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A cidade a 811 metros de altitude que guarda o Centro Geodésico da América do Sul, uma cachoeira de 86 metros e a maior caverna de arenito do Brasil
Da geografia às cavernas.
A 62 km de Cuiabá, no coração do Mato Grosso, Chapada dos Guimarães é uma das cidades mais importantes do ecoturismo brasileiro. Fundada em 1751 pela Missão Jesuítica de Santana, guarda o marco geodésico do continente sul-americano, dá nome ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, guarda a Caverna Aroe Jari com 1.550 metros de extensão e mais de 450 cachoeiras espalhadas por paredões de arenito vermelho-alaranjado. É a cidade a 811 metros de altitude onde o cerrado se encontra com a Amazônia e as noites de inverno podem chegar a 12°C.
Da Missão Jesuítica de Santana ao maior município do mundo
A história começa em 1718, quando a bandeira de Pascoal Moreira Cabral encontrou ouro no rio Coxipó e abriu a região à colonização portuguesa. Em 1721, o bandeirante Almeida Lara fundou o Arraial da Forquilha, e no ano seguinte estabeleceu a Fazenda Buriti Monjolinho, considerada a primeira propriedade agrícola da região. A vila oficial nasceu em 1751 com a criação da Capitania de Mato Grosso, quando o padre Estevão de Castro instalou a Missão Jesuítica de Santana e reuniu indígenas de diferentes etnias no aldeamento.
O povoado passou por várias mudanças de nome: Santana da Chapada, Chapada de Cuiabá, Santana da Chapada de Cuiabá, até se consolidar como Chapada dos Guimarães, seguindo orientação da Coroa Portuguesa para adotar nomes de localidades de Portugal. A área é impressionante: foi considerada o maior município do mundo em extensão territorial, com cerca de 270 mil km², antes de ser desmembrada em municípios como Alta Floresta, Sinop e Colíder. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo de 2022 registrou 18.990 habitantes, com estimativa de 19.458 em 2025.

O Centro Geodésico da América do Sul
A grande particularidade geográfica de Chapada dos Guimarães está a poucos quilômetros do centro. O município abriga o Centro Geodésico da América do Sul, marco simbólico que registra o ponto matemático equidistante dos oceanos Atlântico e Pacífico. É um dos poucos marcos continentais desse tipo no mundo e virou parada obrigatória para viajantes em busca de conexões geográficas raras.
O mirante do centro geodésico oferece vista privilegiada da planície pantaneira, especialmente ao amanhecer, quando o sol nasce sobre os paredões de arenito. O ponto virou também símbolo do misticismo local, ligado a ondas de energia telúrica que atraem esotéricos, meditadores e viajantes em busca de contemplação. A cidade se define como portal geográfico e místico do Centro-Oeste, com festivais e encontros anuais dedicados ao tema.
Véu de Noiva: a cachoeira símbolo do Parque Nacional
Criado para proteger os paredões de arenito e as cabeceiras dos rios que abastecem o Pantanal, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães ocupa cerca de 33 mil hectares entre os municípios de Chapada dos Guimarães e Cuiabá. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. A entrada em todos os atrativos do parque é gratuita.
A atração mais famosa é o Mirante do Véu de Noiva, cachoeira de 86 metros de altura que se forma pela queda do rio Coxipó no paredão de arenito. A trilha até o mirante tem 550 metros de extensão e capacidade para 100 pessoas por vez. Fica aberto diariamente das 9h às 16h e é o único atrativo autoguiado do parque, os demais precisam de acompanhamento de guia ou condutor autorizado. O Circuito das Cachoeiras, no rio Sete de Setembro, reúne outras sete quedas d’água em sequência, entre elas a Cachoeira Independência e o Salto das Andorinhas.
Caverna Aroe Jari: 1.550 metros de arenito
Fora dos limites do Parque Nacional, na Fazenda Água Fria a cerca de 40 km do centro pela Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) sentido Campo Verde, fica um dos maiores tesouros geológicos do Brasil. A Caverna Aroe Jari tem cerca de 1.550 metros de extensão e é a maior caverna de arenito do país. O nome vem do idioma bororo e significa morada das almas, referência à atmosfera silenciosa e escura dos seus salões.
O circuito completo inclui outras três cavernas e uma gruta. A Caverna Kiogo Brado, cujo nome bororo significa morada dos pássaros, tem travessia de 270 metros entre formações rochosas estreitas e é habitada por morcegos e maritacas. A Gruta da Lagoa Azul guarda um espelho d’água azul-turquesa em seu interior, um dos pontos mais fotografados do complexo. A Caverna Pobe Jari permite adentrar 500 metros acompanhando um rio subterrâneo na escuridão. A trilha completa tem 13 km ida e volta, com opção mais curta de 5 km com transporte interno. A visitação é permitida apenas com guias credenciados.
