Entretenimento
A Capital do Montanhismo é a mais alta do Rio de Janeiro e abriga o 3º parque nacional mais antigo do Brasil
Localizada nas alturas do Rio de Janeiro.
Poucas cidades brasileiras conseguem reunir a maior rede de trilhas do país, o marco inicial da escalada nacional e uma das caminhadas de longo curso mais bonitas da América do Sul em raio de poucos quilômetros. Teresópolis, a cerca de 90 km do Rio de Janeiro, faz isso todos os dias. A 871 metros de altitude, a Cidade de Teresa é a mais alta do estado e um dos principais portões de entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), terceiro parque nacional mais antigo do Brasil.
Como Teresópolis virou a Capital Nacional do Montanhismo?
A resposta está na geografia da Serra dos Órgãos. A Cidade de Teresa foi fundada em 1891 por lei imperial em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II. Encravada em um dos maciços rochosos mais espetaculares do Sudeste, virou base natural para escaladores e caminhantes ainda no começo do século XX, muito antes de ganhar o título de Capital Nacional do Montanhismo.
Segundo o portal oficial da Prefeitura de Teresópolis, o município é o principal ponto de acesso para escaladas técnicas em picos como Dedo de Deus, Agulha do Diabo, Pedra do Sino e Nariz do Frade. Vários deles ultrapassam os dois mil metros, o que faz de Teresópolis uma referência absoluta em turismo de aventura. O apelido de Terê acompanha a cidade tanto entre moradores quanto entre visitantes que sobem a serra em busca de trilhas, climatização, café colonial e fondue.

Por que o PARNASO é o 3º parque nacional mais antigo do Brasil?
A resposta remonta à primeira geração de unidades de conservação do país. Segundo o portal oficial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional da Serra dos Órgãos foi criado em 30 de novembro de 1939 pelo Decreto-Lei nº 1822, durante o governo de Getúlio Vargas. Antes dele, apenas o Parque Nacional do Itatiaia (1937) e o Parque Nacional do Iguaçu (também 1939) haviam sido criados no país.
Hoje o PARNASO ocupa 19.855 hectares protegidos em quatro municípios da Região Serrana fluminense: Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim. A área protege um dos principais remanescentes de Mata Atlântica do Sudeste e abriga mais de 2.800 espécies de plantas e mais de 400 espécies de aves. Segundo o portal Parques Brasil do Ministério do Turismo, o PARNASO tem a maior rede de trilhas do país, com mais de 200 km em todos os níveis de dificuldade. Desde agosto de 2021, a entrada nas três sedes é gratuita.
Quais trilhas e mirantes do PARNASO visitar?
A sede Teresópolis fica em raio curto do centro da cidade e concentra as trilhas mais famosas. Boa parte pode ser feita em meio dia, mas as travessias exigem preparo físico e agendamento prévio.
- Trilha Cartão Postal: percurso de 1,2 km, com duração de cerca de duas horas, revela um novo ângulo do famoso Dedo de Deus e alinha ao fundo picos como Escalavrado, Cabeça de Peixe e Santo Antônio.
- Trilha 360°: circuito circular de 2,6 a 4 km, com duração de duas horas e meia, leva ao Mirante Borandá, de onde se avistam a Serra dos Órgãos e até a cidade do Rio de Janeiro em dias claros.
- Trilha da Pedra do Sino: percurso de 11 km e cinco a seis horas até o ponto mais alto da Serra dos Órgãos, a 2.275 metros de altitude, com vista da Baía de Guanabara e do Vale do Paraíba.
- Trilha Suspensa: passarelas de madeira acessíveis inclusive a cadeirantes, entre 1 e 8 metros de altura, permitem observar a copa das árvores e o paredão rochoso em uma visita curta.
- Travessia Petrópolis-Teresópolis: caminhada de longo curso de 30 km, feita em cerca de três dias, considerada a travessia mais bonita do Brasil, com passagem pelo Castelo do Açu e pela Pedra do Sino.

Onde ver o Dedo de Deus e outros marcos icônicos da cidade?
Além das trilhas dentro do parque, alguns mirantes e formações são visíveis do meio urbano e da rodovia, o que rende paradas rápidas e cenários fotográficos únicos.
