A “Cidade dos Bilionários” movimenta R$ 38 bilhões, tem empregos de sobra, é a 2ª mais segura do país e passou de 143 mil para quase 200 mil moradores em 15 anos - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

A “Cidade dos Bilionários” movimenta R$ 38 bilhões, tem empregos de sobra, é a 2ª mais segura do país e passou de 143 mil para quase 200 mil moradores em 15 anos

De polo econômico a destino de novos moradores.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
A “Cidade dos Bilionários” movimenta R$ 38 bilhões, tem empregos de sobra, é a 2ª mais segura do país e passou de 143 mil para quase 200 mil moradores em 15 anos
Da receita da WEG, e não da economia da cidade./ Imagem ilustrativa

Toda cidade industrial tem uma empresa que ajuda a contar sua história. Em Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina, esse papel é da WEG, nascida ali na década de 1960, e foi o tamanho dela, somado a outras fortunas locais, que rendeu à cidade o apelido de Cidade dos Bilionários. Por trás do rótulo, há também um dos menores índices de violência do país.

De onde vêm os R$ 38 bilhões ligados à Cidade dos Bilionários?

Da receita da WEG, e não da economia da cidade. Em 2024, a fabricante de motores e equipamentos elétricos somou R$ 37,99 bilhões de receita operacional líquida, alta de 16,9% sobre o ano anterior, segundo o relatório de resultados da WEG. O lucro líquido chegou a R$ 6,04 bilhões.

A maior parte desse dinheiro vem de longe. Do faturamento de 2024, 57% saiu de vendas fora do Brasil, e a empresa mantém filiais em 42 países e fábricas em 18, de acordo com o site institucional da WEG. Ou seja, o número do título mede o alcance global de uma companhia com sede em Jaraguá do Sul, ao lado de outros grupos industriais de origem local, como Malwee, Marisol e Duas Rodas.

A "Capital Nacional da Malha" é uma das melhores para viver em SC e lidera a indústria têxtil nacional
Jaraguá do Sul figura entre as dez maiores cidades de SC, destacando-se pela segurança, grandes empresas e expansão turística recente. // Créditos: Youtube.com/@jmcs274

Jaraguá do Sul tem mesmo empregos de sobra?

Tem um mercado de trabalho forte, mas 2025 mostrou desaceleração. A cidade fechou o ano com saldo positivo de 901 vagas formais no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), menos que Blumenau (2.323) e até que a pequena Jaguaruna (2.386), segundo levantamento do NSC Total.

O resultado acompanha o cenário nacional, já que o Brasil criou 1,279 milhão de empregos com carteira assinada em 2025, saldo 23,7% menor que o de 2024. Ainda assim, a cidade segue atraindo moradores: eram 143.132 em 2010, 182.660 no Censo de 2022 e 199.519 na estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também registra 99,09% das crianças de 6 a 14 anos na escola.

Por que Jaraguá do Sul está entre as cidades mais seguras do país?

Porque registra pouquíssimas mortes violentas para o seu tamanho. A cidade ficou em 2º lugar no Anuário 2025 Cidades Mais Seguras do Brasil, com 2,23 mortes violentas por 100 mil habitantes, atrás apenas de Brusque (1,43) e à frente de Tubarão (2,84), segundo o ranking da MySide, feito com dados de 2024 do Ministério da Saúde e do IBGE.

Vale entender o que o número mede. O anuário considera apenas a taxa de homicídios, e não outros crimes, como furtos e roubos. O pódio inteiramente catarinense ajuda a explicar por que Santa Catarina aparece como o estado mais seguro do país no mesmo levantamento.

O que faz o Rio da Luz ser único no Brasil?

Ele integra a primeira Paisagem Cultural Brasileira reconhecida pelo Iphan. Em maio de 2011, os núcleos rurais de Rio da Luz, em Jaraguá do Sul, e Testo Alto, em Pomerode, receberam a chancela criada para proteger regiões onde a relação entre pessoas e território tem valor histórico, conforme dissertação do mestrado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O vale guarda casas em enxaimel, técnica de construção com estrutura de madeira aparente preenchida com tijolos, além de roças e propriedades familiares que remetem à colonização germânica do fim do século XIX. A área faz parte dos Roteiros Nacionais de Imigração e foi tombada em 2007.

O que fazer em Jaraguá do Sul?

O lazer combina áreas verdes, morros e a herança dos imigrantes. Estes endereços aparecem com frequência no roteiro de quem visita a cidade.

1
Vale do Rio da Luz Casas em enxaimel, propriedades rurais e cafés coloniais na paisagem cultural chancelada pelo Iphan.
2
Parque Malwee Criado em 1978 pelo fundador do grupo têxtil, reúne lagos, trilhas e grande área verde aberta aos moradores.
3
Morro Boa Vista Conjunto de picos cobertos de Mata Atlântica, com trilhas e vista ampla do vale e da cidade.
4
Schützenfest Festa de tradição germânica com comidas típicas, chope e competições de tiro, que movimenta a cidade todos os anos.

Quando visitar e como chegar a Jaraguá do Sul?

O inverno é a época menos chuvosa, mas não chega a ser seco. Julho registra média de 94 mm de chuva, com temperaturas entre 12°C e 20°C, enquanto janeiro concentra 252 mm, de acordo com o Climatempo. O calor também pode surpreender: a cidade já registrou 43,8°C em um 2 de outubro, a segunda maior máxima da história catarinense, segundo balanço da Epagri/Ciram.

A cidade fica a cerca de 182 km de Florianópolis, no Vale do Itapocu, com acesso pela BR-101 e por rodovias estaduais que ligam a região ao litoral norte e ao Vale Europeu.

Leia também: Herdeiro de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos comprou fazendas no pé das montanhas, enfrentou anos de resistência local e doou as terras que hoje fazem parte de um dos parques mais visitados do país.

Uma cidade rica que ainda guarda o ritmo do interior

Jaraguá do Sul carrega um apelido que fala de fortunas, mas os números mais interessantes estão nas ruas: poucas mortes violentas, crianças na escola e um vale rural que virou referência nacional em patrimônio. O dinheiro da indústria convive com cafés coloniais e casas de madeira que contam outra parte da mesma história.

Você precisa percorrer o Vale do Rio da Luz numa tarde de inverno e entender como uma cidade de multinacionais ainda preserva o sotaque dos primeiros colonos.