O que fazer em Chapada dos Guimarães?
O roteiro completo pede pelo menos quatro dias. As atrações se dividem entre o Parque Nacional, as fazendas particulares e o entorno rural, e boa parte precisa de guia credenciado.
- Mirante do Véu de Noiva: cachoeira de 86 metros formada pela queda do rio Coxipó em paredão de arenito, principal cartão-postal do Parque Nacional.
- Circuito das Cachoeiras: sequência de sete quedas d’água no rio Sete de Setembro, com trilha guiada de 4 km dentro do Parque Nacional.
- Caverna Aroe Jari: maior caverna de arenito do Brasil com 1.550 metros de extensão, acessada por trilha de 10 a 13 km na Fazenda Água Fria.
- Gruta da Lagoa Azul: caverna com espelho d’água azul-turquesa em seu interior, integrada ao circuito Aroe Jari.
- Cidade de Pedra: formação geológica com paredões de arenito esculpidos pela erosão, cenário lunar visitado em passeio guiado 4×4.
- Morro de São Jerônimo: ponto mais alto do Parque Nacional, com trilha de dificuldade moderada e vista panorâmica de 360°.
- Mirante do Centro Geodésico: marco geográfico da América do Sul com vista da planície pantaneira, especialmente belo ao nascer do sol.
- Cachoeira do Marimbondo e Cachoeira da Geladeira: quedas d’água em propriedades particulares, com poços cristalinos e trilha curta.
Patrimônio jesuítico e Festival de Inverno
Além da natureza, a cidade guarda um centro histórico com raízes coloniais do século XVIII. A Igreja de Nossa Senhora de Santana, construída em 1751, foi erguida pelos jesuítas junto com a Missão que originou o povoado e ainda hoje ancora a praça central. As ruelas de calçada de pedra preservam casarões coloniais e ateliês de artesanato mato-grossense.
O calendário cultural tem no Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, realizado anualmente entre julho e agosto, seu principal evento. Nesse período, a cidade recebe apresentações musicais, teatrais e oficinas culturais que atraem turistas de todo o país, coincidindo com as noites mais frias do ano, quando as temperaturas podem chegar a 12°C. Nos fins de semana, a Praça Coberta reúne artesãos que expõem peças de cerâmica, tecelagem e madeira típicas da região.
O que se come na cidade da chapada?
A gastronomia mistura raízes mato-grossenses com toques da culinária jesuítica e contribuições contemporâneas de cozinheiros que se instalaram na cidade nas últimas décadas.
- Peixe pintado na brasa: peixe símbolo do Pantanal, servido inteiro com farofa de banana e legumes assados, presente nos restaurantes tradicionais.
- Mojica de pintado: caldo grosso de peixe cozido com mandioca, temperado com cheiro-verde e pimenta, especialidade regional mato-grossense.
- Ventrecha de pacu: costela do pacu grelhada com pele crocante, servida com pirão e arroz branco.
- Doces caseiros do Cerrado: compotas de pequi, jatobá, bacuri e cagaita, herança das colônias jesuíticas e das quitandas familiares.
- Café colonial chapadense: mesa farta com bolos, biscoitos, geleias e queijos artesanais servida nas pousadas rurais do entorno.

Como é o clima ao longo do ano
A altitude de 811 metros garante temperaturas mais amenas que o entorno de Cuiabá, com clima tropical de altitude. Verões chuvosos convivem com invernos secos e frios, quando as temperaturas mínimas podem chegar a 12°C e a paisagem do cerrado fica ainda mais fotogênica.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Chapada dos Guimarães
A cidade fica a 62 km de Cuiabá pela Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251), cerca de uma hora de carro em estrada asfaltada e sinuosa que sobe a serra. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, a cerca de 75 km, com voos diários de São Paulo, Brasília e outras capitais brasileiras. Não há ônibus regulares de longa distância direto para Chapada, o acesso a partir do aeroporto é feito de carro alugado, transfer ou ônibus intermunicipal com conexão em Cuiabá. A cidade integra o roteiro do Centro-Oeste brasileiro junto ao Pantanal Norte e a Nobres.
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A chapada mais completa do Centro-Oeste
Chapada dos Guimarães é um daqueles destinos que resistem a se encaixar em uma categoria só. Cidade histórica com Missão Jesuítica de 1751, portal geográfico do continente sul-americano, refúgio místico e principal parque nacional do Centro-Oeste brasileiro. Poucos lugares no Brasil combinam tantos atributos em um raio tão curto de acesso.
Você precisa conhecer Chapada dos Guimarães num fim de semana de inverno, ver o pôr do sol no Véu de Noiva e reservar um dia inteiro para o Circuito das Cavernas Aroe Jari para entender por que a cidade de arenito virou o destino mais completo do interior de Mato Grosso.