- Mirante do Soberbo: também conhecido como Mirante do Dedo de Deus, oferece vista da Baía de Guanabara, parte do Rio de Janeiro e da Serra dos Órgãos, com estrutura de apoio.
- Mirante Roberto Silveira: na região do Vale do Paraíso, revela o Dedo de Deus de outro ângulo, opção clássica para quem sobe a serra em bate-volta.
- Agulha do Diabo: um dos picos mais desafiadores do PARNASO, considerado uma das 15 melhores escaladas em rocha do mundo, atraindo montanhistas de todo o país.
- Mulher de Pedra: formação rochosa característica visível da cidade, com silhueta que lembra o perfil feminino, um dos ícones naturais de Teresópolis.
- Feirinha do Alto: também conhecida como Feirarte, na Praça Higino da Silveira, no bairro Alto, reúne artesanato, gastronomia e cultura serrana em finais de semana.
Vale a pena visitar a Granja Comary, casa da Seleção Brasileira?
Vale, e a visita virou parte do roteiro tradicional para quem sobe a serra. A Granja Comary é o centro de treinamento oficial da Seleção Brasileira de Futebol, mantida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde os anos 1980. Embora o acesso ao interior das instalações seja restrito, o público pode caminhar ao redor do complexo, fazer piquenique e aproveitar a tranquilidade típica da Região Serrana. As visitações costumam ocorrer aos sábados e domingos, das 8 às 17 horas, com o Dedo de Deus ao fundo em vários pontos do lago.
O que provar na gastronomia serrana de Teresópolis?
A cozinha serrana combina raiz caiçara, herança dos imigrantes europeus e uma produção agrícola local que abastece parte do estado do Rio. Restaurantes tradicionais convivem com propostas contemporâneas, especialmente no inverno.
- Fondue: prato-símbolo do inverno serrano, com versões de queijo, carne e chocolate presentes em restaurantes charmosos, especialmente nos bairros mais altos da cidade.
- Truta: peixe típico da região, criado nas fazendas serranas, servido grelhado, à belle meunière ou com molhos artesanais.
- Café colonial: tradição da Região Serrana, com bolos, cucas, geleias caseiras e queijos da roça em cafeterias temáticas.
- Comida caipira: frango caipira, feijão tropeiro e leitão à pururuca em restaurantes rurais, muitos com preparo em fogão a lenha.
- Hortifrutigranjeiros da região: a produção agrícola local rende festivais gastronômicos que celebram os produtos da roça em várias épocas do ano.
Leia também: A cidade gaúcha de 3.292 habitantes com 200 esculturas ciprestes que virou o destino da mais bela praça do RS.
Como é o clima e a melhor época para visitar Teresópolis?
O clima é tropical de altitude, com quatro estações bem marcadas. Verão úmido e chuvoso, inverno seco e frio, com noites que podem chegar próximo aos zero graus. A alta temporada começa em junho, com o início do inverno, e concentra os principais eventos gastronômicos e turísticos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Teresópolis?
De carro, o acesso mais direto a partir do Rio de Janeiro é pela BR-116 em direção norte, subindo a Serra dos Órgãos. O trajeto tem cerca de 90 km e viagem média de uma hora e meia. A entrada principal do PARNASO fica na área urbana da cidade, com acesso sinalizado logo na chegada, próxima ao Mirante do Soberbo e ao Portal da Cidade.
Ônibus regulares saem várias vezes ao dia da rodoviária do Rio de Janeiro e de outras cidades da Região Serrana, como Petrópolis e Nova Friburgo. Quem prefere avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) ou no Aeroporto Santos Dumont, com trecho final por rodovia.
A Capital Nacional do Montanhismo
Teresópolis reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: o título de cidade mais alta do Rio de Janeiro, o marco inicial da escalada nacional no Dedo de Deus, o terceiro parque nacional mais antigo do país com a maior rede de trilhas em atividade e uma das travessias mais bonitas do Sudeste. A serra fluminense combina 133 anos de tradição imperial com montanhas que atraem escaladores do mundo inteiro.
Você precisa conhecer Teresópolis e caminhar pela Trilha do Cartão Postal ao amanhecer, provar um fondue de queijo em uma noite fria de julho e entender por que a Cidade de Teresa continua sendo o endereço mais completo do turismo de montanha no país.