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A capital do calçado masculino transformou a riqueza do café em indústria e hoje supera 98 das 100 maiores cidades brasileiras em indicadores de gestão
Hoje supera 98 das 100 maiores do Brasil em educação, saúde, segurança e saneamento.
Quase toda cidade do interior guarda no nome alguma homenagem a quem mandava na época da fundação. Franca nasceu em 1805 batizada em honra a um governador da capitania e, por 65 anos, se chamou Vila Franca do Imperador. Hoje, a cidade do calçado masculino aparece à frente de todas as capitais em um ranking nacional de serviços públicos.
Por que a cidade deixou de se chamar Franca do Imperador?
Por decisão da própria Câmara Municipal, em sessão de 30 de dezembro de 1889, pouco mais de um mês depois da Proclamação da República. O nome original vinha da freguesia criada em 1805 em homenagem ao governador da capitania Antônio José da Franca e Horta, de acordo com a justificativa de um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
A emancipação também teve disputa. Em 1821, Dom João VI criou a Vila Franca Del Rei, que não chegou a ser instalada porque a vizinha São Carlos de Jacuí queria anexar a região a Minas Gerais. Só em 1824 o povoado ganhou autonomia, já como Vila Franca do Imperador. Poucos anos antes, em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire contou cerca de 50 casas no arraial e previu que o lugar não demoraria a ganhar importância.

Como Franca chegou ao 2º lugar entre as 100 maiores cidades?
Com bons resultados em educação, saúde, segurança e saneamento, as quatro áreas medidas pelo Índice dos Desafios da Gestão Municipal. Franca soma 0,722 pontos e ocupa o 2º lugar entre os 100 maiores municípios do país, atrás apenas de Maringá, segundo o ranking da Macroplan, que reúne 15 indicadores.
A cidade paulista fica à frente de Jundiaí, Uberlândia e Curitiba, a capital mais bem posicionada, em 5º. O índice avalia os serviços entregues pela gestão municipal, e não renda ou custo de vida. Na prática, mostra uma cidade em que escola, posto de saúde, policiamento e saneamento têm desempenho superior ao de 98 das 100 maiores cidades do país.
De onde vem a fama de capital do calçado masculino?
Do dinheiro do café. No século XIX, a cafeicultura permitiu acumular o capital que, mais tarde, financiou a indústria de calçados, conforme estudo do Centro Paula Souza, autarquia paulista de ensino técnico. O setor se especializou em sapatos masculinos de couro e é formado, sobretudo, por micro, pequenas e médias empresas.
A ferrovia também deixou marca. A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro chegou em 1887 e deu origem ao bairro da Estação, antigo Alto da Boa Vista. Fora das fábricas, a paixão local é o basquete, e o Sesi Franca manda seus jogos no Ginásio Pedrocão, um dos endereços mais conhecidos do basquete brasileiro.
O que fazer em Franca além de comprar sapatos?
O roteiro mistura história, áreas verdes e, claro, compras direto da fonte. Boa parte das paradas fica no centro ou a poucos minutos dele.
Quando visitar e como chegar a Franca?
O inverno é a estação mais seca. Julho registra em média só 14 mm de chuva e junho 25 mm, de acordo com o Climatempo, o que favorece caminhadas pelo centro e passeios ao ar livre.
A cidade fica a cerca de 400 km da capital paulista, no nordeste do estado, perto da divisa com Minas Gerais. Quem prefere voar conta com o Aeroporto Estadual Tenente Lund Presotto, no próprio município.
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Uma cidade que trocou o imperador pelo sapato
Franca começou como um arraial de 50 casas, sobreviveu a disputas de fronteira e apagou o imperador do nome por decisão dos próprios vereadores. Dois séculos depois, combina indústria, basquete e serviços públicos que a colocam à frente de qualquer capital no ranking da Macroplan.
Você precisa caminhar pelo centro de Franca num dia seco de inverno, entrar no museu da cidade e terminar a noite na arquibancada do Pedrocão.