Economia
Erro salarial deposita quase R$ 1 milhão e gera decisão histórica da Justiça
Empresa erra pagamento e funcionário recebe valor milionário no Chile
O episódio do pagamento errado de salários no Chile chamou atenção de empresas e trabalhadores em vários países. Em vez de receber o salário mensal previsto de cerca de 500.000 pesos chilenos, um funcionário da área de alimentos teve creditados em sua conta aproximadamente 165 milhões de pesos em 2022, valor que se aproxima de 1 milhão de reais na conversão aproximada para a moeda brasileira, transformando um pagamento comum em um caso jurídico complexo, com repercussões trabalhistas e civis.
O que aconteceu no erro de pagamento salarial no Chile
A situação expôs tensões típicas entre empregador e empregado quando ocorre um erro de pagamento salarial: de um lado, a empresa buscando a devolução do valor; de outro, o trabalhador lidando com expectativas, obrigações financeiras e dúvidas sobre seus direitos. O desenrolar do caso mostrou como a Justiça chilena interpreta esse tipo de controvérsia e quais são os limites da responsabilidade do empregado diante de falhas administrativas cometidas pela própria companhia.
O processo avançou no sistema judicial chileno até uma audiência realizada em setembro de 2025. Nesse julgamento, o tribunal decidiu absolver o funcionário que havia recebido os 165 milhões de pesos, afastando a responsabilidade penal ou criminal pela retenção do valor depositado a maior, embora a empresa tenha manifestado insatisfação e anunciado a intenção de recorrer com pedido de nulidade da decisão.

Como as empresas podem lidar com erro de pagamento salarial
Situações de erro de salário, como o pagamento duplicado ou depósito muito acima do devido, tendem a gerar desconfiança e repercussão interna. A experiência do caso chileno reforça a necessidade de processos preventivos e de resposta rápida por parte das empresas, para que um equívoco de folha de pagamento não se transforme em litígio prolongado ou em exposição negativa.
Para reduzir riscos, é recomendável combinar controles internos rigorosos com canais claros de orientação aos empregados. Entre as boas práticas organizacionais mais citadas para evitar e tratar erros de pagamento salarial, destacam-se:
- Revisões rigorosas na folha de pagamento: conferência dupla ou tripla de valores antes da liberação bancária, com uso de sistemas de auditoria interna.
- Políticas claras e documentadas: definição por escrito de procedimentos para correção de depósitos indevidos, incluindo prazos, canais e responsáveis.
- Canais de comunicação acessíveis: disponibilização de contato direto com o departamento de Recursos Humanos ou financeiro para esclarecer dúvidas sobre valores pagos.
- Registro de todas as tratativas: formalização por e-mail ou documentos internos de qualquer acordo sobre devolução ou compensação de valores excedentes.
- Treinamento de gestores e colaboradores: orientação periódica sobre como agir ao identificar um crédito superior ao salário habitual.

O que a jurisprudência deste caso pode influenciar em situações futuras?
Este caso pode impactar decisões futuras em situações parecidas tanto no Chile quanto em outros países. Por exemplo, na França, existe um prazo legal de três anos para resolução de casos assim, normalmente resolvidos de maneira amigável se o funcionário ainda estiver na empresa.
Em última análise, episódios como esse reforçam a importância de processos eficazes e comunicação transparente para evitar erros que possam gerar consequências negativas e disputas jurídicas prolongadas para todas as partes.