Cultura

Cinquenta bailarinos cariocas das mais diferentes áreas da cidade ocupam praças do Rio em projeto de arte urbana

Divididos em cinco grupos de dança, eles apresentam coreografias que convidam o público a refletir sobre o confinamento do corpo

(Divulgação)

Premiados coreógrafos do Rio de Janeiro reúnem 50 bailarinos com os rostos semicobertos por máscaras para refletir sobre o momento de confinamento do corpo nas mais diferentes áreas e realidades da cidade. As apresentações acontecem em espaços públicos da Rocinha, Méier, Brás de Pina, Cinelândia e Praça Mauá, nos dias 6, 7, 8, 11 e 14 de novembro, a partir das 7h.

Ao todo, serão cinco coreografias diferentes, elaboradas com base na mesma música, também original, criada para o evento. Trata-se de “Auroras”, segunda fase da intervenção urbana “O Real Resiste”, que nasceu como um ato de reafirmação da arte em um momento de desmonte e perseguição à cultura, unindo artistas como Ana Calzavara, Arnaldo Antunes, Carlos Vergara, Josiane Santana (Favelagrafia) e Walter Carvalho.

Em “Auroras”, o time de coreógrafos é composto por Adélia Costa, Ana Lúcia Silva e Mikael David, Esther Weitzman, Fagner Santos e Jefferson Bilisco, com curadoria de Esther Weitzman. Divididos em cinco grupos, os bailarinos dançarão ao amanhecer, em dias diferentes. As apresentações serão filmadas e se transformarão depois em um trabalho de videoarte. “Num gesto refletido, vamos ocupar poeticamente o Rio, uma cidade estilhaçada, abatida e enferma. Dessa vez, pela dança. É uma ação urbana que abarca os conflitos, a diversidade e reafirma a vocação cultural do Rio de Janeiro”, explica Maneco Müller, sócio da Mul.ti.plo Espaço Arte, um dos três idealizadores da ação.

As apresentações dos bailarinos falam das marcas e atravessamentos que as emoções vivenciadas durante o confinamento deixaram em seus corpos e na relação deles com o espaço público. “A música e a dança sempre foram instrumentos de resistência. Nesse período de repressão da vitalidade popular, queremos dar espaço para que esses corpos criem e se manifestem livremente”, diz a arquiteta e urbanista Manuella Müller, outra idealizadora do projeto. “Em épocas de autoritarismo, o corpo é o primeiro a ser tolhido e censurado. Por meio da dança, vamos levar de volta esse corpo para a rua, numa necessidade de se expressar, se comunicar e reagir”, diz a bailarina Carolyna Aguiar, que também responde pela idealização dessa segunda fase do projeto.

(Divulgação)

O REAL RESISTE – FASE 1

O Real Resiste é um projeto de ação urbana carioca criado por Maneco Müller (sócio da Mul.ti.plo Espaço de Arte) e Manuella Müller (arquiteta e urbanista), em parceria com artistas de diversas áreas.

O movimento foi iniciado em 29 de agosto de 2020, quando um grupo heterogêneo de 30 artistas, com representantes de distintas gerações, idades, estilos e poéticas, renomados ou não (Arnaldo Antunes, Cabelo, Carlos Vergara, Carolina Kasting, Elana Paulino, Joyce Marques, Walter Carvalho, Marcos Chaves, Raul Mourão, entre outros), das mais diferentes áreas da cidade, ocuparam os muros do Rio com grandes cartazes de 2 X 3 metros.

A iniciativa é um ato de reafirmação da arte e da vida em um momento demolição da cultura, de afirmação dos negacionismos, do poder punitivo e sua escalada sem fim, da mediocridade, do preconceito e de incapacidade de gestão da pandemia.

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