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A “aldeia dos hobbits” escondida nas montanhas tem apenas 1 habitante e parece cenário de filme

Um morador, um restaurante e dezenas de casas de pedra.

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A "aldeia dos hobbits" escondida nas montanhas tem apenas 1 habitante e parece cenário de filme
Vista de longe, a aldeia parece um conjunto de cogumelos de pedra brotando do verde. / Imagem ilustrativa

A 1.200 metros de altitude, no topo da Serra da Peneda, existe uma aldeia portuguesa que parece cenário de filme. Val de Poldros, no concelho de Monção, ganhou o apelido de “aldeia dos hobbits” pelas dezenas de cardenhas, pequenos abrigos de pedra com teto arredondado que lembram as casas do Condado de O Senhor dos Anéis. Tem um habitante, um restaurante e uma paisagem que justifica cada curva da estrada até lá.

O que são as cardenhas que dão à aldeia essa aparência?

As cardenhas são abrigos seculares de granito, construídos com teto abobadado e muito baixo para preservar calor nas noites geladas da montanha. Serviam de refúgio para pastores que subiam com o gado durante os meses de verão, prática conhecida como transumância.

Vista de longe, a aldeia parece um conjunto de cogumelos de pedra brotando do verde. De perto, as cardenhas revelam uma engenharia popular sofisticada: encaixes sem argamassa, paredes grossas que isolam do frio e cobertura que resiste aos ventos da serra há séculos. Muitas já estão cobertas de musgo, reforçando o visual que remete diretamente ao universo criado por J.R.R. Tolkien.

A "aldeia dos hobbits" escondida nas montanhas tem apenas 1 habitante e parece cenário de filme
A aldeia integra o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o único parque nacional de Portugal. / Créditos: Wikimedia Commons

Por que a aldeia ficou quase abandonada?

Val de Poldros é uma branda, nome dado no Alto Minho aos povoados de montanha usados apenas no verão. No inverno, os moradores desciam para a inverneira de Riba de Mouro, a sede da freguesia. Com o êxodo rural e o envelhecimento da população, a transumância foi abandonada e a aldeia esvaziou.

O que mantém a aldeia viva hoje:

1
Um único habitante permanente Fernando Gonçalves é o dono, cozinheiro e anfitrião do restaurante Val de Poldros, e a única pessoa que mora ali o ano inteiro.
2
O restaurante que atrai visitantes Serve gastronomia tradicional do Alto Minho numa casa de granito com vista para a serra, motivo principal de muitas viagens até lá.
3
A romaria de Santo António Todo dia 13 de junho, a aldeia recebe romeiros para uma das festas mais genuínas da região, com sorteio de uma casa do santuário.
4
Turismo de caminhada e fotografia O visual das cardenhas cobertas de musgo e a paisagem da Serra da Peneda atraem trilheiros e fotógrafos de Portugal e do exterior.

O que existe para ver e fazer em Val de Poldros?

A aldeia integra o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o único parque nacional de Portugal. Além das cardenhas, o lugar oferece miradouros com vistas que justificam a subida íngreme, trilhos por florestas de carvalhos e o contacto direto com uma forma de vida rural que praticamente desapareceu do continente europeu.

Os pontos de interesse mais procurados:

  • A Branda de Santo António, com o maior conjunto de cardenhas preservadas da região.
  • A Capela de Santo António, em granito, com zona de merendas e área verde ao redor.
  • O miradouro do Vale do Glaciar do Vez, com vista panorâmica sobre o vale escavado por gelo antigo.
  • O miradouro da Branda da Aveleira, que permite ver o aldeamento do alto em silêncio completo.
  • O restaurante Val de Poldros, onde Fernando Gonçalves serve cozinha minhota autêntica a quem faz a viagem.

De onde vem o nome Val de Poldros?

A origem remonta ao reinado de D. Dinis, quando a região era usada para criar poldros (potros) para a guerra. O vale fértil no alto da serra oferecia pastagem abundante e isolamento natural, condições ideais para a criação de cavalos jovens. O nome sobreviveu ao fim da prática e hoje identifica uma das brandas mais singulares do Alto Minho.

Leia também: A cidade mais fria do Nordeste onde os termômetros chegam em 1°C escondida nas montanhas.

Quem visita Val de Poldros deve saber o quê antes de ir?

O acesso não é simples. São muitos quilômetros de estrada sinuosa sem avistar povoação, e o último trecho sobe forte até os 1.200 metros de altitude. Não há sinal de celular em boa parte do caminho, e a meteorologia no alto da serra pode mudar em minutos, mesmo no verão.

Veja o que levar em conta para planejar a visita:

Aspecto Detalhe prático Atenção
Acesso Estrada sinuosa Quilômetros de curvas sem povoação à vista, último trecho em estrada estreita de montanha. Exige cuidado
Restaurante Único na aldeia Recomendável ligar antes para confirmar horário, já que funciona com um único responsável. Reservar antes
Clima 1.200 metros de altitude Temperaturas baixas mesmo no verão, com mudanças bruscas de tempo e nevoeiro frequente. Levar agasalho
Melhor época Primavera e verão De maio a setembro o acesso é mais seguro e a paisagem verde atinge o auge visual. Ideal

Por que essa aldeia importa além do turismo?

As cardenhas de Val de Poldros são consideradas monumentos de elevado valor etnográfico, cultural e científico. Representam uma forma de habitar a montanha que atravessou séculos e que está desaparecendo com a última geração de brandeiros. Preservar essa arquitetura é guardar uma memória que nenhum museu consegue reproduzir com a mesma verdade.

Num país onde dezenas de aldeias desapareceram do mapa humano, Val de Poldros resiste com um habitante, um restaurante e uma paisagem que parece inventada. A aldeia não é cenário de filme, mas o cinema se reconhece nela porque a realidade, quando é antiga e intacta o suficiente, dispensa ficção. Quem sobe até lá leva fotos, mas traz de volta algo mais difícil de guardar no celular: a sensação rara de pisar num lugar que o tempo esqueceu de mudar.