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Especialistas em psicologia explicam: “Quem fala sozinho no corredor do mercado pode não estar distraído, mas ajudando o cérebro a achar mais rápido um produto conhecido”

Estudo de Gary Lupyan e Daniel Swingley mostrou que dizer o nome em voz alta agiliza a busca, mas só quando o item é bem familiar

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Falar o nome de um produto conhecido pode ajudar a encontrá-lo mais depressa
Falar o nome de um produto conhecido pode ajudar a encontrá-lo mais depressa - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem já se pegou repetindo baixinho o nome de um produto entre as prateleiras do supermercado pode ficar tranquilo. Uma pesquisa de psicologia feita nos Estados Unidos por Gary Lupyan e Daniel Swingley chegou a uma conclusão curiosa. Dizer em voz alta o que se procura ajuda o cérebro a localizar o objeto. O efeito aparece principalmente com itens bem conhecidos, daqueles que entram no carrinho toda semana.

O que o estudo de psicologia descobriu sobre falar sozinho?

O estudo descobriu que falar o nome do alvo deixa a busca visual mais eficiente. O trabalho saiu em 2012 no Quarterly Journal of Experimental Psychology, periódico de psicologia experimental. Os autores são Lupyan, da Universidade de Wisconsin-Madison, e Swingley, da Universidade da Pensilvânia.

Os voluntários procuravam objetos comuns no meio de várias outras imagens. Em parte das rodadas, eles tinham de dizer o nome do alvo em voz alta antes de começar. Quando a palavra combinava bem com o objeto, a procura ficou mais rápida.

A explicação vem da chamada hipótese do feedback do rótulo, um conceito da psicologia cognitiva. Por essa ideia, ouvir uma palavra ajuda o sistema visual, por alguns instantes, a detectar o objeto que ela nomeia. Segundo o perfil de Gary Lupyan no Instituto McPherson de Pesquisa Ocular, ele investiga como a linguagem influencia a percepção a cada momento.

No estudo, dizer o nome acelerou a busca quando a palavra combinava bem com a aparência do objeto
No estudo, dizer o nome acelerou a busca quando a palavra combinava bem com a aparência do objeto – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Como funcionou o teste das compras no supermercado virtual?

O teste reproduziu na tela do computador a situação de quem procura mercadorias na gôndola. Os participantes viam fotos de itens de supermercado e precisavam encontrar todas as ocorrências de um produto indicado pelos pesquisadores.

Antes dessa etapa, uma primeira fase comparou duas formas de se preparar para a busca: ler o nome do objeto ou falar esse nome. A tabela resume as duas partes do trabalho.

Como foi o testePESQUISA
As duas fases do estudo de Lupyan e Swingley
Etapa O que os voluntários faziam Resultado
Primeira fase Procuravam um objeto entre várias imagens, lendo o nome ou dizendo em voz alta Falar o nome acelerou a busca
Compras virtuais Buscavam todas as ocorrências de um produto em fotos de prateleira Ajudou com produtos muito familiares e atrapalhou com um pouco conhecido

O resumo do artigo, indexado na base PubMed, confirma a regra geral por trás dos resultados. Quanto melhor a palavra combina com a imagem do objeto, maior o ganho para quem procura.

Falar sozinho tem outras funções estudadas pela ciência, da memória à organização do pensamento. Quem quiser ir além do corredor do mercado pode continuar a leitura por aqui.

Quando dizer o nome do produto atrapalha a busca?

Dizer o nome atrapalha quando a palavra não combina bem com a imagem que a pessoa guarda do produto. No teste de compras virtuais, repetir o nome de um desodorante pouco familiar deixou os voluntários mais lentos.

Repetir o nome de um desodorante pouco familiar tornou a busca mais lenta no teste virtual
Repetir o nome de um desodorante pouco familiar tornou a busca mais lenta no teste virtual – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O resumo do estudo descreve esse efeito como gradual. À medida que cresce a distância entre o nome e o alvo, a fala deixa de ajudar e passa a atrapalhar. Para os autores, isso mostra que as palavras interferem no processamento visual que acontece naquele instante.

A dupla une dois olhares sobre a linguagem. Swingley é psicolinguista e estuda como os bebês aprendem sons e palavras, segundo a página de Daniel Swingley na área de ciência da linguagem da Universidade da Pensilvânia. Lupyan, por sua vez, estuda o efeito das palavras sobre o que enxergamos.

Vale murmurar a lista de compras no corredor do mercado?

Vale, desde que o produto seja conhecido e o nome dito seja aquele que vem à cabeça ao ver a embalagem. Para o item de sempre, repetir o nome baixinho pode encurtar a procura. Isso serve tanto no mercado do bairro em Madureira quanto num atacarejo da Baixada.

A pesquisa também ajuda a tirar o peso de quem fala sozinho em público. Para a psicologia, o hábito pode ser uma ferramenta do cérebro, e não sinal de distração. Na próxima ida às compras, experimente murmurar o nome do que falta na despensa e repare se ele aparece mais depressa.

Corpo, fala e atenção também andam juntos em outras descobertas curiosas. Uma delas envolve um hábito comum durante as ligações telefônicas.