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A Capital do Saci é onde o vento não para, com saúde de ponta, ar puro e natureza intocada a três horas de São Paulo perfeita para viver em paz
O destino paulista da Capital do Saci combina ar puro, hospitais de referência e muito verde.
Muito antes dos colonizadores, os indígenas tupis já chamavam este pedaço de serra de Ybytu-katu, os ventos bons. É desse nome que nasce Botucatu, no interior de São Paulo, a única cidade do país que se declara oficialmente a casa do saci.
Por que Botucatu é chamada de Capital Nacional do Saci?
A cidade leva o folclore a sério. Botucatu abriga a Associação Nacional dos Criadores de Saci (ANCS), criada nos anos 1990 para preservar a lenda do menino de uma perna só, e por isso ficou conhecida como a terra do saci.
A entidade nasceu do engenheiro José Oswaldo Guimarães, que diz ter trazido exemplares de Minas Gerais para reintroduzir nas matas botucatuenses. O trabalho ganhou projeção nacional, com participação em iniciativas da UNESCO e na imprensa. A causa se conecta ao Dia do Saci, celebrado em 31 de outubro como contraponto ao Halloween, oficializado em São Paulo pela Lei Estadual 11.669 de 2004 e tema de projetos na Câmara dos Deputados.
Moradores antigos juram ter visto crinas de cavalos trançadas durante a noite, sinal da travessura do personagem de gorro vermelho. A figura aparece espalhada por toda a cidade, e o que poderia ser só história de ninar virou identidade coletiva.

Como é a qualidade de vida na cidade dos bons ares?
O apelido não é invenção de folder turístico, é geografia pura. Botucatu fica no topo da Cuesta, uma escarpa de arenito e basalto que ergue a cidade a mais de 800 metros de altitude e mantém a brisa constante e o ar limpo o ano inteiro.
Essa combinação de altitude e ventilação natural rende noites frescas no verão e madrugadas rigorosas no inverno. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da cidade chega a 0,800, classificado como muito alto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A presença da Universidade Estadual Paulista (UNESP), com um dos maiores campi do estado, injeta um ritmo universitário na rotina e atrai estudantes de medicina, veterinária e agronomia de todo o país.

Uma cidade que é referência em saúde no interior
Poucos municípios do tamanho de Botucatu concentram tanta estrutura médica. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), ligado à UNESP, é a maior instituição pública de saúde vinculada ao SUS na região.
Com cerca de 500 leitos, o complexo atende como referência aproximadamente 68 municípios e realiza dezenas de milhares de procedimentos oncológicos, sessões de hemodiálise e cirurgias por ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Para o morador, isso significa acesso a tratamentos de alta complexidade sem precisar viajar até a capital.
O que fazer nos fins de semana na Cuesta Paulista?
A altitude entrega vistas que se estendem por dezenas de km e mais de 70 cachoeiras catalogadas nos arredores. Muitas atrações ficam a poucos minutos do centro.
- Morro de Rubião Júnior: mirante a 980 metros de altitude, com panorama de 360 graus e um dos melhores pontos para ver o pôr do sol.
- Ecoparque Pedra do Índio: fazenda cujo deck sobre a Pedra do Índio virou cartão-postal, ideal para ver o nascer do sol na borda da Cuesta.
- Gigante Adormecido: formação de morros que, vista de longe, lembra um homem deitado, com as Três Pedras formando os pés.
- Cachoeira da Marta: queda a poucos km do centro, cercada de mata, com trilhas de acesso pela serra.
- Jardim Botânico Municipal Inocêncio Figueiredo: espaço com flora regional, lagos e trilhas educativas, destino frequente de famílias.
O bairro pioneiro que virou berço da agricultura orgânica
A dez km do centro fica o Bairro Demétria, um dos endereços mais curiosos da cidade. Ali surgiu a primeira fazenda biodinâmica do Brasil, fundada nos anos 1970 por um grupo de imigrantes seguidores da antroposofia.
O bairro deu origem à primeira comunidade que sustenta a agricultura no país e ainda abriga a Escola Aitiara, referência nacional em pedagogia Waldorf. Todo segundo sábado do mês acontece a Feira Cultural, reunindo produtores orgânicos, ateliês e cafés em meio a um raro trecho de Cerrado preservado. Quem gosta de comer bem encontra aqui pães, queijos e geleias feitos sem agrotóxico.
Leia também: A praia eleita a melhor do mundo fica na ilha que já foi presídio e é um arquipélago vulcânico.

Quando ir e qual a melhor época para visitar?
O clima subtropical de altitude divide o ano entre um período seco e ameno e um verão mais quente e chuvoso. Entre abril e setembro, o tempo firme favorece trilhas e mirantes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Botucatu saindo de São Paulo?
Botucatu fica a cerca de 235 km da capital paulista, viagem de aproximadamente três horas de carro pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) ou pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300). Ônibus intermunicipais partem regularmente do Terminal Rodoviário Tietê. Os aeroportos mais próximos são os da região metropolitana de São Paulo e Viracopos, em Campinas. Mais informações estão no site da Secretaria de Turismo de Botucatu.
Vale a pena conhecer os bons ares
Botucatu junta o que é raro no interior: ar limpo de serra, saúde de referência e uma cultura que transforma até um saci em orgulho local. É uma cidade que cresce sem perder a calma nem o folclore.
Você precisa subir a Cuesta e sentir os ventos bons de Botucatu, a única cidade que trata o menino de uma perna só como parte da família.