Filho recebe procuração para cuidar dos bens da mãe e, anos depois, a família descobre que os bens que seriam divididos entre os herdeiros haviam sido esvaziados - Super Rádio Tupi
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Filho recebe procuração para cuidar dos bens da mãe e, anos depois, a família descobre que os bens que seriam divididos entre os herdeiros haviam sido esvaziados

Procuração familiar exige cuidado porque bens administrados sem transparência podem gerar conflito

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Filho recebe procuração para cuidar dos bens da mãe e, anos depois, a família descobre que os bens que seriam divididos entre os herdeiros haviam sido esvaziados
Receber procuração para cuidar dos bens de um familiar exige transparência e prestação de contas

Um filho que recebe procuração para cuidar dos bens da mãe assume uma responsabilidade que vai muito além de pagar contas e movimentar banco. Quando a família descobre, anos depois, que o patrimônio que seria dividido entre os herdeiros foi esvaziado, a discussão entra no campo do inventário, da prestação de contas e do possível abuso de confiança.

Por que uma procuração familiar pode virar disputa?

A procuração costuma surgir em um momento de necessidade. A mãe envelhece, adoece, perde mobilidade ou passa a ter dificuldade para ir ao banco, resolver documentos e administrar imóveis. Nesse cenário, escolher um filho parece natural, principalmente quando há confiança dentro da família.

O problema começa quando o poder dado para administrar vira poder para movimentar valores sem transparência. Se os demais herdeiros só descobrem saques, transferências, vendas ou doações depois da morte, o inventário deixa de ser apenas uma partilha e passa a investigar o que aconteceu antes dela.

O que o filho pode fazer com uma procuração?

Tudo depende do texto do documento. Algumas procurações são restritas, permitindo apenas resolver um ato específico. Outras dão poderes amplos para movimentar contas, vender bens, assinar contratos, receber valores e representar a pessoa perante bancos, cartórios e órgãos públicos.

Confira abaixo pontos que costumam aparecer em procurações mais sensíveis:

  • Poder para movimentar conta bancária e aplicações financeiras.
  • Autorização para vender imóveis, veículos ou outros bens.
  • Permissão para receber aposentadoria, aluguel ou indenizações.
  • Assinatura de contratos em nome da pessoa representada.
  • Representação em cartórios, bancos, INSS e repartições públicas.
Filho recebe procuração para cuidar dos bens da mãe e, anos depois, a família descobre que os bens que seriam divididos entre os herdeiros haviam sido esvaziados
Receber procuração para cuidar dos bens de um familiar exige transparência e prestação de contas

Quando a administração vira suspeita de esvaziamento?

A suspeita aparece quando o patrimônio diminui sem explicação compatível com as despesas da mãe. Gastos médicos, cuidador, remédios, aluguel, alimentação e manutenção da casa são despesas normais. O problema é quando surgem transferências para o próprio procurador, compras pessoais, saques altos e bens vendidos sem registro claro do destino do dinheiro.

No inventário, essa diferença pesa. Os herdeiros podem questionar se os valores foram usados em favor da mãe ou se houve vantagem indevida de quem administrava os bens. A análise depende de extratos, recibos, contratos, notas fiscais e histórico das movimentações.

O que diz a lei sobre prestação de contas?

Pelo Código Civil, quem age como mandatário deve atuar com diligência e responder por prejuízos causados por culpa. Em termos simples, receber procuração não significa ganhar liberdade para tratar o patrimônio alheio como se fosse próprio. A pessoa representa o titular dos bens e deve justificar os atos praticados.

Veja abaixo documentos que podem ser pedidos para esclarecer a administração:

  • Extratos bancários do período em que a procuração foi usada.
  • Comprovantes de pagamentos feitos em benefício da mãe.
  • Recibos de cuidadores, clínicas, remédios e despesas médicas.
  • Contratos de venda de imóveis, veículos ou objetos de valor.
  • Comprovantes de transferências para terceiros ou para o próprio filho.

Os irmãos podem contestar movimentações antes da morte?

Sim, quando existem indícios de uso irregular do patrimônio. Os herdeiros podem pedir esclarecimentos no inventário ou discutir a questão em ação própria, dependendo da situação. A discussão pode envolver prestação de contas, anulação de atos, restituição de valores ao espólio ou reconhecimento de adiantamento de herança.

Também é preciso separar gasto legítimo de desvio. Uma mãe acamada pode consumir grande parte do patrimônio com cuidador, hospital, adaptação da casa e medicamentos. Já uma transferência sem justificativa para a conta do procurador precisa ser explicada com mais cuidado, principalmente se ocorreu perto da morte ou em período de fragilidade da pessoa representada.

Como evitar que a confiança vire briga no inventário?

A prevenção começa antes da crise. Quem recebe procuração deve guardar comprovantes, anotar despesas, evitar misturar dinheiro próprio com dinheiro da mãe e prestar contas aos irmãos periodicamente. Transparência durante a vida reduz suspeitas depois da morte.

Famílias também podem limitar poderes, exigir assinatura conjunta para venda de bens, registrar orientações por escrito e procurar advogado antes de operações grandes. Quando a procuração envolve patrimônio, imóveis e contas bancárias, a confiança precisa caminhar junto com documento, controle e registro claro.

A procuração protege quando há cuidado, não quando falta transparência

O filho escolhido para administrar os bens da mãe pode estar prestando um serviço essencial, especialmente quando ela já não consegue resolver tudo sozinha. Mas a função exige responsabilidade, porque cada saque, venda ou transferência pode ser questionado se não houver prova de que o dinheiro foi usado em favor dela.

No fim, o inventário revela mais do que a lista de bens deixados. Ele também expõe como o patrimônio foi administrado nos últimos anos de vida. Quando a procuração foi usada com cuidado, os documentos contam essa história. Quando faltam recibos, extratos e explicações, a herança pode se transformar em uma disputa longa entre os próprios herdeiros.