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Agricultor colhe 200 toneladas de cebola, mas prefere doar tudo ao descobrir que receberia apenas cerca de R$ 0,76 por quilo

A cebola barata no campo revela o desafio de quem produz e não recebe preço justo

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Agricultor colhe 200 toneladas de cebola, mas prefere doar tudo ao descobrir que receberia apenas cerca de R$ 0,76 por quilo
A proposta de cerca de R$ 0,76 por quilo não cobria os custos de colheita, transporte e venda

Um agricultor espanhol chamou atenção ao decidir doar cerca de 200 toneladas de cebola depois de descobrir que receberia um valor considerado inviável pela produção. A oferta de € 0,13 (aproximadamente R$ 0,76) por quilo expôs um problema conhecido no campo: o alimento pode sair barato demais da lavoura, enquanto chega muito mais caro ao consumidor nas prateleiras.

Por que o agricultor decidiu doar a colheita?

O caso aconteceu em Lebrija, na região de Sevilha, onde o produtor tinha uma grande área tomada por cebolas prontas para a colheita. Ao receber uma proposta de apenas 13 centavos de euro por quilo, ele avaliou que colher, transportar e vender a produção não compensaria financeiramente.

Em vez de arar o campo e enterrar as cebolas, o agricultor preferiu chamar moradores da região para retirar o alimento gratuitamente. A decisão transformou uma lavoura sem comprador justo em uma ação de aproveitamento, evitando que toneladas de comida fossem simplesmente perdidas no solo.

Como uma cebola pode valer tão pouco na lavoura?

O preço pago ao produtor rural nem sempre acompanha o valor visto no mercado. Entre a lavoura e o consumidor final existem colheita, seleção, embalagem, transporte, armazenamento, perdas, impostos, margem de intermediários e custo operacional do varejo. O problema é que, em muitos casos, a conta fica pesada para quem planta.

Confira abaixo alguns fatores que podem derrubar o preço recebido pelo produtor:

  • Excesso de oferta no mesmo período de colheita.
  • Falta de compradores dispostos a pagar acima do custo de produção.
  • Gastos altos com mão de obra, combustível e transporte.
  • Pressão de intermediários sobre produtos perecíveis.
  • Dificuldade de armazenar grandes volumes por muito tempo.
Agricultor colhe 200 toneladas de cebola, mas prefere doar tudo ao descobrir que receberia apenas cerca de R$ 0,76 por quilo
A proposta de cerca de R$ 0,76 por quilo não cobria os custos de colheita, transporte e venda

Por que colher pode sair mais caro do que vender?

Quando o preço oferecido pelo quilo é muito baixo, o produtor precisa fazer uma conta dura. Não basta olhar para a cebola já crescida no campo. Ainda há custo para contratar trabalhadores, movimentar máquinas, separar o produto, carregar caminhões e entregar a mercadoria a quem vai revender.

Se a venda não paga nem essa etapa final, a colheita deixa de ser solução e vira prejuízo adicional. Por isso, muitos agricultores enfrentam o dilema de abandonar parte da produção, destruir a lavoura ou doar o alimento para que ele ao menos chegue à mesa de quem precisa.

O que esse caso revela sobre o preço dos alimentos?

A história causa espanto porque o consumidor costuma ver a cebola com preço muito maior no supermercado, na feira ou no sacolão. A diferença entre o valor pago ao produtor e o valor final mostra como a cadeia de abastecimento pode concentrar margens depois que o alimento sai do campo.

Veja abaixo pontos que ajudam a entender essa diferença entre lavoura e prateleira:

Formação dos preços

Por que o valor recebido pelo produtor difere do preço no varejo?

  • 1O produtor recebe pelo produto bruto, ainda sem beneficiamento comercial.
  • 2O varejo inclui custos de transporte, funcionários, aluguel e perdas.
  • 3Produtos perecíveis pressionam quem precisa vender rápido.
  • 4A falta de negociação coletiva enfraquece pequenos e médios produtores.
  • 5O consumidor final nem sempre sabe quanto chegou ao agricultor.

Por que a doação virou um gesto simbólico?

A doação das cebolas teve impacto porque mostrou, de forma simples, uma contradição do sistema alimentar. De um lado, há famílias com dificuldade para comprar alimentos. Do outro, há produtores que, em certos momentos, não conseguem vender a safra por um valor suficiente para pagar o trabalho.

O agricultor não resolveu sozinho a crise de preços, mas deu visibilidade ao problema. Ao permitir que moradores retirassem o alimento, ele evitou desperdício e mostrou que a produção rural pode estar cheia de comida e, ainda assim, vazia de retorno financeiro para quem planta.

Que lição fica para consumidores e produtores?

Para o consumidor, o caso ajuda a enxergar que o preço da feira não conta toda a história. A cebola que parece cara na cidade pode ter saído do campo por um valor irrisório. Entre esses dois pontos, existe uma cadeia longa, com custos reais, margens desiguais e decisões que nem sempre valorizam o produtor rural.

Para o agricultor, a situação reforça a importância de canais diretos de venda, cooperativas, contratos mais previsíveis e alternativas de escoamento. Quando uma safra inteira depende de poucos compradores, o risco de prejuízo aumenta. No fim, as 200 toneladas doadas mostram que o problema não era falta de alimento, mas falta de preço justo na origem da produção.