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A cidade do Sul que fica a 1.019 metros de altitude e guarda um conjunto de cânions considerado o maior da América do Sul, além de uma tirolesa recordista
Altitude de 1.019 metros, cânions gigantes e uma tirolesa recordista.
O frio dos Campos de Cima da Serra acompanha quem se aproxima dos grandes cânions de Cambará do Sul. Em meio à neblina, paredões de até 720 metros despencam diante do visitante, enquanto o município gaúcho, com pouco mais de 6 mil moradores, concentra 36 desfiladeiros formados em rochas de origem vulcânica há cerca de 130 milhões de anos.
Como a geologia criou os aparados de Cambará do Sul?
A paisagem dos cânions começou a tomar forma muito antes de qualquer ocupação humana. Milhões de anos atrás, sucessivos derrames de lava basáltica deram origem ao Planalto Meridional, enquanto o processo de separação entre a América do Sul e a África provocou fraturas no enorme bloco rochoso. Com o passar do tempo, a ação combinada das chuvas e dos rios aprofundou essas estruturas e criou as gargantas verticais que os tropeiros do século XIX passaram a chamar de “aparados”, pela aparência de cortes feitos na rocha.
A própria origem do nome Cambará do Sul está ligada à vegetação local: a expressão de origem tupi-guarani significa “folha de casca rugosa”, em referência a uma árvore medicinal que ainda pode ser encontrada na praça central. O município conquistou sua emancipação em 1963 e se tornou uma das principais portas de acesso a uma região reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Em abril de 2022, o Geoparque Mundial Caminhos dos Cânions do Sul entrou para a lista da organização, tornando-se o terceiro geoparque brasileiro reconhecido, depois do Araripe (CE) e do Seridó (RN).

Por que o Itaimbezinho virou cartão-postal do Sul do Brasil?
O paredão mais fotografado do país tem 5,8 km de extensão e até 720 metros de profundidade. O Cânion Itaimbezinho fica dentro do Parque Nacional de Aparados da Serra, criado em 1959, um dos mais antigos do país e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Duas trilhas partem da borda superior, em Cambará do Sul. A Trilha do Vértice, de 1,5 km, revela a Cachoeira das Andorinhas e a Véu de Noiva em cerca de 1h30. A Trilha do Cotovelo, de 6 km, mostra 75% do paredão em um percurso plano. A parte de baixo do cânion pertence a Praia Grande, em Santa Catarina, e só pode ser explorada com guia pela desafiadora Trilha do Rio do Boi.
O que fazer nos 200 km de paredões vulcânicos?
A região reúne 36 cânions distribuídos em mais de 200 km entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As atrações principais ficam a menos de 25 km do centro, ligadas por estradas de chão que exigem tempo e paciência do viajante.
- Cânion Fortaleza: o maior do Brasil, com 7,5 km de extensão e até 900 metros de profundidade, dentro do Parque Nacional da Serra Geral. Do mirante, em dias limpos, dá para ver o litoral de Torres.
- Tirolesa do Cânion Fortaleza: inaugurada em 2023, tem 720 metros de percurso sobre o abismo com velocidade média de 30 km/h. Considerada a mais alta das Américas.
- Cachoeira dos Venâncios: quatro quedas em sequência formadas pelo Rio Camisas, a 23 km do centro. Águas cristalinas boas para banho no verão.
- Cachoeira do Tigre Preto: acessada pela Trilha da Pedra do Segredo, de 3 km, dentro do Cânion Fortaleza. Passa por uma rocha equilibrada em base mínima.
- Voo de balão: sobrevoo dos campos de altitude e das bordas dos cânions ao amanhecer, marca registrada de Cambará do Sul.
- Trilha do Rio do Boi: 8 km por dentro do Itaimbezinho, com travessias de rio e piscinas naturais, acesso por Praia Grande com guia obrigatório.
Sabores da cultura tropeira nos Campos de Cima da Serra
A cozinha da cidade segue o ritmo do frio e da herança campeira. O pinhão, fruto da araucária, aparece assado no fogão a lenha em quase todos os restaurantes tradicionais.
- Pinhão na chapa: fruto da araucária assado na brasa, servido como entrada ou petisco em cardápios de restaurantes rurais e pousadas da serra.
- Carreteiro de charque: arroz com carne seca desfiada, herança direta dos tropeiros que cruzavam os campos de altitude no século 19.
- Truta grelhada: criada em pisciculturas locais nas águas geladas dos rios, virou o prato mais emblemático da cidade nos últimos anos.
- Mel de Cambará: a apicultura é uma das principais atividades econômicas do município, e o mel aparece em souvenirs, sobremesas e cafés coloniais.
Qual o clima da cidade dos cânions?
A temperatura média anual gira em torno de 16°C, com invernos rigorosos que ocasionalmente registram geada e neve. A neblina pode encobrir os cânions em minutos, especialmente entre junho e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar, especialmente por causa da neblina.

Como chegar à Terra dos Cânions?
Cambará do Sul fica a 190 km de Porto Alegre pela RS-020, cerca de 3h de carro. Quem vem de Gramado percorre pouco mais de 1h pela estrada de Tainhas. Os parques ficam entre 18 e 23 km do centro, em estradas de chão que exigem carro próprio ou transfer contratado.
Suba a serra e conheça Cambará do Sul
Poucos destinos brasileiros reúnem paredões vulcânicos de escala continental, tirolesa recordista e o silêncio dos campos de altitude no mesmo endereço. Cambará do Sul entrega geologia de 130 milhões de anos, dois parques nacionais e uma gastronomia que aquece as noites de neblina.
Você precisa se debruçar sobre a borda do Itaimbezinho ao amanhecer e sentir o vento subindo do vale para entender por que a Terra dos Cânions virou um dos destinos mais procurados da