse castelo submerso acaba emergindo, mas com isso a ilha de Maranhão vai abaixo”, narrou o carnavalesco.

O enredo do Paraíso do Tuiuti será recheado de personagens, lendas e muitas histórias:

“Passado a lenda, chegamos em Pernambuco. Pois foi quando começaram os movimentos populares, como Canudos, Massacre da Pedra Bonita, onde tem Antonio Conselheiro que liderou uma multidão de seguidores utilizando o nome da figura do rei de Portugal como uma especie de semi-deus que livraria o sertão da seca, da fome e das mazelas. Depois chego ao Rio de Janeiro, onde Sebastião é o grande padroeiro”, relatou. “Uma vez me perguntaram se isso aconteceu. Respondi: ‘Não, o Maranhão está lá'”, brincou.

João Victor não poupou na criatividade. Além de todos os contos descritos acima, ainda há uma passagem pela guerra de Alcácer-Quibir, em Marrocos. A derrota na batalha levou à crise dinástica de 1580 e o nascimento do mito do Sebastianismo. O reino de Portugal ficou severamente empobrecido pelos resgates pagos para reaver os cativos.

“Meu objetivo é fazer com que Sebastião, santo e rei, unidos em um só espírito representam a busca do nosso povo em seu próprio rumo. Porque lá no século XVI, quando Dom Sebastião decidiu ir pra guerra de Alcácer-Quibir, ele sabia que morreria. A quantidade de soldados dele era muito menor que das tropas marroquinas. Mas ele foi pelo povo dele. Assim é o carioca, que com todas as mazelas, dificuldades, se agarra em São Sebastião e pede pra ele para que tenhamos essa bravura. O nosso enredo é força, bravura e determinação”, afirmou.

O carnavalesco contou também que o rei de Portugal será representado por uma escultura de 9 metros na segunda alegoria. Mas como não se sabe se ele desapareceu ou morreu, levará a representação de uma forma lúdica:

Por conta dos vários pontos em que a narrativa passará, o carnavalesco foi questionado quanto ao grau de dificuldade para a leitura do enredo. João afirmou, no entanto, que os elementos físicos (tripés, alegorias e fantasias) ajudarão no entendimento da história por ele desenvolvida:

“Isso não é uma preocupação. O enredo é muito claro e baseado em um mapa. Ele começa na Europa, em Portugal. Depois atravessa o oceano e chega a Marrocos, na África, onde aconteceu a batalha de Alcácer-Quibir. Da África chega ao Brasil, no Maranhão, através da lenda. Do Maranhão a Pernambuco e depois ao Rio de Janeiro. O abre-alas tem uma caravela com uma flecha que aponta o início da jornada. Isso é proposital. Serve para indicar a rota. Além de uma representação a Oxóssi”, simplificou.

 

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Ao longo de nossa trajetória, o período colonial foi passado como uma época de luxo e requinte. João também foi indagado sobre a maneira de fazer “riqueza” em um Carnaval com pouca verba:

“A Série A nos permite trabalhar de todas as formas. Então, cheguei no Grupo Especial com a perspicácia de poder trabalhar com um produto mais barato e apresento como se ele custasse muito caro. Apesar disso, nosso Carnaval está muito caro sim. Mas tudo depende da forma, do tratamento da matéria-prima para a confecção das fantasias, adereços e alegorias”, concluiu.

O Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval, no dia 23 de fevereiro.

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