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A “Capital do Saci-Pererê” onde o vento não para tem saúde modelo para 68 municípios, ar de serra, cachoeiras, trilhas, grutas e um gigante de pedra, sendo perfeita para viver em paz a 235 km de São Paulo
Grutas, cachoeiras e trilhas cercam a cidade.
Todo morador do interior paulista conhece alguma história de saci contada na varanda da fazenda. Em Botucatu, no alto da Cuesta Paulista, essas histórias ganharam associação, festival e até um endereço na paisagem: um morro em forma de gigante deitado, onde a lenda local diz que os sacis moram.
Por que Botucatu é chamada de Capital do Saci?
Por causa de um grupo de moradores que decidiu “criar” sacis. A Associação Nacional dos Criadores de Saci (ANCS) nasceu na cidade como uma organização descontraída, cujos integrantes passaram a espalhar que criavam o personagem na serra, conforme trabalho de conclusão de curso do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP (Celacc). A brincadeira deu origem ao Festival Nacional do Saci, e o apelido de capital pegou, sem nenhuma lei que o oficialize.
O mesmo estudo registra um detalhe pouco lembrado: parte dos moradores não gostou do título de terra do Saci quando ele surgiu. Hoje o personagem está em praças e eventos culturais, e o 31 de outubro virou o Dia do Saci em todo o estado pela Lei Estadual nº 11.669, de 2004, que vale para todo o território paulista.

Onde moram os sacis, segundo a lenda local?
Na barriga do Gigante Adormecido. Visto de longe, esse conjunto de morros lembra um homem deitado, com cabeça, barriga e pés, e o trecho da barriga guarda mata nativa preservada, apontada pelos moradores como a casa dos sacis, segundo artigo publicado na revista LabVerde, da USP. Os pés do gigante são as Três Pedras, um grupo de três morros isolados.
A forma tem explicação geológica. A Cuesta é um relevo com um lado íngreme e outro suave, e o desgaste das partes expostas criou paredões verticais e morros soltos como os do gigante, de acordo com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O nome da cidade vem do tupi Ybytu-katu, algo como bons ventos, uma referência ao ar que circula o tempo todo no alto da serra.
O que sustenta a fama de saúde de ponta em Botucatu?
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), ligado à Universidade Estadual Paulista (Unesp). Seu pronto-socorro é a unidade de maior complexidade em urgência da região e serve de referência para 68 municípios, com quase 2 milhões de habitantes, segundo norma interna do HCFMB.
O complexo hospitalar reúne ainda o Hospital Estadual Botucatu, inaugurado em 2014, e serviços como hemodiálise, radioterapia, medicina nuclear e 54 leitos de UTI. Na prática, quem mora na cidade tem acesso a atendimento de alta complexidade sem precisar descer a serra rumo à capital.
O que fazer na Cuesta de Botucatu?
A serra concentra mirantes, grutas e trilhas que exploram justamente o relevo que deu forma ao gigante. Algumas atividades pedem guia local, e outras ficam a poucos minutos do centro.

Quando visitar e como chegar a Botucatu?
A estação seca, entre abril e setembro, é a melhor época para trilhas e mirantes. Em julho, a chuva média é de 47 mm e em junho de 53 mm, segundo o Climatempo, com dias firmes e noites frias no alto da serra.
A cidade fica a cerca de 235 km de São Paulo, aproximadamente três horas de carro pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) ou pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300), que também dá acesso às trilhas da zona rural.
Onde os bons ventos guardam uma lenda
Botucatu transformou uma brincadeira de moradores em identidade e encontrou na própria geologia um lar para o personagem mais travesso do folclore. Entre o gigante de pedra, o hospital que atende 68 cidades e o vento que deu nome à serra, a cidade mostra que tranquilidade e estrutura podem dividir o mesmo endereço.
Você precisa subir a Cuesta num dia seco de inverno, olhar para a barriga do Gigante Adormecido e decidir por conta própria se os sacis ainda moram lá.